A UNEGRO APOIA O BLOG DIÁRIO DO MEARIM

PONHA AQUI A PROPAGANDA DE SUA EMPRESA

Roberto Costa é eleito presidente da FAMEM para o biênio 2025/2026

FAMEN coloca Bacabal e Roberto Costa em evidência

Flamengo pode ter mudança diante do Bangu em São Luís

Técnico Cléber do Santos pode apostar em trio de ataque nesta noite no Castelão.

Sessão Solene na Câmara Municipal de Bacabal Celebra o Dia Internacional da Mulher

Vereadoras Nathália Duda e Regilda Santos conduzem Sessão Solene

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

CRÔNICA DO DIA: Enigmas dos discos voadores

Era uma noite serena, o céu salpicado de estrelas, um palco cósmico para as histórias que os humanos contam sobre seres além da nossa compreensão. Num canto escuro do universo, a Terra era palco de uma dança cósmica, onde os protagonistas eram seres extraterrestres, mistérios ufólogos e a intriga do desconhecido. O ano era 1976, eu passava férias na casa de minha irmã Marion, no município de Santa Inês, tinha apenas 6 anos de idade, na época, acontecia no Brasil a Operação Prato, o maranhão e principalmente o Pará era palco de uma grande onda ufológica.

A casa de minha irmã era frequentada por muitas pessoas que vinham do interior e comentavam seus avistamentos ou perseguição por luzes misteriosas. Certa tarde presenciei no céu, um desses “Aparelhos” como eram chamados pelo povo. Os adultos não acreditaram em mim.

No outro dia, dona Olindina, uma senhora negra de sorriso fácil e fala alta, casada com um relojoeiro, varria o terreiro de frente da casa, quando teve um avistamento, de um aparelho a aproximadamente uns 400 metros do chão. Dona Olindina ficou apavorada e gritou bem alto chamando a atenção de todos, nisso o aparelho rapidamente sumiu num facho de luz no espaça. Essas experiências ficaram gravadas para sempre no meu subconsciente.

 

Cresci e me tornei uma pesquisador fascinado pelo assunto. Hoje eu sei que o épico moderno começou com um estrondo em 1947, no deserto de Roswell, no Novo México. O incidente deixou uma marca indelével na imaginação humana, desencadeando teorias, especulações e a busca incessante pela verdade. As memórias daquela noite ainda repercutem nos corredores da ufologia. Recentemente o governo Norte americano, confirmou a veracidade do fato.

Em terras brasileiras, o Caso Varginha permanece como uma peça do quebra-cabeça intergaláctico. Testemunhas relataram criaturas humanoides, uma narrativa que se entrelaça com a tapete dos eventos cósmicos. A Operação Prato, na minha opinião foi uma tentativa governamental de esquadrinhar os céus, e  adicionou outra camada de complexidade à trama.

Ufólogos, como vigias do desconhecido, dedicaram suas vidas para decifrar os enigmas celestiais. No Brasil, nomes como Ademar José Gevaerd, com sua revista UFO, e Claudeir Covo, desbravam os céus em busca de respostas. No mundo, Stanton Friedman, Jacques Vallée, e outros, têm suas próprias trilhas na constelação ufóloga.

O Ceará, com sua misteriosa "Área Q", tornou-se palco de especulações e teorias. Uma terra onde o véu entre o nosso mundo e o além parece mais tênue. Enigmas que desafiam a razão e instigam a imaginação.

Abduções, um fenômeno que transcende fronteiras culturais, são as narrativas mais íntimas da interação humano-extraterrestre. Histórias de encontros noturnos, experimentações médicas e memórias nebulosas, pintam um quadro complexo da relação entre duas espécies distintas.

 

Canalizações, mensagens cósmicas sussurradas através de intermediários terrestres, lançam luz sobre profecias e orientações para a humanidade. Um eco distante de uma sabedoria cósmica, moldando o destino daqueles que buscam compreender.

 

E então, os grays, criaturas pálidas e esguias, tornaram-se ícones dos encontros extraterrestres. Uma representação visual do desconhecido, eles pairam entre o medo e a curiosidade, símbolos de uma fronteira inexplorada.

A guerra, mesmo nos confins do espaço, não é imune à presença ufóloga. Relatos de objetos luminosos desafiando a gravidade, interferindo em sistemas de defesa  de exércitos terrestres e desafiando as leis da física, objetos voadores acompanham de perto a guerra entre países da terras  gerando uma narrativa de uma guerra intergaláctica que transcende nossa compreensão.

Dizem que em sigilo, alguns  segredos humanos são compartilhados com aqueles que não são da Terra. Um pacto interplanetário, onde informações e tecnologia trocam de mãos, forjando um destino compartilhado entre civilizações de outras galáxias.

Assim, a crônica estelar continua a ser escrita, uma história interminável que se desdobra nos céus noturnos e nos corações inquietos dos que olham para as estrelas. O desconhecido, sempre à espreita, convida-nos a explorar os limites da compreensão, dançando entre as fronteiras do que é conhecido e o que ainda está por descobrir. Prezados leitores, diante do comportamento insano da raça humana, casa dia que passa, tenho mais certeza que não sou desse plana.

Saudações Terráqueos!!!

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Crônica NONATO CHAVES: O ENGENHEIRO DE SONHOS

Em meio ao calor vibrante do Maranhão, em Bacabal, uma figura se destaca no horizonte da construção, moldando não apenas estruturas de concreto, mas também tecendo laços entre comunidades. Nonato Chaves, o mestre construtor, é o engenheiro de sonhos que emoldura a história de sua cidade com pilares de trabalho incansável, devoção e serviço à comunidade.

A terra da Bacaba, hoje acorda mais triste, é que Nonato Chaves, após cumprir mais uma etapa no planeta terra, é chamado pelo Grande Arquiteto do Universo, a construir outras moradas, em outras dimensões de vida.

A história de Nonato Chaves é uma saga de comprometimento e paixão pela construção, onde cada tijolo colocado não apenas ergue paredes, mas também constrói pontes entre as pessoas. Seu legado é esculpido em cada igreja que se eleva ao céu, em cada casa que abriga sonhos e em cada rua que testemunha o progresso de Bacabal.

Em seus dias como secretário de obras, Nonato foi o maestro de uma sinfonia de desenvolvimento. Sua batuta conduziu equipes de operários, engenheiros e arquitetos na dança sincronizada da construção civil. As estradas e ruas que ele ajudou a pavimentar não apenas conectaram bairros, mas também abriram caminhos para oportunidades e crescimento.

