A UNEGRO APOIA O BLOG DIÁRIO DO MEARIM

PONHA AQUI A PROPAGANDA DE SUA EMPRESA

Roberto Costa é eleito presidente da FAMEM para o biênio 2025/2026

FAMEN coloca Bacabal e Roberto Costa em evidência

Flamengo pode ter mudança diante do Bangu em São Luís

Técnico Cléber do Santos pode apostar em trio de ataque nesta noite no Castelão.

Sessão Solene na Câmara Municipal de Bacabal Celebra o Dia Internacional da Mulher

Vereadoras Nathália Duda e Regilda Santos conduzem Sessão Solene

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

CRÔNICA DO DIA: Reunião dos Pais

Na Escola Municipal Poeta Samuel Barreto, em Pedreiras, reunião de pais nunca foi exatamente uma reunião. Era mais parecido com sessão da Câmara, programa de auditório e julgamento de tribunal, tudo ao mesmo tempo. Naquela terça-feira, às seis da tarde, a diretora, dona Marinalva, já estava na porta da sala dos professores segurando uma pasta azul, três folhas de frequência e a pouca paciência que ainda lhe restava.

A pauta da reunião era simples de explicar e difícil de resolver: havia alunos do 6º e do 7º ano que ainda apresentavam sérias dificuldades de leitura e escrita. Dona Marinalva pediu silêncio.

— Boa noite a todos. Chamamos os senhores responsáveis porque precisamos conversar sobre a aprendizagem dos nossos alunos.

Do fundo da sala, seu Raimundo, pai de Wescleyson, levantou a mão.

— Diretora, antes de começar, tem café?

— Tem ali na mesa. – Respondeu a diretora.

— Então pode continuar.

A professora de Português, dona Cláudia, começou a apresentar os dados.

— Temos estudantes no 6º ano que ainda não conseguem ler pequenos textos com fluência. Outros têm dificuldade para escrever frases completas.

A mãe de Juninho, dona Socorro, arregalou os olhos:

— Mas como assim não sabe ler? Meu menino passa o dia no celular!

A professora respirou fundo.

— Justamente, dona Socorro. Ele lê mensagens?

— Não. Ele manda áudio.

A coordenadora pedagógica, professora Lúcia, tentou não rir.

— E quando recebe mensagem escrita?

— Manda áudio perguntando o que foi que a pessoa escreveu.

Nesse momento, algumas mães começaram a cochichar. Seu João não conseguiu segurar uma gaitada.  Seu Raimundo resolveu participar novamente.

— No meu tempo era diferente. A gente aprendia na base da cartilha, da tabuada e do medo. – Afirmo Raimundo.

— Medo de quê? — Perguntou a professora.

— Da professora com a  Palmatória.

Dona Cláudia ajeitou os óculos.

— Hoje a educação trabalha com outros princípios.

— Pois esses princípios tão muito tranquilos .— Respondeu seu Raimundo. — Porque o Wescleyson não tem medo nem de mim!

Foi então que entrou dona Creuza, avó de uma aluna do 7º ano. A sala inteira se virou. Dona Creuza tinha aproximadamente sessenta e muitos anos, embora afirmasse ter cinquenta e dois desde 2010. Chegou com uma calça tão apertada que parecia ter sido pintada, uma blusa cheia de brilho, salto alto e um perfume que entrou na sala uns três segundos antes dela. Atrás vinha dona Neide, outra avó, usando óculos escuros, apesar de já ser noite. A coordenadora perguntou:

— Dona Neide, está tudo bem com seus olhos?

— Tá, minha filha. É estilo.

As duas sentaram na primeira fila. Uma mãe comentou baixinho:

— Rapaz, as avós estão mais periguetes  que as netas.

Dona Creuza ouviu.

— Minha filha, envelhecer é obrigatório. Se acabar, não.

Dona Neide completou:

— Eu vim pra reunião, não pro velório.

A diretora bateu a caneta na mesa.

— Gente, vamos voltar à pauta.

