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quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

CRÔNICA DO DIA: A robótica na terra da Bacaba

Um cronista é sobretudo um contador de histórias. No meu caso optei por dar um sabor especial às histórias que passam por mim. Trago para prosa, o famosa pedaço indizível do poema, fazendo das crônicas textos híbridos de ficção e realidade.  Prezados leitores, a história que passo a contar é  de um grupo de adolescentes de escolas públicas da periferia de Bacabal, e digo mais,  é inspiradora. Sob o estímulo e incentivo do professor Rodolfo, esses jovens encontraram na robótica uma oportunidade de se destacar e trilhar caminhos de sucesso.

Não interessa seus nomes, o importante que que mostram o potencial dos jovens da Vila São João, Mutirão, Coelho dias e outros bairros tidos como perigosos na terra da Bacaba.

Inicialmente, a robótica pode ter sido apenas uma atividade extracurricular, mas logo se tornou algo muito maior. Com determinação, esforço e muito trabalho em equipe, esse grupo de adolescentes começou a participar de competições locais, estaduais e até mesmo nacionais. Suas habilidades técnicas, criatividade e capacidade de solucionar problemas destacaram-se perante outras equipes.

Na sociedade capatalista , valoriza-se muuito a iniciativa privada, mesmo sabendo que ela nem sempre oferece os melhsores resultados. É na escola pública que Bcaabal brilha na robótica. A medida que os resultados positivos foram aparecendo, as famílias desses jovens foram surpreendidas. De baixa renda e com poucas oportunidades, a po ssibilidade de participação dos filhos em um evento internacional na Alemanha parecia um sonho distante. No entanto, graças ao esforço coletivo da comunidade escolar, patrocinadores e apoio das autoridades locais, esse sonho corre o  risco de se tornar realidadee.

A hipotsete de ida desses adolescentes para a competição mundial na Alemanha mexeu com a cabeça deles e de suas famílias. Eles se tornaram heróis na percepção dos professores e autoridades, que reconheceram o impacto positivo da robótica como uma ferramenta pedagógica transformadora.

A robótica na escola vai muito além do simples aprendizado técnico. Ela proporciona aos estudantes de Bacabal, o desenvolvimento de habilidades essenciais, como trabalho em equipe, resolução de problemas, pensamento crítico e criatividade. Além disso, a participação em competições estimula a superação de desafios, o aprendizado constante e a busca pela excelência.

Essa história é um exemplo valioso de como a robótica pode ser uma ferramenta pedagógica poderosa, especialmente em comunidades com menos recursos. Ela mostra que, quando os estudantes são incentivados e têm acesso a oportunidades, eles podem alcançar resultados surpreendentes. Esta foi a lição aprendida pela Secretária de educação, professora Rosilda Alves e cada cidadão Bacabalense.

Os adolescentes de Bacabal nos ensinam que não devemos subestimar o potencial dos jovens, independente de sua origem social. Com apoio adequado, eles podem conquistar grandes feitos e abrir novos horizontes para suas vidas, e ao mesmo tempo, inspirar outras crianças e adolescentes a seguirem seus próprios sonhos.

A conquista desses jovens é uma celebração da determinação, resiliência e perseverança. Além disso, evidencia a importância de investir na educação para promover a inclusão e proporcionar oportunidades iguais a todos os estudantes.

Por José Casanova

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

CRÔNICA: Os meninos invisíveis

 

Era uma vez uma cidade escondida nas sombras, que apesar de pequena, a violência e a criminalidade eram constantes. A principal violência era doméstica, como  a maioria das mulheres daquele lugar. Em meio  a esse cenário sombrio, vivia uma criança chamada Lucas, de apenas 11 anos de idade. Vivia a  brincar com o primo José, que todos fazendo uso da lei linguística do menor esforço;  chamava de Zé. Zezinho para a mãe e Zinho para os amigos. O que vem a "Calhar" com sua situação social. Infelizmente, a realidade de ambos era marcada pela pobreza e pela falta de oportunidade.