Além dos canteiros de obras, Nonato deixou sua marca na esfera política, dedicando-se como vereador e tornando-se um defensor da democracia. Sua visão transcendeu o concreto e alcançou as necessidades mais profundas da comunidade que ele jurou servir.

No seio de sua família, Nonato é mais do que um construtor de edifícios; ele é o alicerce afetivo que sustenta cada membro. Seus valores de integridade, resiliência e amor incondicional permeiam a casa que ele ajudou a construir não apenas fisicamente, mas também nos corações daquelas que o chamam de pai.

Nonato Chaves é um exemplo da capacidade humana de transformar pedras em monumentos, desafios em oportunidades e sonhos em realidade. Sua vida é um testemunho da verdadeira grandiosidade que reside na construção não apenas de estruturas tangíveis, mas também na construção de vidas, comunidades e esperanças.

Hoje, erguemos nossas mentes e corações em homenagem a Nonato Chaves, o construtor de templos religiosos, casas e sonhos. Que sua história inspire as gerações vindouras a construírem não apenas com tijolos e argamassa, mas também com compaixão, dedicação e um espírito incansável de servir. Nonato, o engenheiro de Bacabal, deixa para trás não apenas edifícios imponentes, mas um legado que transcende as páginas do tempo.

José Casanova
Professor ,Jornalista e Escritor membro da
Academia Bacabalense de Letras

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

CRÔNICA DO DIA: Canção Silenciada dos Povos Originários

No coração da terra onde o verde se mistura com  as águas pardas dos rios, existe uma história que ecoa através das eras, uma narrativa entrelaçada com as raízes do solo, as folhas das árvores, e os murmúrios dos ventos. É a história dos povos indígenas do Brasil, cujas vozes, um dia tão vibrantes quanto o canto dos pássaros ao amanhecer, foram silenciadas pelo descaso, pela indiferença e pela violência.

Desde o primeiro contato com os colonizadores, as tribos indígenas foram confrontadas com a fúria de uma tempestade que nunca se acalmou. Palavras em Tupi Guarani, uma língua que flui como o próprio Rio Amazonas, carregam consigo a tristeza de um passado manchado de injustiças. O "Nhanderu" que era reverenciado, testemunhou o desenrolar de tragédias, enquanto a terra que antes pulsava vida tornou-se testemunha silenciosa de uma verdade brutal.

Hoje, em meio a florestas que ainda ecoam os lamentos do passado, existem, segundo levantamento do Instituto sócio ambiental,  mais de 266 povos indígenas no Brasil, das etnias  Guarani, Ticuna, Caingangues, Macuxi, Yanomami, Terena, Guajajara, Xavante, Potiguara, Pataxó, verdadeiros guardiões da natureza, cujos territórios são sagrados para a preservação do equilíbrio vital do nosso planeta. Principalmente, os Yanomâmis, que viram suas terras serem invadidas e suas crianças, sementes de esperança, caírem como folhas secas.

Estes povos, falam cerca de 160 famílias linguísticas, “maioria dessas famílias linguísticas — como o tupi-guarani, o juruna, o mundunkuru, o jê, o karajá e o maxakali — pertence a dois troncos: o tupi e o macro-jê”.

A história desses povos é um  complexo e doloroso  livro que ainda está sendo escrito. A indiferença das autoridades, como um vento frio cortante, varreu as necessidades dos indígenas para debaixo do tapete da negligência. A busca desenfreada por recursos, muitas vezes disfarçada como desenvolvimento, tornou-se a maior ameaça para esses povos que têm a terra como mãe e a natureza como irmã.

Os Ianomâmis, como tantas outras tribos, são os guardiões das florestas, os vigias das águas, os cantores da biodiversidade. Seus corações pulsam em harmonia com a terra, e suas almas estão entrelaçadas com o destino da natureza que protegem. As crianças, com seus olhos cheios de curiosidade e esperança, representam a continuidade dessa ligação sagrada.

Hoje, enquanto levamos adiante o cajado da existência, é imperativo que as novas gerações despertem para a urgência de respeitar e preservar os povos originários. É hora de curar as feridas do passado, de plantar sementes de compaixão e compreensão. Os Ianomâmis, os Guajajaras e todos os povos indígenas, merecem mais do que respeito; merecem justiça, merecem ser ouvidos, e merecem o direito inalienável de viver em paz nas terras que seus ancestrais protegeram por séculos.

A floresta é a sinfonia da vida, e os povos indígenas são seus maestros. Nossa responsabilidade é assegurar que a canção não seja silenciada, que a harmonia perdure, e que as próximas gerações aprendam a dança da coexistência respeitosa com aqueles que sempre foram os verdadeiros guardiões da natureza.

José Casanova
Professor, Jornalista e Escritor membro da
Academia Bacabalense de Letras

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

CRÔNICA DO DIA: Último capítulo da jornada materna

 

Prezado leitor, como artista da palavra, vivo no meio do povo a observar sua evolução, mas ultimamente parece que chegou a hora da roda grande passar por dentro da roda pequena. A família antes chamada  celular meter na sociedade, foi infectada pelo vírus da ignorância, a falta de empatia entre pais e filhos quebra os laços de família. Depois de trabalharem 40 a 50 anos para manter a família, aos 60 anos começam a serem ignorados pelos filhos que já pensam na partilha de bens que por ventura foram construídos pelos pais.

Entre tantas histórias de pais maltratados pelos filhos, vou contar a de dona Maria, que  personifica todas as mães Marias do Brasil. Maria, ao longo de sua vida, dedicou-se incansavelmente a criar e cuidar de seus 10 filhos e filhas. Agora, em seus anos dourados, a senhora Maria encontrava-se em uma situação delicada, dependendo dos cuidados de sua prole.

Dentre os filhos, apenas uma filha, Carolina, assumiu a responsabilidade de cuidar da mãe com a dedicação que a situação exigia. A senhora Maria, agora idosa e fragilizada, necessitava de atenção constante. Fraldas, medicamentos e visitas frequentes ao médico eram parte do dia a dia. Lembro da sabedoria de minha velha mãe que dia: uma mãe cuida de dez filhos, mas dez filhos não cuidam de uma mãe.

De fato, parece que dona Luiza tinha razão, pois na casa de dona Maria, enquanto Carolina se desdobrava para garantir o conforto de sua mãe, uma briga silenciosa ecoava pelos corredores da família. Os outros nove filhos, movidos por interesses egoístas, começaram a disputar não apenas a atenção da mãe, mas também seus bens e patrimônio.