A professora Cláudia mostrou uma atividade feita pelos alunos.

— Pedi que eles escrevessem uma pequena redação sobre a família.

Dona Socorro ficou animada.

— Juninho falou de mim?

A professora consultou a folha.

— Falou.

— O que ele escreveu? – Quis saber dona Socorro.

A professora hesitou.

— “Minha mãe é uma pessoa muito legal.”

Dona Socorro sorriu.

— Tá vendo?

— Só que ele escreveu “minha mãe é uma peçoa muito legau”. – Respondeu a professora escrevendo a frase no quadro branco.

O sorriso desapareceu.

— Aí já é culpa da escola. Foi o suficiente. Começou o temporal.

— A escola tem que ensinar! — Falou a mãe do Allafy.

— Professor hoje não quer mais Trabalhar! — Exclamou a vó de Débora.

— No nosso tempo a gente aprendia! – Afirmou o pai de João Pedro.

— Meu filho tira nota boa no TikTok! – Disse a mãe de kairon.

— O meu sabe mexer em celular melhor do que eu!  — Gabou-se a vó de Pedro Henrique.

A professora Cláudia levantou a voz.

— Pais, nós estamos ensinando! Mas a educação precisa continuar em casa.

Seu Raimundo cruzou os braços:

— Professora, eu trabalho o dia inteiro.

— Eu também. — Respondeu dona Socorro.

Dona Creuza levantou a mão.

— Eu posso ajudar minha neta.

A professora sorriu.

— Ótimo, dona Creuza. A senhora costuma ler com ela?

— Leio.

— Que tipo de texto?

— Comentário de Facebook.

A coordenadora colocou a mão na testa. Dona Creuza continuou:

— E vou lhe dizer uma coisa: tem comentário que precisa de três professores de Português e um advogado pra entender.

A sala caiu na gargalhada. Depois de alguns minutos, a diretora conseguiu reorganizar a reunião.

— Vamos procurar soluções. A escola está propondo um projeto de reforço de leitura e escrita.

A professora Lúcia apresentou as ideias:

— Teremos oficinas de leitura, produção de texto, jogos de palavras, biblioteca itinerante e acompanhamento individual dos alunos com mais dificuldade.

Dona Neide levantou a mão.

— Pode botar competição?

— Como assim?

— Quem ler mais ganha prêmio.

Seu Raimundo gostou.

— Boa! – Exclamou seu Raimundo.

A professora perguntou:

— Que tipo de prêmio?

Dona Neide pensou.

— Um celular.

— Dona Neide, estamos tentando justamente diminuir o tempo de tela.

— Então dê um celular sem internet.

Dona Creuza deu outra ideia:

— Podia fazer um grupo de leitura com os pais também.

A diretora ficou surpresa.

— Excelente ideia!

— Mas tem que ser de manhã.

— Por quê?

— Porque de noite eu tenho meus compromissos.

Ninguém perguntou quais eram. A professora Cláudia aproveitou o momento de boa vontade coletiva.

— Podemos criar também o “Quinze Minutos de Leitura em Família”. Todos os dias, pais, mães, avós ou responsáveis leem com as crianças por quinze minutos.

Seu Raimundo arregalou os olhos.

— Todo dia?

— Todo dia.

— Nem academia exige tanto compromisso.

Dona Socorro reclamou:

— Lá em casa só tem Bíblia, conta de energia e manual da geladeira.

— Pode começar pela Bíblia. — Sugeriu a professora.

— A conta de energia também é boa. — Disse seu Raimundo. — Quando vem alta, a pessoa lê umas dez vezes tentando acreditar.

A reunião começou, finalmente, a produzir alguma coisa. Ficou decidido que a escola faria reforço duas vezes por semana, os professores enviariam atividades simples para casa e as famílias participariam de momentos de leitura. Quando todos já estavam mais calmos, a diretora resolveu encerrar.

— Antes de irmos embora, quero agradecer a presença de todos. Sei que houve discussões, mas saímos daqui com propostas importantes.

