Associação de Mulhere e Mães de Autistas do Maranhão se Reúne em Bacabal

Mães atípicas se sentem valorizadas pela entidade

Pedreiras, Lima Campos e Trizidela do Vale são premiados com Selo de Referência em Atendimento pelo Sebrae

A Sala de Pedreiras ganhou Selo Ouro

Programa Saúde Ocular Beneficia Cerca de 200 Crianças em Bacabal

Programa é uma parceria entre as secretarias de Educação e Saúde

Sessão Solene na Câmara Municipal de Bacabal Celebra o Dia Internacional da Mulher

Vereadoras Nathália Duda e Regilda Santos conduzem Sessão Solene

domingo, 19 de maio de 2024

CRÔNICA DO DIA: Um Caloroso Confronto Policial

Numa movimentada tarde de Sexta-feira, os olhares curiosos dos transeuntes na BR 316 eram atraídos para a cena que se desenrolava em frente à delegacia regional na Terra da Bacaba. Um homem de meia-idade, cabelos desalinhados e semblante exasperado, era conduzido pelos policiais, acusado de violência doméstica e embriaguez ao volante. Seu nome era Edvaldo, e o calor escaldante da tarde parecia intensificar ainda mais a sua irritação. Estava a sentir o peso que tem as mãos delicadas de Maria da Penha.
Enquanto os repórteres em seu Plantão Veneno se aglomeravam em torno da viatura policial, feito urubus em cima da carniça, ávidos por captar qualquer palavra que escapasse dos lábios de Edvaldo, este não perdeu a oportunidade de expressar sua insatisfação com a situação.
- Fala de boa com Romarinho cidadão. – Insistiu um Repórter.
- Isso é um absurdo! – Exclamou Edvaldo.
_ O que aconteceu? – Indagou Ray, repórter que exibia uma exuberante barriga com ares de advogado.
- Eu não mereço ser transportado como um criminoso por causa de uma briga de casal e uns goles a mais! – Gritava Edvaldo muito revoltado.
_ Calma meu bixim! – Pediu Samuel David com sua cara de anjo barroco.
- E olha só essa viatura meu Bixim , nem ar-condicionado tem! Estou suando como se estivesse num sauna! – Reclamava Edvaldo com um misto de indignação e desconforto.
Desconfortável mesmo estava o relacionamento de Edvaldo com sua mulher Sandra, o amor perdera o encanto devido a postura pouco ética de Edvaldo que achava-se no direito de traí-la sem a mínima compostura, fazia questão que a companheira soubesse de suas aventuras fora do casamento. Cansada de ouvir calada, Sandra tomou a atitude de denunciar o marido violento à Patrulha Maria da Penha. Talvez isso tenha salvo sua vida.
Os policiais, acostumados com as diferentes reações dos detidos, mantinham a calma diante das irônicas lamúrias de Edvaldo. Um deles, o sargento Silva, tentava acalmar os ânimos do homem exaltado.
- Compreendemos sua frustração, senhor Edvaldo, mas é importante que coopere conosco.– Disse Sargento Silva bem sério.
- Mas Sargento, eu sou um homem trabalhador.- Apela Edvaldo- Isso não lhe dá o direito de bater em mulher. Além do mais , mossa prioridade é garantir a segurança de todos os envolvidos, inclusive a sua. – afirmou Sargento Silva quase de irritando com o conduzido!
- Mas o ar da viatura não presta, tanto imposto que a gente paga e quando vai preso é desse jeito. -– Insistiu Edvaldo em sua irônica reclamação.
- Quanto ao ar-condicionado, infelizmente temos que nos contentar com o que temos. - Explicava o sargento, em tom conciliador, mas no fundo queria mesmo dá uma boa Cream Craker naquele elemento neutro da multiplicação.
Enquanto o tumulto se desenrolava, um pequeno grupo de curiosos comentava a situação, misturando-se em meio aos flashes das câmeras e aos microfones estendidos em direção a Edvaldo.um dos repórter fazia uma Live que era acompanhada por dezenas de pessoas que comentavam com “kkkkkkkkkkk”

#Coitado desse homem, deve estar mesmo sofrendo com esse calor todo dentro da viatura.