Todos queriam ser beneficiados, mas não queria ter trabalhos com a velha mãe. Numa tarde nublada, na sala de estar onde fotos antigas testemunhavam dias mais simples, a tensão atingiu seu ápice. Diálogos ríspidos e olhares acusatórios preenchiam o ambiente:

_Por que a Carolina é a única que se preocupa com a mãe? Ela não pode ficar com tudo! Além do mais ela anda luxando muito, a comprar roupas caras, só pode ser com o dinheiro da mamãe! – Disse Roberto para os irmãos.

_ A mamãe tem uma casa valiosa. Por que a Carolina merece mais do que nós? Vamos tomar o cartão dela. – Decidiu Glória.

A disputa pelo benefício da mãe ultrapassava o limite do bom senso. A senhora Maria, mesmo diante de suas limitações físicas, percebia a discórdia entre os filhos. Entre lágrimas silenciosas, ela tentava repreender a ganância que se instalara na própria família.

Enquanto os irmãos brigavam, Carolina buscava apoio legal para garantir que a mãe recebesse os cuidados necessários e que seus bens fossem protegidos. A lei, porém, mostrava-se complexa, e a situação tornava-se um emaranhado de disputas judiciais.

Carolina (em uma conversa com o advogado): "Eu só quero garantir que a mamãe tenha paz. Não posso acreditar que eles estão brigando por dinheiro enquanto ela está aqui, dependendo de nós."

_Infelizmente, situações como essa são mais comuns do que se imagina. A obrigação legal de cuidar dos pais é clara, é de todos os filhos, mas a ganância muitas vezes obscurece o senso de responsabilidade. – Afirmou o advogado.

A história da família de dona Maria é um reflexo triste da realidade de muitas famílias. A disputa por heranças antes mesmo do falecimento dos pais é um dilema que coloca em xeque não apenas a ética, mas também os valores familiares. Enquanto a mãe envelhece, a obrigação moral e legal de cuidar dela deveria ser prioridade, superando qualquer desejo por herança.

José Casanova

Professor, Jornalista e escritor membro da

Academia Bacabalense de Letras

CRÔNICA DO DIA:Harmonia na Diversidade Religiosa

 

A intolerância religiosa pode ser  definida por atitudes agressivas e de ódio a culturas, opiniões e forma de crer no Maravilhoso deferente das suas. Para nãos sermos didáticos ou proselitistas, vamos entrar numa máquina do tempo literária e conhecer uma  cidade fictícia que o leitor pode dá o nome que quiser.

Nesta cidade , onde os sinos da igreja ecoam ao lado do chamado à oração nas mesquitas, vivem personagens distintos, cada um carregando suas próprias crenças, mas todos compartilhando o mesmo espaço de convivência.

Padre Antônio, com sua batina desgastada, era um homem que dedicava sua vida a conduzir sua paróquia com amor e compaixão. Ao lado dele, Pastor Samuel liderava sua congregação com palavras de fé e esperança. No mesmo bairro, vivia Isaac, um judeu respeitado por sua comunidade, e dona Clara, uma senhora que mantinha viva a tradição de sua fé afro-brasileira.

Entre eles, havia ainda Marta, uma espírita  que buscava aprofundar-se nos ensinamentos de Allan Kardec. Todos viviam pacificamente, respeitando as diferenças e aprendendo uns com os outros. Dona Marta acreditava que o espiritismo era o “Consolador” prometido por Jesus, e colocava sua mediunidade a serviço da comunidade.

No entanto, um dia, um incidente abalou a paz religiosa da comunidade. Durante uma festividade inter-religiosa, um grupo intolerante invadiu o evento, desrespeitando as crenças alheias. O ato de intolerância religiosa começou com um ataque violento à Tenda de São Raimundo Nonato de Mãe Clara de Ogum. O ataque deixou todos perplexos e incomodados.

As formas de intolerância religiosa são  variadas: no caso de Mãe Clara , fora desde insultos verbais até atos de vandalismo em locais sagrados da tenda.. A causa, muitas vezes, está enraizada na falta de compreensão e no medo do desconhecido. A ignorância alimenta preconceitos, que por sua vez  despertam a intolerância.

No Brasil, A Constituição Federal, no artigo 5º, VI   afirma ser inviolável a liberdade de crença e consciência, “assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantido, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias”, só que na prática, não é bem assim, principalmente quando se trata de religiões de matriz africana.

Diante desse triste episódio, os líderes religiosos se reuniram para discutir maneiras de combater a intolerância religiosa em sua comunidade. Conscientizaram-se de que a educação era a chave para dissipar o medo e a ignorância. Decidiram promover palestras, debates e atividades inter-religiosas nas escolas locais, incentivando o diálogo e a compreensão desde cedo. O Ministério Público, imparcial, acompanhava tudo de perto,

Padre Antônio, com seu jeito sereno, propôs a criação de um comitê inter-religioso, onde líderes de diferentes crenças se reuniriam regularmente para discutir questões de interesse comum e promover a paz. Pastor Samuel concordou, enfatizando a importância de mostrar à comunidade que, apesar das diferenças, todos compartilham valores fundamentais de amor e respeito.

Juntos, enfrentaram a intolerância religiosa com solidariedade e diálogo. Com o tempo, a comunidade começou a perceber que a diversidade de crenças enriquecia a todos, em vez de dividir. A lei da intolerância religiosa foi fortalecida, e a mensagem de respeito prevaleceu sobre o preconceito.

Assim, naquele lugar de crenças diversas, floresceu a verdadeira harmonia na convivência, mostrando que é possível construir pontes, em vez de muros, quando se trata de fé e respeito mútuo. Que bom seria amigo leitor, se cá fora, das páginas do livros as pessoas não fossem intolerantes, com certeza  viveríamos num mundo melhor

POR JOSÉ DA SILVA

Profe ssor ,Jornalista, Escritor e Membro da 

Academia Bacabalense de Letras

domingo, 21 de janeiro de 2024

FALMA realiza reunião de trabalho em Bacabal

 

A FALMA- Federação das Academias de Letras do Maranhão -  realizou no município de Bacabal, nesta sábado(20) a primeira reunião descentralizada da instituição, o objetivo é fortalecer os laços da Federação com academias de letras, artes e ciências existentes nos municípios. A reunião ocorreu no Salão Nobre do Hotel Santa Maria e contou representantes de academias de São Luis, Viana, Buriti, São Bento e Bacabal.

A reunião  contou com a participação dos Vereadores Manuel da Concórdia e Venâncio do Peixe, ambos reafirmaram o apoio à cultura bacabalense através da Academia Bacabalense de Letras e confirmaram que a Prefeitura de Bacabal autorizou a localização de um terreno para doação à ABL onde será construída sua sede própria.