Nesse instante, um menino apareceu na porta. Era Juninho.

— Mãe, bora?

Dona Socorro estranhou.

— Menino, como tu sabia que eu tava aqui?

Juninho mostrou o celular.

— A escola mandou mensagem.

Dona Socorro olhou para a tela.

— E tu leu?

— Não. Pedi pra inteligência artificial ler pra mim.

A sala ficou em silêncio. A professora Cláudia fechou os olhos. A diretora sentou novamente. Seu Raimundo pegou outro copo de café. Dona Creuza ajeitou o cabelo e perguntou:

— Essa inteligência artificial dá aula particular?

A coordenadora respirou fundo.

— Gente… acho que vamos precisar marcar outra reunião.

Seu Raimundo levantou-se imediatamente.

— Tem café?

— Vai ter. – Respondeu  diretora

— Então eu venho.

E foi assim que terminou a reunião de pais da Escola Poeta Samuel Barreto: ninguém saiu sabendo exatamente de quem era a culpa, mas todos saíram sabendo que, na semana seguinte, começaria o projeto de leitura. E dona Creuza saiu com uma missão especial.

Na porta, ela pegou emprestado um livro infantil da biblioteca.

A professora sorriu.

— Vai ler com sua neta?

— Vou.

— Que ótimo!

Dona Creuza colocou os óculos escuros, mesmo sendo quase oito da noite.

— Mas primeiro vou ler sozinha.

— Por quê?

Ela olhou para a professora e respondeu:

— Porque se a menina perguntar o significado de alguma palavra e eu não souber, perco minha autoridade.

E saiu pelo corredor desfilando com o livro debaixo do braço, provando que, naquela escola, quem precisava aprender a ler melhor talvez não fossem apenas os alunos. Na parede em um quadro grande, a foto de Poeta Samuel  Barreto piscou o olho esquerdo e sorriu se divertindo com a situação.

 José Casanova

 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Bacabal: Roberto Costa homenageia garis durante Desfile Cívico da Independência

 

A Avenida Getúlio Vargas, em Bacabal, foi tomada por cores, música, história e emoção durante o Desfile Cívico da Independência de 2026. Reunindo mais de 3 mil participantes, a programação celebrou a Independência do Brasil e apresentou ao público diferentes aspectos da educação, da cultura e da identidade do município.

Com o tema “Bacabal: és futuro, és progresso, és viver!”, verso do Hino de Bacabal, o desfile contou com a participação de estudantes, bandas e fanfarras, instituições parceiras, forças de segurança e três escolas militares.

Um dos grandes destaques da programação foi a presença, pela primeira vez, das duas escolas militares municipais implantadas pela gestão do prefeito Roberto Costa em 2026. Juntas, as instituições levaram mais de mil estudantes para a avenida, contribuindo para ampliar a dimensão do evento.

Prefeito veste uniforme de gari e participa da homenagem

Entre os momentos que mais chamaram a atenção do público esteve a homenagem aos profissionais responsáveis pela limpeza pública do município.

Vestido com o uniforme de gari, o prefeito Roberto Costa acompanhou o pelotão formado pelos trabalhadores e destacou a importância daqueles que atuam diariamente para manter Bacabal limpa e organizada.

“O desfile foi lindo, mas ter vindo com a nossa turma da limpeza pública foi um show à parte. Essa homenagem que nós fizemos, de uma forma muito especial, ao nosso pessoal da limpeza pública, que ajuda a nossa cidade de manhã, de tarde, de noite e de madrugada, limpando a cidade. É um trabalho digno, que merece todas as nossas homenagens e todo o respeito a esses colaboradores, que são tão importantes na vida da nossa população”, afirmou.

A iniciativa também chamou a atenção de quem acompanhava o desfile. Para a estudante universitária Maria Clara, a presença do prefeito junto aos garis ajudou a valorizar uma categoria que, muitas vezes, passa despercebida no cotidiano.

