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Sessão Solene na Câmara Municipal de Bacabal Celebra o Dia Internacional da Mulher

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sexta-feira, 27 de março de 2026

Mulheres da Academia Bacabalense de Letras celebram legado de Pureza Loiola em evento da OAB Bacabal

Bacabal viveu, na tarde desta quarta-feira(25), um daqueles encontros em que a palavra não apenas descreve o mundo, mas tenta consertá-lo. No auditório da OAB - Subseção Bacabal, foi realizado o evento “Março por Elas: Mulheres que Inspiram – A coragem de Pureza Loiola”, reunindo vozes femininas que transformam dor em luta e história em resistência.

A abertura ficou a cargo do presidente da subseção, Dr. Gilberto Lacerda, que destacou o papel essencial da mulher na construção de uma sociedade mais justa, enaltecendo especialmente a trajetória de Pureza Lopes Loyola, símbolo de coragem e enfrentamento às violações de direitos humanos.

Reconhecida internacionalmente, Pureza Lopes Loyola construiu sua história a partir de uma dor pessoal que se tornou causa coletiva: a luta contra o trabalho em condições análogas à escravidão e o tráfico de pessoas. Sua trajetória ecoou como fio condutor das reflexões ao longo do encontro.

A programação contou com três palestras que abordaram, sob diferentes perspectivas, os desafios e conquistas das mulheres. A juíza Dra. Gabriele trouxe uma análise sobre justiça e equidade de gênero; a advogada e secretária municipal da mulher, Dra. Ludmila Matos, destacou políticas públicas e mecanismos de proteção; e a professora e militante do Grupo Negro Palmares Renascendo, Marilurdes Carvalho, conduziu uma reflexão potente sobre raça, gênero e resistência.

A Academia Bacabalense de Letras marcou presença com suas escritoras, reafirmando o papel da literatura como instrumento de memória e denúncia. A acadêmica Liduina Tavares teve um de seus poemas recitado pela confreira Tânia Tomaz, enquanto Francinalva Muniz emocionou o público ao declamar versos de sua própria autoria. Ambas as obras foram criadas especialmente para homenagear Dona Pureza, costurando poesia e realidade em uma mesma voz.

No encerramento, Dr. Gilberto Lacerda realizou a entrega de flores a Dona Pureza e a outras mulheres de destaque em Bacabal, em um gesto simbólico de reconhecimento às suas trajetórias de luta. Um jardim de histórias vivas se formou ali, onde cada flor parecia carregar não apenas beleza, mas também memória, resistência e esperança.

O evento reafirmou que, quando mulheres se reúnem para contar suas histórias, o silêncio perde espaço e a transformação ganha palco. Em Bacabal, nesta tarde, a coragem teve nome, voz e poesia: Pureza.













quarta-feira, 25 de março de 2026

Academia Bacabalense de Letras celebra 25 anos com posse de novos imortais e homenagens a ícones da cultura

 

Na noite desta terça-feira (24), o Academia Bacabalense de Letras realizou uma Sessão Pública solene no Centro de Convivência Social de Bacabal, reunindo um grande público em uma celebração marcada pela tradição, reconhecimento e exaltação da cultura local. O evento integrou as comemorações pelos 25 anos da instituição.

A solenidade foi conduzida pelo presidente José Casanova e teve início com a chamada dos membros efetivos, que adentraram o plenário conforme o número de suas cadeiras e respectivos patronos, em um rito que reafirma a memória e a continuidade da literatura bacabalense.

O evento contou com a presença de diversas autoridades e representantes de entidades culturais e educacionais, entre eles César Brito, Presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA); o professor Jerry Ibiapina Gestor Regional de Educação; a professora Rita de Cássia Coordenadora DA UNEGRO em Bacabal; a secretária adjunta de Cultura Diana Tomaz, que destacou em seu discurso a relevância da ABL; além de Vavá Melo Dda Academia de Letras de São Bento, Conceição Formiga Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Imprimir, Waltersar Carneiro Secretário de Articulação Política de Bacabal, Stuart Júnior, Lidoracy Santos, Marilene Gaioso, Rosivan Dias e Presidente da Academia de São Mateus e Jota Gomes Presidente da Academia Gonzaguesse de Letras.

Durante o evento, Dr. Osmar Gomes Presidente da Academia Ludovicense de Letras enviou mensagem de congratulações para a ABL.