Lucas e José pertenciam a famílias desestruturadas, onde o desemprego e a escassez de recursos eram suas realidades. O Pai de José, desiludido com a vida, despereceu e sua mãe lutando para sustentar a família, mal conseguia colocar comida na mesa. A situação era desesperadora. Lucas não  era diferente, no entanto, o pai não desperecera, mas vivia mergulhado num  lago açu de bebidas alcoólicas. 

Nesse contexto, Lucas e José encontraram apoio e acolhimento em um lugar inesperado: um traficante local conhecido como Marcelo. Contrariando todas as expectativas, a família de Lucas teve uma conversa franca e decidiu que ele poderia se juntar ao tráfico de drogas, pois era uma forma de garantir o sustento da família e sua própria sobrevivência. Nessa esdruxula negociação,  José foi de brinde.

No começo, José sentia medo, Lucas incerteza afinal, ele era apenas uma criança. Mas, em meio à escuridão, ele  encontrou  uma espécie de família adotiva no ambiente hostil das ruas. Marcelo o traficante, viu neles uma inocência que havia perdido há tempos e decidiu protegê-lo como se fosse seus próprios filhos. Já José, encontrara no traficante o Pai que houvera perdido para o mundo e chegou quase a  amá-lo como se fosse seu pai.

Lucas aprendeu a lidar com o jargão das ruas, a negociar e a sobreviver no meio do crime organizado. Ele se tornou o "garoto de recados", tão rápido quanto um "Avião" responsável por entregar pacotes e mensagens nos pontos de venda de drogas espalhados pela cidade. Apesar dessa  realidade sombria, ele mantinha a sua inocência e  esperança de um dia escapar desse mundo perigoso.  José por sua vez, tornou-se de confiança do "Pai", era uma espécie de espião e passava informações privilegiadas para Marcelo sobre qualquer coisa que pudesse atrapalhar os negócios.

Aos poucos, porém, Lucas começou a questionar sua situação. Ele via o impacto negativo que o tráfico de drogas causava na comunidade. Amigos de infância se perdiam para o vício e a violência se intensificava. Ele sabia que aquele  não era o caminho certo, mesmo que fosse a única forma de sustento para sua família. 

Certa noite, aproximadamente dezenove horas e vinte e cinco minutos,  José fez a  primeira "ronda" da noite, deitou-se na rede em que Marcelo costumava deitar, balançava-se enquanto  assistia televisão, a janela da casa que dava pra rua deixou aberto na expectativa que entrasse eu ventinho, de repente  um homem moreno claro, estatura mediana pra alta, passou a pé na rua e efetuou um disparo de arma de fogo para dentro da residência , atingindo José que estava na rede. Certamente o alvo dos disparos poderia ser Marcelo, já que o mesmo costumava deitar na rede nesse horário.

A notícia choca a cidade e ganha o mundo. No quartel do 15º BPM  o comandante Major Berredo olhava-se no espelho com ar de revolta e preocupação.  O distintivo que indicava sua patente parecia não representar nada nessas horas de dor. Agora de nada valeria questionar o apoio do conselho tutelar, do ministério publico e dos conselhos de assistência social. Cada dia que passava tinha mais certeza que segurança publica começava na família, passava pela escola e terminava numa trabalhos coletivo da sociedade. Tomou um corpo de água, engolido a seco a realidade, ainda mais quando soubera que no velório da criança, comentava-se a bocas pequenas que o tiro que matou José poderia ter sido disparado pelo próprio Marcelo numa suposta briga com a esposa e acabou atingindo a criança.

Depois da morte de José, Lucas sentiu-se sozinho no mundo. Com coragem e determinação, decidiu mudar o rumo de sua vida. Buscou ajuda junto a instituições sociais e encontrou pessoas dispostas a ajudá-lo a abandonar o mundo do crime. Com o apoio  da maçonaria e a colaboração de um programa de proteção às crianças em situação de risco, ele foi afastado do ambiente perigoso onde vivia.