“Eu achei muito legal o prefeito estar junto com os garis. Muitas vezes a gente nem para reconhecer o trabalho deles, mas eles são muito importantes para a cidade”, declarou.

A aposentada Eurides da Silva destacou a emoção de acompanhar a programação.

“Eu amei. Meu filho está aqui e está tudo muito lindo e bem organizado. Fiquei emocionada vendo tudo isso hoje”, contou.

Cultura e identidade de Bacabal na avenida

O desfile também apresentou quatro alegorias temáticas, personagens vivos, figurinos autorais e diferentes elementos cênicos. As representações levaram para a Avenida Getúlio Vargas referências à educação, à cultura e à identidade de Bacabal.

A proposta transformou a avenida em um grande palco a céu aberto, reunindo diferentes gerações em uma celebração que ultrapassou o caráter tradicional do desfile cívico.

Entre as instituições participantes estiveram a Banda Santa Cecília, APAE, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Bombeiros Mirins, Igreja Adventista, Colégio Militar do Estado e Banda Doxa, da Assembleia de Deus, além das escolas e demais instituições envolvidas na programação.

Solidariedade à família de Ágatha e Allan

Outro momento de forte emoção foi a participação de Clarice Cardoso, mãe de Ágatha e Allan, crianças desaparecidas desde 4 de janeiro, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos.

Clarice acompanhou o desfile e recebeu manifestações de apoio do público durante a passagem da escola da comunidade quilombola.

Durante a programação, Roberto Costa reafirmou seu apoio à família e destacou as providências adotadas para ampliar as possibilidades de localização das crianças.

“Não poderíamos deixar de estar ao lado da Clarice, mãe da Ágatha e do Allan, e de toda a comunidade do Quilombo São Sebastião dos Pretos nessa luta para encontrar nossas crianças. Diante da recente operação internacional que resgatou 163 crianças, solicitei à Polícia Federal e à Interpol a checagem das fotos e dos dados da Ágatha e do Allan, para que nenhuma possibilidade seja descartada”, afirmou.

O prefeito também deixou uma mensagem de esperança à família.

“Clarice, não perdemos a esperança. Estamos com você e continuaremos fazendo tudo que estiver ao nosso alcance para encontrar Ágatha e Allan”, declarou.

Ao reunir educação, cultura, civismo, participação popular e homenagens a trabalhadores que fazem parte da rotina da cidade, o Desfile da Independência de 2026 encerrou a programação deixando na Avenida Getúlio Vargas uma celebração marcada não apenas pelos símbolos nacionais, mas também por personagens e histórias que fazem parte da vida de Bacabal.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

CRÔNICA DO DIA - EDUCAÇÃO EM FOCO: Por que meu filho não sabe ler?


— Professora, meu filho tem sete anos e ainda não sabe ler. O que eu faço?

A pergunta chegou à escola Rosimeire Torres Nunes em Alto Alegre do Maranhão como tantas outras chegam todos os dias a milhares de escolas do Brasil: carregada de preocupação, culpa e, muitas vezes, de uma esperança silenciosa de que alguém encontre uma resposta rápida para um problema que levou anos para se formar. A professora respirou fundo. Não era apenas aquele menino. Havia outros. Crianças no 6º ano do Ensino Fundamental que ainda tropeçavam nas palavras. Algumas liam muito devagar; outras apenas decifravam sílabas. Havia aquelas que reconheciam algumas letras, mas não conseguiam juntar os sons para formar uma palavra.

E havia casos ainda mais dolorosos: alunos que mal conseguiam escrever o próprio nome. Então surge a pergunta que ninguém deveria fazer apenas ao professor: Como uma criança chega ao 6º ano sem saber ler e escrever?
E surge outra, ainda mais incômoda: Onde estávamos todos enquanto isso acontecia?
A escola estava lá. O professor estava lá. Mas será que a família estava? E as políticas públicas? E os sistemas de ensino? E as avaliações? E a sociedade, que tantas vezes se lembra da escola apenas quando os números aparecem nas manchetes? Talvez o primeiro erro seja procurar um único culpado. Alfabetizar uma criança é uma responsabilidade compartilhada.
A escola tem uma responsabilidade pedagógica incontornável: precisa ensinar. A família tem o dever de acompanhar, estimular, conversar, ler, perguntar e participar da vida escolar. O poder público precisa garantir condições de trabalho, formação docente, materiais, acompanhamento e políticas de recomposição das aprendizagens. E a própria sociedade precisa parar de tratar a alfabetização como uma tarefa que termina na porta da escola.