A reunião foi conduzida pelo Presidente da Falma, escritor César Brito, que entre outras coisas deliberou sobre  uma carteira de serviços: plano de saúde, carteira de sócio, convênio com uma pousada de qualidade com preços acessíveis. A diretoria informo que em agosto, em data a ser em breve confirmada, haverá no município de Barreirinha o Grande Encontro das Academias do Maranhão. Discutiu-se também, a necessidade  de uma contribuição financeira anual da Academias para FALMA realizar melhor seus trabalho de assessoria às instituições literárias.

Durante a reunião a ABL - Academia Bacabalense de Letras - falou do projeto de realização de uma Feira ou Festa Literárias, com a venda de livros, lançamentos, roda de conversa e outras atividades de incentivo à leitura. A Falma se disponibilizou  a apoiar na realização do evento.

Após o encerramento da  pauta da reunião . Cel Carlos Furtado Presidente da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares, entregou à Liduina Tavares, Presidente da ABL alguns presentes desua Academia. Liduína Tavares, por sua vez, presenteou  à Falma com uma obra literária de autor Bacabalense.

Todos os presentes na reunião fizeram uma avaliação positiva do encontro que deu à falma subsídios para seu plano de trabalho para o ano de 2024. A escritora Liduína Tavares assumiu o cargo de Delegada da Mesorregião Central no Conselho de Representantes da Falma, ficado responsável de ser o elo entre as academia da região e a diretoria da Federação.













CRÔNICA DO DIA: O peso das lembranças

 

Era uma tarde abafada de domingo na já não tão  pequena cidade de Bacabal. Passando de moto na BR 316, observo no bairro Trizidela, uma prédio público sem utilidade, sendo usado como abrigo por um  senhor idoso, de cabelos longos e grisalhos. Este senhor, além de viver em situação de rua, carrega consigo o estigma de ser acumulador. Descobri que o mesmo tem família, mas que não consegue conviver com ela, ou será  o contrário? Nas ruas, o vai e vem de pessoas parecia um espetáculo constante, mas nos recantos silenciosos das casas, algumas histórias se desenrolavam em meio a um emaranhado de objetos acumulados ao longo dos anos. O senhor morador de rua, não era o único acumulador da cidade.

Na casa de Dona Clara, uma senhora simpática de cabelos prateados, moradora do bairro Madre Rosa,  cada canto era preenchido por recordações que pareciam ganhar vida própria. Jornais antigos, bonecas de porcelana, caixas empoeiradas e uma infinidade de tralhas se amontoavam, criando um labirinto de memórias.

Na cozinha, Dona Clara estava imersa em uma conversa com seu neto, Marcos.

- Vó, por que você guarda tantas coisas? A casa tá sempre cheia delas.

_ Ah, meu querido, são lembranças da vida. Cada objeto conta uma história, uma parte de quem fomos um dia.

_ Mas a casa tá cheia demais, vó. Isso não é bom.

_ Eu sei, meu amor. Às vezes, é difícil se desapegar.

O que Dona Clara enfrentava era conhecido como Síndrome de Acumulação Compulsiva, um transtorno caracterizado pelo acúmulo excessivo de objetos, mesmo que sejam inúteis ou sem valor aparente. A psicologia explica que, muitas vezes, os acumuladores compulsivos associam significados emocionais profundos a esses itens, tornando-se difícil se separar deles.

A situação estava ficando insustentável ao ponto dos vizinhos pedirem ajuda às autoridades. Numa tarde ensolarada, a psicóloga Dra. Marta Santos visitou Dona Clara para entender melhor sua situação.

_ Dona Clara, entendo que cada objeto é especial para você, mas precisamos encontrar um equilíbrio. O excesso de coisas pode prejudicar sua qualidade de vida.

_ Eu sei, doutora, mas é difícil abrir mão das lembranças. – Afirmou Clara em tom de nostalgia

A terapia tornou-se um caminho para desvendar os sentimentos subjacentes e ajudar Dona Clara a superar suas dificuldades. Enquanto isso, a comunidade se uniu para oferecer suporte prático, ajudando na organização da casa e na tomada de decisões sobre o que manter ou descartar.

Os sintomas de acumulação compulsiva variam, mas frequentemente incluem dificuldade em descartar itens, ansiedade ao pensar em se desfazer de objetos, e uma sensação de conforto ao estar cercado por suas coisas.

Ao longo do tempo, com paciência e apoio, Dona Clara começou a fazer escolhas conscientes sobre o que manter. Cada objeto descartado representava um passo em direção à liberdade emocional.

Assim, entre o passado e o presente, Dona Clara aprendeu a valorizar as memórias sem deixar que o peso do passado sufocasse seu presente. O que parecia uma casa entulhada de objetos tornou-se, aos poucos, um lar onde o espaço para novas histórias pôde florescer.

sábado, 20 de janeiro de 2024

CRÔNICA DO DIA: Aporofobia

 

Hoje, mergulharemos nas profundezas  da sociedade, onde a aporofobia, essa criatura insidiosa, tece suas teias imperceptíveis de discriminação. Aporofobia, um termo nascido da junção das palavras gregas "áporos" (pobreza) e "phóbos" (medo), não é apenas o temor aos menos favorecidos financeiramente, mas sim uma repulsa enraizada na exclusão social. O Neologismo criado pela filósofa espanhola Adela Cortina, além de designar aversão aos pobres também é utilizado para explicar suas implicações na democracia.

Nos meandros da aporofobia, os fundamentos são construídos sobre o alicerce da desigualdade. É o medo da pobreza personificado, a rejeição daqueles que estão à margem, lutando contra as correntes invisíveis da miséria. As causas desse fenômeno multifacetado residem na fragilidade da empatia, na falta de compreensão das realidades diversas que permeiam nossa existência difundindo estereótipos negativos associando  a pobreza ao perigo.

A origem da aporofobia remonta a tempos imemoriais, quando as sociedades começaram a diferenciar-se em estratos socioeconômicos. É alimentada pelo desconhecido, pela ignorância acerca das lutas diárias dos menos afortunados. A separação entre "nós" e "eles" cresce, semeando as sementes da aporofobia em solo social já fértil para a intolerância num país como o Brasil, construído pela mão de obra escravizada.

Exemplos de aporofobia surgem em diversas esferas da vida cotidiana. É visível nas expressões de desdém ao mendigo que estende a mão, nas portas fechadas aos desabrigados em noites frias. Ela se manifesta nos olhares atravessados ao passar por aqueles que buscam um lugar ao sol em meio à multidão. São gestos pequenos, mas permeados por uma grande barreira de indiferença.

Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua em São Paulo, costuma denunciar nas redes socias  exemplos de aporofobia presente na arquitetura “antipobres”, comum nas grandes cidades como “uso de grades, espetos de ferro, cacos de vidros” em espaços púbicos para “evitar a presença e a permanência dos mais pobres, prinipalmente pessoas em situação de rua’, além dessas barreias físicas e sociais que nos dá uma “Sensação de segregação” ainda há lojas que orientam  seus clientes a não ajudarem pessoas em situação de rua.

Para combater a aporofobia, é imperativo construir pontes de compreensão. A empatia deve ser cultivada como uma flor delicada que, uma vez regada, floresce em cores vibrantes. Passam por procedimentos “ políticos  e educativos” que sejam capazes  de diminuir as desigualdades Educação é a luz que dissipa as sombras do desconhecido. Conhecer as histórias por trás dos rostos esquecidos é o primeiro passo para quebrar as correntes que aprisionam a compaixão.

As consequências da aporofobia são a rejeição e a “exclusão de pessoas pobres em espaços públicos e privados”. Os meios de comunicação precisam parar de retratar os pobres de maneira negativa. Essa postura da mídia alimenta um ciclo de desumanização que corrói os alicerces da sociedade, minando a solidariedade que é essencial para um convívio saudável. As cicatrizes deixadas pela exclusão são profundas, transformando-se em feridas abertas que sangram em cada interação desigual.

Neste palco da vida, a aporofobia é uma peça macabra que, se não desafiada, continuará a obscurecer a beleza da diversidade humana. Cabe a cada um de nós assumir a responsabilidade de iluminar os recantos mais escuros com a luz do entendimento e da aceitação. Só assim poderemos verdadeiramente construir uma sociedade onde a pobreza não seja um estigma, mas uma chamada à compaixão e à mudança. Que venham novas políticas públicas de combate à pobreza.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

CRÔNICA DO DIA: A (in)Pureza do trabalho escravo no Maranhão


O Estado do Maranhão hoje, ao mesmo tempo, se debate entre as páginas de sua história e as feridas abertas da contemporaneidade. As sombras do passado, muitas vezes, insistem em se projetar sobre o presente, e, nessa tessitura complexa, desdobram-se tramas que revelam um lado nefasto e persistente da sociedade: O trabalhos escravo em pleno século XXI.

Segundo dados do próprios governo federal , o Brasil teve em 2023, o número de 3.422 denúncias de trabalho escravo. Em 12 meses 61% a mais do que em 2022. O Código Penal Brasileiro em seu artigo 149 afirma que o trabalhos escravo moderno "É caraterizado pela submissão de alguém a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou seu preposto". O resgate de pessoas em situação análoga à escravidão, foi o maior em 14 anos.

Nos últimos anos o Maranhão vem se destacando como um dos estados como maior fornecimento de mão de obra escrava no Brasil. É impossível falar de trabalho análogo a escravidão e não citar a luta de dona Pureza de Bacabal no Maranhão, sua história de vida foi imortalizada pela sétima arte, na brilhante intepretação da Atriz Dira Paes, no premiadíssimo "Pureza - o filme".

Dona Pureza, mulher forte e resiliente, representa a luta contra o impensável: o ressurgimento de trabalhos análogos à escravidão em solo maranhense e em outros estados brasileiros. A terra que um dia foi testemunha do grito de liberdade dos escravizados, agora ecoa com os sussurros de uma realidade que desafia a memória coletiva.

Em meio aos vastos campos e fazendas, onde o verde da natureza tentava encobrir as cicatrizes sociais, dona Pureza empreendia uma jornada solitária na busca pelo seu filho, aprisionado nas correntes modernas do trabalho escravo. Uma mãe destemida, com essa atitude de Mãe Coragem, ela se tornava a voz daqueles que eram reduzidos ao silêncio pela exploração desumana.

A história de dona Pureza entrelaça-se com o trágico enredo que ainda assola não apenas o Maranhão, mas também o Brasil e o mundo. É uma narrativa que reverbera além das fronteiras geográficas, revelando a persistência de um problema global que desafia os limites éticos e morais da sociedade contemporânea.

A escravidão moderna, com suas correntes invisíveis, não se limita a uma única nação. Estende-se como uma teia sinistra, conectando países e continentes, enquanto a humanidade, paradoxalmente, avança em outros aspectos. Os elos da exploração são forjados não apenas por grilhões físicos, mas também por sistemas econômicos complexos que perpetuavam a desigualdade: o capitalismo selvagem capaz de transformar o homem moderno em verdadeiros primatas morais.

Dona Pureza, em sua busca incansável, personifica a resistência contra um mal que, embora transformado, persiste em atormentar a consciência coletiva. Seus passos eram marcados por uma determinação que refletia os ancestrais que, um dia, também sonharam com a liberdade.

Ao narrar a saga de dona Pureza, somos confrontados com a urgência de romper os grilhões do silêncio e da indiferença. O Maranhão, berço de histórias de lutas e conquistas, não pode permitir que os traumas do passado obscureçam o brilho de um futuro justo e livre para todos os seus filhos.

Que as tramas do tempo nos ensinem que a liberdade é um direito inalienável, e que as histórias de dona Pureza sirvam como um chamado à ação, recordando-nos de que a verdadeira grandeza de uma nação reside na garantia da liberdade e dignidade para cada um de seus cidadãos
Por José Casanova

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

OPINIÃO: Autismo e Hipocrisia por David Morais

No último dia 09/01, a comunidade autista recebeu a notícia trágica sobre uma mãe atípica de 63 anos de idade ter assassinado o seu filho autista de 27 anos de idade e ter tirado a própria vida no apartamento aonde moravam em Águas Claras-DF.

Na data já mencionada foi recebida a triste notícia e que os corpos foram encontrados devido ao mau cheiro que sentiram moradores do condomínio e terem chamado a polícia. Esta chegando, adentrou o apartamento e observou que os corpos já estavam sem vida há pelo menos uns 3 dias.

Comovente? Trágico? Sensacionalista? Sabiam que a mãe atípica era acometida de depressão. Mas que “aparentava” estar bem. Esteriótipo? Sim! Desumanidade? Sim! Por que  não sentiram falta da mãe atípica e do seu filho atípico? Em pleno Janeiro Branco qual o valor do ser humano? Quanta falta faz um ser humano? Cadê a promoção do cuidado com as famílias atípicas? Responsabilidade coletiva? Que nada! A mais pura hipocrisia!