Um dos momentos mais aguardados da noite foi a posse dos novos membros efetivos. Após cumprirem o rito tradicional de recebimento do fardão, da medalha acadêmica e do diploma, os empossados prestaram juramento e foram oficialmente declarados imortais. Tomaram posse: Tânia Tomaz, na Cadeira nº 6, patrono Alice Mendes; César Brito, na Cadeira nº 12, patrono João do Vale; Rosiele Amorim, na Cadeira nº 18, patrono Edna Nogueira; Francinalva Muniz, na Cadeira nº 24, patrono Matias Brito; e Otávio Pinho, na Cadeira nº 25, patrono Papete.

O discurso de recepção aos novos imortais foi proferido pelo acadêmico Costa Filho, seguido pelas falas emocionadas dos empossados, que ressaltaram o compromisso com a literatura, a arte e a memória cultural.

A noite também foi marcada pela entrega da Comenda Imortal Honoris Causa, honraria concedida a personalidades e instituições que se destacam por sua contribuição à cultura e à educação. Entre os agraciados estiveram o carnavalesco José Jardim, o músico e artesão Luiz Gonzaga Damaso, a poetisa Nazinha, todos aos 87 anos, além dos maestros Victor Emanuel e Leonardo Bezerra, e da Universidade Federal do Maranhão, campus Bacabal.

Encerrando a solenidade, o presidente José Casanova agradeceu a presença do público e destacou a importância da Academia ao longo de sua trajetória. “Celebramos não apenas uma data, mas um legado construído com palavras, ideias e compromisso com o saber”, afirmou.

A Sessão Pública dos 25 anos da Academia Bacabalense de Letras reafirmou o papel da instituição como guardiã da cultura e promotora do pensamento crítico, transformando a noite em um verdadeiro tributo à inteligência, à arte e à memória coletiva.





























domingo, 22 de março de 2026

CRÔNICA DO DIA: O Boi e o Som das Estrelas




O ar em Alto Alegre, no interior do Maranhão, costuma ser impregnado pelo cheiro de terra seca e fumaça de lenha, mas nas noites de junho, tudo muda. O vento traz o aroma de pipoca, mingau de milho e o perfume metálico das miçangas novas. Para o pequeno Davi, de oito anos, o mundo não chega em doses suaves; ele chega em avalanches. Cada cor é um grito, cada som é uma martelada e cada toque na pele é como o roçar de uma lixa grossa.

Ele estava sentado no último degrau da escada de casa, as mãos apertando os joelhos, enquanto o som distante das matracas começava a riscar o silêncio da noite.

— Davi, vamos ver o boi? — Perguntou o pai, aproximando-se com cuidado, mantendo uma distância segura para não invadir o espaço vital que Davi defendia com tanto vigor. — O Bumba Meu Boi de Alto Alegre é o mais bonito do mundo, filho. As estrelas descem para dançar no couro do boi.

Davi não respondeu com palavras. Ele olhou para o céu. Para ele, as estrelas não eram apenas pontos de luz; eram agulhas brilhantes que faziam um zumbido fininho, uma frequência que só ele parecia captar. O conceito de "bonito" para Davi era indissociável de "suportável".

Ele aceitou ir, mas apenas porque o pai trazia o par de abafadores de ruído azuis, o seu escudo contra o caos. Enquanto caminhavam em direção ao terreiro onde a festa acontecia, a realidade de Davi se transformava. Para as outras crianças que corriam pelas ruas de terra, o som das matracas era alegria. Para Davi, era um terremoto rítmico. Taca-taca-taca-taca. O som batia no peito dele, vibrava nos dentes e ecoava nos ossos do crânio.

Quando chegaram ao arraial, o impacto sensorial foi avassalador. As lâmpadas de gambiarra, enroladas em papéis de seda coloridos, oscilavam com o vento, criando sombras gigantescas que dançavam nas paredes de pau-a-pique. O vermelho das roupas dos caboclos de fita não era apenas vermelho; era um fogo que ardia nos olhos de Davi. O amarelo das lantejoulas era como pequenos flashes de luz de solda.

Davi pressionou os abafadores com mais força contra as orelhas. O som do mundo diminuiu, transformando-se em um murmúrio subaquático, mas a vibração permanecia. O chão de terra batida sob seus pés descalços dizia exatamente onde os batedores de pandeiro estavam. Ele sentia a batida do tambor-onça como um trovão que subia pelas pernas e se alojava no estômago.

— Olhe, Davi! O Boi! — Apontou a mãe, os olhos brilhando de devoção cultural.