A situação brasileira não é apenas uma impressão de professores cansados. O próprio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) estabeleceu, a partir da Pesquisa Alfabetiza Brasil, um padrão nacional para identificar a criança alfabetizada ao final do 2º ano do Ensino Fundamental. A política nacional atual estabelece como meta que todas as crianças estejam alfabetizadas até o final dessa etapa, ao mesmo tempo em que prevê a recomposição das aprendizagens daqueles que ficaram para trás.

Isso é importante porque revela algo que o professor dos anos finais já sabe há muito tempo: a criança que chega ao 6º ano sem dominar a leitura e a escrita não pode simplesmente ser tratada como se tivesse começado a ter dificuldades naquele ano. Ela traz uma história.




Talvez tenha faltado acompanhamento na Educação Infantil. Talvez tenha passado pelos primeiros anos sem uma intervenção adequada. Talvez tenha faltado diagnóstico. Talvez tenha enfrentado problemas sociais, emocionais ou familiares. Talvez tenha tido muitas faltas. Talvez tenha mudado várias vezes de escola. Talvez tenha tido professores sobrecarregados. Talvez a escola tenha percebido o problema, mas não tenha encontrado recursos para enfrentá-lo.

Talvez tenham acontecido várias dessas coisas ao mesmo tempo.

É justamente por isso que culpar somente o professor é injusto.

Mas culpar somente a família também é.

Há, sim, famílias ausentes. Famílias que não acompanham as tarefas, não participam das reuniões, não perguntam o que o filho aprendeu, não verificam se a criança está lendo ou sequer sabem em que ano escolar ela está. Isso precisa ser dito.





Uma criança precisa de adultos que se interessem por sua aprendizagem.

Não é necessário ter uma biblioteca em casa. Não é necessário ser especialista em pedagogia. Não é necessário saber explicar fonema, grafema ou consciência fonológica. Às vezes, acompanhar começa com perguntas muito simples: "Que história você leu hoje?" "Mostre-me seu caderno." "Vamos ler juntos?" "Como foi sua aula?" "Que palavra nova você aprendeu?"

O problema é que, em muitas casas, a escola virou uma espécie de serviço terceirizado da educação dos filhos. Entrega-se a criança pela manhã e espera-se que a escola devolva, alguns anos depois, um leitor competente.

Mas educação não funciona como lavanderia. Não se entrega uma criança e se busca uma criança alfabetizada. A criança precisa ser acompanhada durante o processo. Você acompanha prendizagem do seu filho?

Entretanto, também precisamos tomar cuidado com o discurso fácil de que "a culpa é dos pais que não acompanham" Há famílias que não acompanham porque não sabem como acompanhar. Há famílias em situação de vulnerabilidade social. Há pais que trabalham o dia inteiro. Há adultos que também não tiveram oportunidades educacionais. Há famílias que desejam ajudar, mas não compreendem as dificuldades pedagógicas da criança. Por isso, a escola precisa aproximar, orientar e acolher, não apenas acusar.




A pergunta não deve ser somente "onde está a família?", mas também:

"Como a escola pode trazer essa família para perto?" E há ainda uma pergunta dirigida ao sistema educacional: "Por que esperamos o 6º ano para perceber que uma criança não consegue ler?"

Essa talvez seja a pergunta mais importante de todas. Se uma criança chega ao final do 2º ano sem estar alfabetizada, o problema precisa ser identificado imediatamente. Não podemos esperar que ela chegue ao 4º, ao 5º ou ao 6º ano para então descobrir que não consegue compreender um pequeno texto.