A terrível tragédia envolvendo a mãe atípica e o filho autista é consequência de uma série de fatores desumanos e excludentes. Somando-se a invisibilidade do ser humano, o distanciamento de famílias atípicas , o preconceito com as neurodivergências, o capacitismo em todas as suas nuances, dentre outros.

Mesmo sendo um autista adulto com transtornos comórbidos, por exemplo, a depressão, enfrentando gigantes barreiras e as mais diversas exclusões, entendo que nem de longe é possível eu “sentir” as sobrecargas e as dores das mães e famílias atípicas. Visto que, são incomensuráveis e intransferíveis.

Equivocadamente, o autismo ainda é romantizado sem levar em conta as suas especificidades. Cheio de “anjos”, “especiais”, “exemplos de superação”, etc. Relegando as suas idiossincrasias e limitações. Sem apoio e suporte adequado. Sem acompanhamento necessário. E muitas vezes os direitos sendo negados, prejudicando a acessibilidade e a inclusão. Causando ainda mais adoecimento. Desdobrando-se em justificativas infundadas e hipocrisias.  

Diante de toda essa situação, aproveito para citar parte de uma conversa que tive com o amigo, escritor, pai e tio atípico Evilásio Júnior: “Só quem está dentro da situação pode ter uma dimensão disso. Sei bem como é vida frente a uma sociedade que nega direitos básicos.  A mãe atípica não se “matou” e nem “matou” o seu filho autista, não tirou a própria vida e nem assassinou. A sociedade os matou”.

Antonio David Filho da Silva Morais ( David Morais) : militante do movimento negro. Ativista neurodivergente .Burilador de palavras. Defensor dos Direitos Humanos. 



CRÔNICA DO DIA: Um dia de Maria da Penha


Era uma manhã como tantas outras, mas para a Patrulha Maria da Penha do 15º PBM de Bacabal, cada novo amanhecer trazia consigo a esperança de ser a diferença na vida daqueles que, silenciosamente, sofriam sob o manto da violência doméstica.

A Tenente Soraya, líder experiente da patrulha, já sabia que o dia seria desafiador. Os relatos das vítimas se multiplicavam, refletindo uma triste realidade que teimava em persistir nos lares bacabalenses. Em sua mente, a Lei Maria da Penha era mais do que um conjunto de palavras impressas; era um escudo, uma promessa de proteção para aquelas que não conseguiam gritar por socorro.

O que ninguém sabia era que por trás daquele autoridade policial, havia uma mulher igual a todas as outroas, com sonhos, anseios e desejos de ser feliz. Está no comando da Patrulha Maria da Penha não foi coisa do acaso, Soraya via mais como uma missão divina, inspirada em Maria da Penha, que mesmo depois de ficar numa cadeira de rodas, inspirou a criação da lei que leva seu nome e vem salvando muitas vidas no Brasil.

O quartel estava agitado, o Comandante Major Berredo, tinha os olhos fixos nos mapas da cidade marcados por pontos vermelhos, indicando os locais onde as ocorrências eram mais frequentes. A equipe, composta por mulheres e homens determinados, preparava-se para uma incursão no universo delicado das relações familiares conturbadas.

Ao adentrar nas ruas, a patrulha encontrava rostos que, apesar de ocultarem a dor por trás de sorrisos frágeis, buscavam a luz no fim do túnel. Os lares que visitavam tornavam-se palcos de dramas silenciosos, onde a Lei Maria da Penha se transformava em voz, em amparo.

Durante as visitas para os acompanhamentos de Medidas Protetivas de Urgência, algumas vítimas relatavam que não havia mais necessidade de possuir as medidas pois não sentiam-se mais ameaçadas ou porque reatavam o relacionamento com o agressor. Nesses momentos os sentimentos da Tenente Soraya eram um misto de dúvida e apreensão, tinha que respeitar a decisão da vitima e a aconselhava denunciar, caso volte a sofrer qualquer tipo de violência ou mesmo, que solicite novamente uma medida protetiva.

No interior de uma casa modesta, mais uma vez a Tenente Soraya ouviu atentamente o relato de uma mulher corajosa que finalmente encontrou forças para quebrar as correntes do silêncio. Ouvir a dor nos olhos dela reforçou a missão da patrulha, que, naquele momento, tornou-se o elo entre o medo e a justiça.

Apesar de vermos tristes casos de feminicídios, desde a criação da Patrulha Maria da Penha no estado do Maranhão, nenhuma mulher que está sendo acompanhada pela PMP foi vítima deste tipo de crime.

Ao longo do dia, a patrulha navegava por esse mar de histórias turbulentas, lembrando-se de que cada visita era mais do que uma simples resposta a um chamado. Era uma oportunidade de educar, de plantar sementes de mudança nas mentes daqueles que acreditavam que a violência era aceitável.

A noite chegou, e o quartel finalmente descansou. Mas a luta estava longe de terminar. Enquanto as luzes se apagavam, a Tenente Soraya refletia sobre a importância vital da Lei Maria da Penha. Essa legislação não era apenas um texto frio; era uma bússola moral que guiava aqueles que se dedicavam a erradicar a sombra da violência doméstica.

E assim, a Patrulha Maria da Penha permanecia vigilante, pronta para enfrentar os desafios de um novo dia, na esperança de construir um amanhã onde as casas fossem abrigos de amor e não campos de batalha.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

CRÔNICA DO DIA: A robótica na terra da Bacaba

Um cronista é sobretudo um contador de histórias. No meu caso optei por dar um sabor especial às histórias que passam por mim. Trago para prosa, o famosa pedaço indizível do poema, fazendo das crônicas textos híbridos de ficção e realidade.  Prezados leitores, a história que passo a contar é  de um grupo de adolescentes de escolas públicas da periferia de Bacabal, e digo mais,  é inspiradora. Sob o estímulo e incentivo do professor Rodolfo, esses jovens encontraram na robótica uma oportunidade de se destacar e trilhar caminhos de sucesso.

Não interessa seus nomes, o importante que que mostram o potencial dos jovens da Vila São João, Mutirão, Coelho dias e outros bairros tidos como perigosos na terra da Bacaba.

Inicialmente, a robótica pode ter sido apenas uma atividade extracurricular, mas logo se tornou algo muito maior. Com determinação, esforço e muito trabalho em equipe, esse grupo de adolescentes começou a participar de competições locais, estaduais e até mesmo nacionais. Suas habilidades técnicas, criatividade e capacidade de solucionar problemas destacaram-se perante outras equipes.