# Manda ele pro Rio Grande do Sul.

#Mas não pode reclamar, né? Se meteu em confusão, agora tem que aguentar as consequências -Opinava uma senhora de meia-idade, com ar de superioridade.

Enquanto isso, Edvaldo continuava a desabafar para quem quisesse ouvir, protestando veementemente contra a falta de conforto na viatura policial. Seus argumentos, embora permeados por um misto de revolta e ironia, não deixavam de ressaltar o lado humano por trás daquela situação inusitada.
_ Meus amigos isso é um absurdo, um camburão sem ar-condicionado, os Policia nem pode prender a gente direito, eles merecem melhor condições de trabalho e aumento salarial acima da inflação. – Desabafou Edvaldo para as câmaras dos repórteres de plantão.
E assim, entre reclamações sobre o calor sufocante e críticas à ausência de ar-condicionado na viatura policial, a B.O de Eduardo parecia se desenrolar em uma trama improvável, onde os elementos do cotidiano se mesclavam de forma singular, revelando a complexidade das emoções e das circunstâncias que moldam as experiências humanas.

Por José Casanova
professor, Jornalista e escritor membro das 
Academia Bacabalense de Letras e
Academia Mundial de Letras da Humanidade  

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Recorte racial no autismo

 Abril do autismo. Abril da conscientização. Abril de combate ao capacitismo. Abril anticapacitista. Abril de combate ao racismo. Abril antirracista. Abril de respeito às diferenças. Abril de lutas por garantias de direitos,mostrando desigualdades e consequentemente promovendo inclusão. 

Tratando-se do recorte racial no autismo que é estrutural ainda é pouco evidenciado. Sendo um tanto "esquecido".Refletindo o racismo estrutural da sociedade brasileira.
Uma vez que, pessoas negras autistas constituem a maior parte da comunidade autista e mesmo assim são inviabilizadas, sem as mesmas terem acesso à ações efetivas da esfera pública que atendam os direitos básicos, atrelando-se a falta de informação e vulnerabilidade.
Assim, como seria tratada uma criança autista negra em crise num espaço público ou privado? Bem como, uma pessoa adulta negra? Seriam tratados da mesma forma que crianças e autistas adultos brancos? Constatações já mostraram que os tratamentos seriam diferenciados, tendo em vista, a condição financeira de pessoas negras autistas. Destarte, os esteriótipos sociais que destacam predominantemente pessoas autistas brancas.
Além disso, o CDC ( Centro de Controle de Doenças e Prevenção) , aponta que as crianças brancas brancas são mais identificadas com o autismo do que crianças negras em razão de diversos fatores. Ademais, a dificuldade de acesso ao diagnóstico e tratamento das pessoas autistas negras não é somente devido à condição financeira, mas também, a falta de oferta de profissionais qualificados  e equipe multidisciplinar por parte do Poder Público.
Percebendo-se um significativo atraso no diagnóstico de pessoas autistas negras ou até a falta de acesso a esse diagnóstico.Tampouco, tratamentos necessários  e imprescindíveis.
Analogamente, autistas  ciganos, indígenas e quilombolas são invisibilizados e consequentemente desumanizadas à maneira das pessoas autistas negras que precisam "mascararem" as suas condições para que possam ser aceitas socialmente. Inclusive, numa tentativa de diminuírem um risco real de sofrerem violências. 
Enfatizando-se que fazer recorte racial no autismo não é "mimimi".Também, não é desejar que pessoas autistas brancas sejam alijadas dos seus direitos num contexto de assegurar e garantir direitos humanos para todos(as) diante de uma sociedade democrática que visa a inclusão. 
Por conseguinte, as desigualdades socieconômicas e as ausências de efetivas políticas públicas evidenciam que no autismo se faz necessário debate racial, numa perspectiva anticapacitista e antirracista.

Antonio David Filho da Silva Morais(David Morais)
Adulto Autista e Ativista
Anticapacitista e Antirracista