O próprio Inep estabelece que a avaliação deve produzir subsídios para o diagnóstico e para a recomposição das aprendizagens dos estudantes que não alcançaram o nível adequado de alfabetização.
bIsso significa que não basta avaliar.É preciso avaliar para agir.

E agir significa conhecer exatamente onde está a dificuldade. A criança não lê? Mas por quê? Ela reconhece as letras? Relaciona letras e sons? Consegue ler palavras simples? Consegue ler frases? Compreende aquilo que lê? Consegue escrever palavras? Consegue produzir uma frase? Consegue escrever uma pequena história? Cada resposta aponta para uma intervenção diferente. É aqui que o professor dos anos finais enfrenta um dos maiores desafios de sua carreira.

Imagine receber uma turma de 6º ano planejada para trabalhar gêneros textuais, interpretação, literatura, produção de texto e conteúdos específicos de Língua Portuguesa e descobrir que a maioria dos estudantes ainda não conseguem ler uma frase com autonomia.

O professor precisa ensinar o conteúdo previsto para a série e, ao mesmo tempo, reconstruir aprendizagens que deveriam ter sido consolidadas anos antes.

É como pedir a alguém que construa o segundo andar de uma casa enquanto o primeiro ainda está sem paredes. Não significa abandonar o aluno. Significa reconhecer que ele precisa de uma intervenção diferente.




Nesse ponto, as contribuições de Magda Soares continuam fundamentais. A pesquisadora defendia que alfabetização e letramento precisam caminhar juntos: a criança precisa apropriar-se do sistema de escrita, mas também precisa aprender a utilizar a leitura e a escrita em práticas sociais significativas. Estudos recentes sobre sua obra destacam justamente a importância de um ensino planejado e sistemático da escrita alfabética, articulado às práticas de leitura e produção textual.

Isso nos ajuda a compreender que não basta colocar um livro na mão da criança e dizer: "Leia." Também não basta pedir: "Copie." Copiar não significa necessariamente escrever. Decifrar algumas palavras não significa necessariamente compreender um texto. E saber repetir o alfabeto não significa estar alfabetizado.


A alfabetização precisa ser ensinada de maneira intencional, sistemática e acompanhada. Ao mesmo tempo, a criança precisa encontrar sentido naquilo que aprende. Ela precisa ler histórias, bilhetes, placas, poemas, notícias, quadrinhos. Precisa escrever para alguém. Precisa descobrir que a escrita não existe apenas para preencher páginas de caderno ou responder provas.

A criança precisa perceber que ler é uma forma de entrar no mundo.

E escrever é também uma forma de dizer ao mundo: "Eu estou aqui." Então, o que fazer quando o aluno chega ao 6º ou 7º ano sem saber ler?

Primeiro: não humilhá-lo.

Um adolescente que não sabe ler já carrega um enorme peso. Muitas vezes, esconde o caderno, evita ler em voz alta, finge que esqueceu os óculos, copia a resposta do colega ou simplesmente se cala. Ele não precisa de mais vergonha. Precisa de oportunidade.

Segundo: diagnosticar.

É necessário descobrir o que ele sabe e o que ainda não sabe. O diagnóstico não deve servir para rotular o estudante, mas para orientar o ensino.

Terceiro: elaborar um plano de intervenção.

Se o aluno ainda não domina o sistema de escrita alfabética, é preciso trabalhar essa base, mesmo estando no 6º ou 7º ano. Não há vergonha alguma nisso. Vergonha seria saber que o aluno não lê e continuar ensinando como se ele lesse.

Quarto: garantir atendimento pedagógico especializado e reforço, quando necessário, com acompanhamento sistemático dos avanços.

Quinto: envolver a família.

Não para procurar culpados, mas para construir uma parceria.

Sexto: formar e apoiar o professor.