Na sociedade capatalista , valoriza-se muuito a iniciativa privada, mesmo sabendo que ela nem sempre oferece os melhsores resultados. É na escola pública que Bcaabal brilha na robótica. A medida que os resultados positivos foram aparecendo, as famílias desses jovens foram surpreendidas. De baixa renda e com poucas oportunidades, a po ssibilidade de participação dos filhos em um evento internacional na Alemanha parecia um sonho distante. No entanto, graças ao esforço coletivo da comunidade escolar, patrocinadores e apoio das autoridades locais, esse sonho corre o  risco de se tornar realidadee.

A hipotsete de ida desses adolescentes para a competição mundial na Alemanha mexeu com a cabeça deles e de suas famílias. Eles se tornaram heróis na percepção dos professores e autoridades, que reconheceram o impacto positivo da robótica como uma ferramenta pedagógica transformadora.

A robótica na escola vai muito além do simples aprendizado técnico. Ela proporciona aos estudantes de Bacabal, o desenvolvimento de habilidades essenciais, como trabalho em equipe, resolução de problemas, pensamento crítico e criatividade. Além disso, a participação em competições estimula a superação de desafios, o aprendizado constante e a busca pela excelência.

Essa história é um exemplo valioso de como a robótica pode ser uma ferramenta pedagógica poderosa, especialmente em comunidades com menos recursos. Ela mostra que, quando os estudantes são incentivados e têm acesso a oportunidades, eles podem alcançar resultados surpreendentes. Esta foi a lição aprendida pela Secretária de educação, professora Rosilda Alves e cada cidadão Bacabalense.

Os adolescentes de Bacabal nos ensinam que não devemos subestimar o potencial dos jovens, independente de sua origem social. Com apoio adequado, eles podem conquistar grandes feitos e abrir novos horizontes para suas vidas, e ao mesmo tempo, inspirar outras crianças e adolescentes a seguirem seus próprios sonhos.

A conquista desses jovens é uma celebração da determinação, resiliência e perseverança. Além disso, evidencia a importância de investir na educação para promover a inclusão e proporcionar oportunidades iguais a todos os estudantes.

Por José Casanova

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

CRÔNICA DO DIA: Mães Atípicas

 

Mães Atípicas: A Força de Rosana

Rosana sempre soube que era uma mãe atípica. Primeiro um médico lhe deu um diagnóstico de bipolaridade para sua filha Raina. Ela sabia que não era isso,  pois conhecia bem esse comportamento. Depois de muito pesquisar, uma médica apenas observando o comportamento de Raina pelas câmeras da antessala de atendimento,  de cara falou:

_ Sua filha tem autismo...

Desde o momento em que recebeu o diagnóstico de autismo de sua filha, sua vida deu uma reviravolta. Ela se viu enfrentando desafios que nunca imaginou que teria que enfrentar. No entanto, Rosana não desistiu. Ela se tornou uma guerreira incansável na luta pelos direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A jornada de Rosana não foi fácil. Desde cedo, ela percebeu que sua filha enfrentaria obstáculos significativos na escola. Ela se deparou com a falta de compreensão e inclusão por parte dos educadores. No entanto, Rosana se recusou a aceitar a situação. Ela se tornou uma voz ativa na comunidade escolar, educando professores sobre o autismo e exigindo os direitos de sua filha.

Os desafios não ficaram restritos à escola. Rosana também teve que lidar com dificuldades em seu casamento. O diagnóstico de autismo abalou a estrutura familiar, levando a conflitos e incertezas. No entanto, Rosana mostrou uma resiliência admirável. Ela buscou terapias familiares, participou de grupos de apoio e trabalhou incansavelmente para fortalecer os laços familiares. Ela nunca desistiu do amor e do bem-estar de sua filha.

As lágrimas de Rosana foram frequentes, mas ela também experimentou momentos de grande alegria e superação. Ela viu sua filha, aos poucos, começar a verbalizar e expressar suas emoções. Cada pequena conquista foi celebrada como uma vitória. Rosana aprendeu a valorizar cada passo dado por sua filha, independentemente de seu ritmo de desenvolvimento.

Um dos momen tos mais emocionantes de sua vida foi no aniversário de 15 anos da filha. Resolveu oferecer uma festa para ela, suas amigas e familiares. Raina estava deslumbrante em seu vestido vermelho, para uma pessoa que vive dentro do espectro autista, deu um show de superação ao ler um texto falando de si mesma para os convidados: 

"(...)  Em 2017, os médicos diagnosticaram que tenho transtorno do neurodesenvolvimento , chamado autismo, de nível 2, considerado moderado. Este transtorno consiste em prejuízos na comunicação, na interação social  associado a comportamentos e interesses restritos, repetitivos e estereotipados, mas um dos comportamentos com presença  marcante em mim, é a ecolalia, pois registro todas as conversas que está próxima de mim... pense numa confusão para mim e para quem está perto, este comportamento está ligado ao déficit de comunicação. (...)Digo a todos aqui presentes, não é fácil está aqui na fente expressando tudo isso, mas se faz necessário sempre exercitar o letramento da inclusão, pois a sociedade ainda está no processo de alfabetização de aceitar o diferente.(...)"

Por uma questão de estética literária, não cabe nesta crônica transcrever toda a fala de Raina no seu aniversário, mas posso afirmar que a  luta de Rosana não se restringe apenas à sua própria família. Ela se envolveu ativamente em organizações de apoio as pessoas com TEA, compartilhando sua experiência e oferecendo suporte a outras mães atípicas. Sua determinação e dedicação se tornaram uma inspiração para muitos, fortalecendo a comunidade e lutando por uma sociedade mais inclusiva.

Rosana não escolheu a travessia que está trilhando, mas abraçou-a com coragem e determinação. Ela é uma mãe atípica, uma guerreira incansável, que não desiste de lutar pelos direitos das pessoas com autismo. Sua história é um exemplo de força, esperança e amor incondicional. E na qualidade de escritor, por meio desta crônica, imortalizo o amor e dedicação de todas as mães que têm filhos dentro do espectro autista.

Quando olhamos para Rosana e sua filha, vemos a transformação que é possível quando se tem uma mãe que acredita e se dedica totalmente. Elas nos ensinam que o poder do amor e da perseverança pode superar qualquer obstáculo. Rosana continua sua peregrinação, lutando pela inclusão e criando um mundo mais acolhedor para todos. Sua vida é um lembrete poderoso de que todas as mães atípicas são verdadeiras heroínas, capazes de mover montanhas em nome de seus filhos.