A trajetória de Lucas serve como alerta para as consequências da desigualdade social e da falta de oportunidades. Mostra também a importância de oferecer apoio e soluções concretas para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Afinal, todas as crianças merecem um ambiente seguro e oportunidades de crescimento, independentemente das circunstancia em que nasceram.

Prezado leitor ou leitora, essa é uma história fictícia, mas infelizmente reflete uma realidade que muitas crianças enfrentam em diferentes partes do mundo. É nosso dever como sociedade garantir que todas as crianças tenham acesso a uma vida digna, cercada de amor, proteção e oportunidades de crescimento.

Por José Casanova



domingo, 27 de novembro de 2022

Crônica: O Dia em que a Tia Preta parou

 

Sou desses boêmios mais observadores  que etílicos. Gosto de degustar a noite na terra da Bacaba como se fosse o ultimo dia de minha vidas. Sou avesso  à informação, não me dizem nada a não sei o que já sei. E só “sei que nada sei”. Depois de ter tomado todas num bar pouco frequentado na Avenida Mearim, me desloquei para BR 316 , agora muito bem iluminada com canteiros coloridos.

Desde o principio da minha jornada achei estranho. O número de usuários de drogas ilícitas, por que as lícitas os “cidadãos de bem” usam como se fossem agua, havia aumentado e diminuíam quanto mais me aproximava da Tia Preta. A Tia Preta não é um Bar, mas uma família de restaurantes populares que pensam ser um clube dançante.

Lá é o point da madrugada, quando os “cidadãos de bem”, esquecem que são casados e vão em busca de “afogar o ganso” numa fuga semanal da rotina caseira, mesmo que no setor só se ofereça comida caseira.

Estranho! Não ouço o som da música nem sempre bem tocada, mas que agrada aos ouvidos. O esquema não estava lá, os músicos talvez estivem em outros... esquemas.

As mulheres de cheiro barato também não estavam lá. Nem mesmo as  senhoras com 60 anos ou mais com suas maquiagens estranhas e roupas de periguetes novinhas, também não estavam lá.

A Garçonete mau vestida da qual sempre comprava uma cerveja fiado por semana, também não estava lá.

O homem de lata, uma figura exótica em situação de rua, também não estava lá. O moto taxi clandestino que já sabia a hora de me levar pra casa, também não estava lá.

Os repórter policias que iam à Tia Preta em busca de noticia, também não estavam lá.

No Fuzuê havia um zum-zum-zum, eram os frequentadores do lugar que expressavam seu amor pelo novo Delegado da cidade que resolveu não expedir a licença para  realização da tradicional festa do caipirinha.

Com essa deu até vontade de tomar uma caipirinha, dessas bem brasileiras com cheiro do Mearim. Será o Benedito? Não Dr. Benedito não faria uma coisas dessas, ele também é cliente do lugar, afinal depois da meia noite o local é frequentado por gente da “melhor qualidade”

O fato é que o novo delegado, dentro da lei é claro, fez toda uma cadeia produtiva da cultura parar, com isso consegue também diminuir o índice de violência, bebedeira descontrolada, prostituição e circulação de drogas. Coisas que fazem parte do cotidiano da vida e que passam despercebidas pelas pessoas envolvidas na matrix.

É dentro da lei também que essas mesmas pessoas, na falta de outra ocupação, tiram dessas atividades nem sempre tão dignas, o sustento de suas famílias. Aí está a outra face da moeda. E agora José? E agora Maria? Que fazer?

Nos senadinhos da cidade já se comenta que o delegado não ficará muito tempo , nada mau num estado onde as autoridades comemoram a transferência para capital como uma promoção. O fato é que em cidade pequena a vida continua pequena, um jogo de cartas marcadas onde não há vencedores. Não aprendemos que a realização de festas exige o mínio de segurança, principalmente quando parte dos frequentadores não inspiram confiança.

Quer saber de uma coisa? Vocês que são brancos que se entendam. Esse angu tem muito caroço.  E não adianta vir atrás de mim. Não concedo entrevistas. A minha lei sou eu que faço.  Como amigo leitor? Quem sou eu? Eu sou você que critica a “Tia Preta” e vai pra lá depois da meia noite...