Não podemos entregar ao docente uma turma com múltiplas defasagens e simplesmente dizer: "Dê seu jeito." O professor precisa de formação, planejamento coletivo, materiais, tempo para acompanhar os estudantes e apoio da gestão escolar. E, sobretudo, precisamos abandonar uma cultura perigosa: a cultura de empurrar o problema para o próximo ano.

A criança não aprende? "Deixa que o próximo professor resolve."

O próximo ano chega.E nada.Depois vem o 6º ano. E alguém finalmente pergunta: "Mas como esse aluno chegou até aqui?" Ele chegou porque todos os anos anteriores passaram. O tempo não alfabetiza ninguém sozinho. É preciso intervenção.

A crise da aprendizagem também não nasceu ontem. A pandemia agravou perdas educacionais, mas seria simplista atribuir toda a situação a ela. O problema envolve desigualdades sociais, condições escolares, formação docente, acompanhamento das aprendizagens, políticas de alfabetização e, em muitos casos, uma relação insuficiente entre escola e família.


Por isso, talvez seja hora de trocar a pergunta. Em vez de perguntar apenas: "Por que meu filho não sabe ler?" Precisamos perguntar: "O que nós, adultos, deixamos de fazer para que ele chegasse até aqui sem aprender?"

Essa pergunta dói. Mas talvez seja justamente a pergunta que precisamos fazer.

Porque quando uma criança com mais de sete anos ainda não lê, temos um problema pedagógico urgente.

Quando uma criança chega ao 6º ano sem saber ler, temos uma emergência educacional. E quando milhares de crianças percorrem anos de escolarização sem adquirir plenamente a leitura e a escrita, temos um problema que ultrapassa os limites da sala de aula. Temos um problema de país. Mas problemas educacionais não se resolvem apenas com discursos. Resolvem-se com diagnóstico precoce, alfabetização planejada, formação de professores, acompanhamento individualizado, recomposição das aprendizagens, participação familiar, políticas públicas consistentes e, principalmente, com a decisão de não desistir de nenhuma criança.

Afinal, talvez a pergunta mais importante não seja: "De quem é a culpa?" Talvez seja: "Quem vai ajudar essa criança a aprender?"

E a resposta deveria ser simples: Todos nós. Porque uma criança que não aprendeu a ler não é uma criança que fracassou. É uma criança que ainda precisa de alguém que a ensine. E o verdadeiro fracasso da educação começa quando nós, adultos, desistimos de ensiná-la.

José Casanova

Professor, Jornalista, Escritor e Cronista
Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade
Academia Mundial de Letras da Humanidade

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Bacabal amplia acesso à tecnologia na educação com lançamento do programa Meu Tablet


A educação pública de Bacabal entra em uma nova etapa com a ampliação do acesso à tecnologia para estudantes e professores da rede municipal. Na segunda-feira (31), o prefeito Roberto Costa lançou oficialmente o programa Meu Tablet, iniciativa que prevê a distribuição de 7 mil tablets com conexão 4G para alunos do 6º ao 9º ano, estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e professores.

A primeira etapa de entrega dos equipamentos marcou um momento de forte mobilização entre estudantes, familiares e profissionais da educação. A proposta é transformar a tecnologia em uma ferramenta permanente de apoio ao ensino, ampliando as possibilidades de pesquisa, leitura, acesso a conteúdos pedagógicos e desenvolvimento de atividades escolares.


Os equipamentos serão destinados às escolas das zonas urbana e rural de Bacabal, alcançando também povoados e comunidades quilombolas. Entre as localidades da zona rural que receberão as entregas estão os povoados Piratininga, Brejinho e Sincorá, na região da Baixada.

Durante o lançamento, Roberto Costa destacou que o programa faz parte de uma política mais ampla de investimentos na educação municipal, que inclui melhorias na infraestrutura escolar, climatização das salas de aula, transporte e distribuição de materiais aos estudantes.




Bacabal hoje é o único município do Maranhão em que a rede municipal também garante o direito a um tablet para os seus alunos. Desde o primeiro dia de gestão, a gente tomou a decisão de garantir o fardamento completo, com tênis, meia, calça e blusão, além do material didático com mochila, e hoje também o tablet”, afirmou o prefeito.