Por José Casanova 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

CRÔNICA: Os meninos invisíveis

 

Era uma vez uma cidade escondida nas sombras, que apesar de pequena, a violência e a criminalidade eram constantes. A principal violência era doméstica, como  a maioria das mulheres daquele lugar. Em meio  a esse cenário sombrio, vivia uma criança chamada Lucas, de apenas 11 anos de idade. Vivia a  brincar com o primo José, que todos fazendo uso da lei linguística do menor esforço;  chamava de Zé. Zezinho para a mãe e Zinho para os amigos. O que vem a "Calhar" com sua situação social. Infelizmente, a realidade de ambos era marcada pela pobreza e pela falta de oportunidade.

Lucas e José pertenciam a famílias desestruturadas, onde o desemprego e a escassez de recursos eram suas realidades. O Pai de José, desiludido com a vida, despereceu e sua mãe lutando para sustentar a família, mal conseguia colocar comida na mesa. A situação era desesperadora. Lucas não  era diferente, no entanto, o pai não desperecera, mas vivia mergulhado num  lago açu de bebidas alcoólicas. 

Nesse contexto, Lucas e José encontraram apoio e acolhimento em um lugar inesperado: um traficante local conhecido como Marcelo. Contrariando todas as expectativas, a família de Lucas teve uma conversa franca e decidiu que ele poderia se juntar ao tráfico de drogas, pois era uma forma de garantir o sustento da família e sua própria sobrevivência. Nessa esdruxula negociação,  José foi de brinde.

No começo, José sentia medo, Lucas incerteza afinal, ele era apenas uma criança. Mas, em meio à escuridão, ele  encontrou  uma espécie de família adotiva no ambiente hostil das ruas. Marcelo o traficante, viu neles uma inocência que havia perdido há tempos e decidiu protegê-lo como se fosse seus próprios filhos. Já José, encontrara no traficante o Pai que houvera perdido para o mundo e chegou quase a  amá-lo como se fosse seu pai.

Lucas aprendeu a lidar com o jargão das ruas, a negociar e a sobreviver no meio do crime organizado. Ele se tornou o "garoto de recados", tão rápido quanto um "Avião" responsável por entregar pacotes e mensagens nos pontos de venda de drogas espalhados pela cidade. Apesar dessa  realidade sombria, ele mantinha a sua inocência e  esperança de um dia escapar desse mundo perigoso.  José por sua vez, tornou-se de confiança do "Pai", era uma espécie de espião e passava informações privilegiadas para Marcelo sobre qualquer coisa que pudesse atrapalhar os negócios.

Aos poucos, porém, Lucas começou a questionar sua situação. Ele via o impacto negativo que o tráfico de drogas causava na comunidade. Amigos de infância se perdiam para o vício e a violência se intensificava. Ele sabia que aquele  não era o caminho certo, mesmo que fosse a única forma de sustento para sua família. 

Certa noite, aproximadamente dezenove horas e vinte e cinco minutos,  José fez a  primeira "ronda" da noite, deitou-se na rede em que Marcelo costumava deitar, balançava-se enquanto  assistia televisão, a janela da casa que dava pra rua deixou aberto na expectativa que entrasse eu ventinho, de repente  um homem moreno claro, estatura mediana pra alta, passou a pé na rua e efetuou um disparo de arma de fogo para dentro da residência , atingindo José que estava na rede. Certamente o alvo dos disparos poderia ser Marcelo, já que o mesmo costumava deitar na rede nesse horário.

A notícia choca a cidade e ganha o mundo. No quartel do 15º BPM  o comandante Major Berredo olhava-se no espelho com ar de revolta e preocupação.  O distintivo que indicava sua patente parecia não representar nada nessas horas de dor. Agora de nada valeria questionar o apoio do conselho tutelar, do ministério publico e dos conselhos de assistência social. Cada dia que passava tinha mais certeza que segurança publica começava na família, passava pela escola e terminava numa trabalhos coletivo da sociedade. Tomou um corpo de água, engolido a seco a realidade, ainda mais quando soubera que no velório da criança, comentava-se a bocas pequenas que o tiro que matou José poderia ter sido disparado pelo próprio Marcelo numa suposta briga com a esposa e acabou atingindo a criança.

Depois da morte de José, Lucas sentiu-se sozinho no mundo. Com coragem e determinação, decidiu mudar o rumo de sua vida. Buscou ajuda junto a instituições sociais e encontrou pessoas dispostas a ajudá-lo a abandonar o mundo do crime. Com o apoio  da maçonaria e a colaboração de um programa de proteção às crianças em situação de risco, ele foi afastado do ambiente perigoso onde vivia.

A trajetória de Lucas serve como alerta para as consequências da desigualdade social e da falta de oportunidades. Mostra também a importância de oferecer apoio e soluções concretas para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Afinal, todas as crianças merecem um ambiente seguro e oportunidades de crescimento, independentemente das circunstancia em que nasceram.

Prezado leitor ou leitora, essa é uma história fictícia, mas infelizmente reflete uma realidade que muitas crianças enfrentam em diferentes partes do mundo. É nosso dever como sociedade garantir que todas as crianças tenham acesso a uma vida digna, cercada de amor, proteção e oportunidades de crescimento.

Por José Casanova



domingo, 7 de janeiro de 2024

Bom Lugar é campeão da Copa Maranhão de Futebol

 

A Seleção de Bom Lugar conquista a III Copa Maranhão de Futebol no estádio Valdizão em Lago da Pedra na tarde desta sábado(06). Durante o primeiro tempo a seleção de Miranda do Norte mostrou-se mais ofensiva, mas a equipe de Bom Lugar conseguiu o controle do jogo durante o segundo tempo . Algumas jogadas foram decisivas para a vitória de 1 a 0  sobre a equipe de Miranda do Norte.

A equipe de Bom Lugar foi liderada pelo técnico Moraes, a vitória do campeonato entrou para história de Bom Lugar que levou também, a premiação de 40 mil reais pela conquista. O valor da premiação parecia nada diante da alegria de atletas e torcedores de Bom Lugar, pois o título coloca cidades entre as grandes do esporte maranhense e dá motivação par outras equipes do interior do estado.

A imprensa desportiva da região comenta nos blogs e redes sociais que " o apoio da Prefeita Marlene Miranda foi fundamental para trajetória da  equipe no campeonato, outro fator determinante foi a presença e gestão esportiva do presidente do time, empresário Marcos Miranda, vista como eficaz e visionária" por quem acompanhou a seleção na Copa Maranhão.

Após o jogo da vitória, os atletas acompanhados de Marcos Miranda, foram recepcionados como heróis na cidade de Bom Lugar.