Segundo Roberto Costa, os investimentos também contemplam os profissionais da educação e a estrutura física das escolas.


“Estamos garantindo todo o apoio necessário aos professores. Estamos fazendo um trabalho de reforma e ampliação das escolas, investindo fortemente na climatização das salas de aula e em uma nova frota de ônibus, para que a gente possa ter um ambiente estruturado e tranquilo, que facilite, acima de tudo, o aprendizado de todos os nossos alunos”, acrescentou.
Tecnologia como ferramenta de aprendizagem

Para os estudantes, a chegada dos tablets representa a possibilidade de acessar conteúdos educacionais mesmo quando não há disponibilidade de computadores nos laboratórios das escolas. O equipamento também pode reduzir uma barreira enfrentada por famílias que não possuem condições de adquirir dispositivos eletrônicos para os filhos.


A estudante Ana Júlia, da UEF 17 de Abril, considerou a iniciativa inovadora e destacou a oportunidade de pesquisa proporcionada aos alunos.


“Eu achei bastante inovador, porque tem gente aqui que não tem condições de comprar um eletrônico para fazer pesquisa. Tem gente que realmente quer pesquisar e que agora tem essa oportunidade graças ao prefeito Roberto Costa.”

O estudante João Lucas, da UEF Frei Solano, também ressaltou a utilidade do equipamento no cotidiano escolar.


“Vai ajudar demais nas pesquisas da escola. Quando não estiver tendo aula no laboratório de informática, a gente pode usar o tablet para fazer pesquisas em sala de aula. Eu achei uma boa ação do nosso prefeito Roberto Costa por disponibilizar esse tipo de tecnologia para a gente.”
Tablets com recursos educacionais

De acordo com a Prefeitura, os equipamentos foram preparados para utilização com finalidade educacional. Além da conexão à internet, os tablets disponibilizam recursos para leitura, pesquisa e acesso a conteúdos pedagógicos, incluindo livros digitais, jogos educativos, testes e provas.


Roberto Costa reforçou que a proposta do programa é utilizar o equipamento como instrumento de aprendizagem, e não apenas como dispositivo de entretenimento.


“Não é apenas um tablet para jogos. Inclusive, ele vem bloqueado para joguinhos. Ele vai ter acesso a livros, momentos de pesquisa e leitura, além de jogos educativos, testes e provas. Todos os nossos alunos do 6º ao 9º ano da rede municipal estão recebendo esse tablet”, explicou.

O prefeito também relacionou a iniciativa às transformações provocadas pela inteligência artificial e pelo avanço das tecnologias digitais na sociedade.


“A gente vê a alegria deles e das famílias, porque é uma ferramenta fundamental para ajudar na formação educacional. A inteligência artificial tem modificado o mundo, mas os alunos de Bacabal hoje têm acesso a uma ferramenta poderosa para enfrentar essa busca pelo conhecimento, que é o tablet”, afirmou.
Inclusão digital chega à zona rural

A expansão do programa para comunidades rurais amplia o alcance da política de inclusão digital. As entregas previstas para Piratininga, Brejinho e Sincorá, além de outras localidades, buscam garantir que estudantes que vivem fora da sede do município também tenham acesso às ferramentas digitais disponibilizadas pela rede municipal.


Com o Meu Tablet, Bacabal incorpora a tecnologia de forma mais direta à rotina escolar e amplia o acesso dos estudantes a recursos que podem contribuir para pesquisa, leitura e aprendizagem.

A iniciativa se soma a outras ações anunciadas pela administração municipal na área da educação, formando uma estratégia que combina tecnologia, infraestrutura, climatização, transporte escolar, materiais didáticos e apoio aos profissionais da educação.

Mais do que entregar um equipamento eletrônico, o programa pretende colocar nas mãos de milhares de estudantes uma nova porta de entrada para o conhecimento, fazendo da conectividade uma aliada do processo de aprendizagem.