O boi entrou no centro do terreiro. Era uma criatura de veludo negro, bordada com milhares de vidrilhos, canutilhos e espelhos. Na lógica de Davi, aquele boi era uma galáxia inteira. Os pequenos espelhos refletiam as luzes das gambiarras e o brilho das estrelas reais lá no alto, criando um padrão de luz que, para o menino, tinha um ritmo matemático.

Davi começou a balançar o corpo para frente e para trás, um movimento rítmico que o ajudava a não ser esmagado pela intensidade do que via. Seus olhos se fixaram em um único detalhe: uma fita azul que pendia do chifre do boi e que balançava de forma diferente das outras. Ele entrou em hiperfoco. O resto do arraial desapareceu. As pessoas, o calor humano, o cheiro de suor e pólvora dos foguetes, tudo foi filtrado. Ficou apenas ele e a física do movimento daquela fita azul.

— Ele está gostando? — Sussurrou a mãe para o marido, preocupada com o balanço contínuo do filho.

— Ele está processando. — Respondeu o pai, que já aprendera a ler os sinais silenciosos. — Olhe o olho dele. Ele está vendo coisas que a gente nem imagina.

Davi via a música. Para ele, o toque do pandeiro de fita criava ondas de cor violeta no ar. O som da matraca desenhava linhas serrilhadas e brancas. Era um espetáculo de sinestesia que tornava a festa do Bumba-Meu-Boi uma experiência mística e exaustiva.

A Síndrome de Sensibilidade Sensorial, comum em muitas pessoas no espectro autista, transforma eventos culturais em provações de coragem. Em cidades pequena como Alto Alegre do Maranhão, onde a tradição é o que une a comunidade, não participar da festa é quase um exílio. Mas participar exige que a família seja um anteparo, um tradutor de estímulos.

De repente, um batedor de matraca passou perto demais de Davi. O som seco da madeira batendo na madeira atravessou a barreira dos abafadores como um choque elétrico. Davi travou. Suas mãos subiram para o rosto e ele soltou um gemido baixo. O mundo tinha ficado barulhento demais, brilhante demais, apertado demais.

A mãe sentiu o perigo da desregulação. Ela não gritou com ele, não pediu para ele "parar com o show". Ela simplesmente o abraçou por trás, uma pressão firme e profunda que oferecia ao sistema nervoso de Davi o contorno que ele estava perdendo.

— A respiração, Davi. Um, dois, três... — ela guiava, mantendo a calma enquanto as pessoas ao redor olhavam com curiosidade ou estranhamento.

Pouco a pouco, o menino voltou. Ele não queria ir embora. Ele queria o boi, mas em suas próprias condições. Ele apontou para um canto mais escuro do arraial, longe das caixas de som e da poeira levantada pelos dançarinos. Os pais o levaram para lá.

Daquele lugar sombreado, Davi pôde observar o Bumba Meu Boi em sua totalidade. Sem a agressão direta do barulho e do movimento das massas, ele percebeu a harmonia entre o couro do animal de brinquedo e o firmamento. Para Davi, o boi de Alto Alegre era um tradutor universal: ele trazia o som das estrelas para a terra, transformando o silêncio do cosmos no batido rítmico do coração do Maranhão.

Ele estendeu a mãozinha no vazio, tentando tocar uma das lantejoulas que parecia voar no reflexo de um espelho. Ali, na lateral da festa, Davi encontrou seu lugar de direito. O respeito à neurodivergência em festas populares não significa que a criança deve ser mantida em uma redoma de vidro, mas sim que a festa deve ter espaços de respiro, zonas de baixa pressão onde a beleza possa ser apreciada sem dor.

Quando o boi se ajoelhou para o "batizado" simbólico, Davi sorriu. Foi um sorriso breve, mas que iluminou o rosto cansado dos pais. Ele havia captado a essência da festa. Ele sentira a alma do boi através da vibração do solo e da geometria das fitas.

A caminhada de volta para casa foi silenciosa. Alto Alegre parecia mais calma agora, como se o boi tivesse levado consigo toda a eletricidade da noite. Davi tirou os abafadores quando chegaram ao portão. O som dos grilos era agora um veludo para seus ouvidos.

Ao deitar na cama, o menino ainda via, sob as pálpebras fechadas, o rastro luminoso das lantejoulas. Ele entendeu que o mundo é um lugar imenso e barulhento, e que às vezes é preciso tapar as orelhas para conseguir ouvir o que as estrelas estão cantando. A cultura de seu povo não era um inimigo de seus sentidos; era apenas uma linguagem que ele falava com um sotaque diferente. No silêncio do quarto, Davi adormeceu com a certeza de que o boi voltaria no próximo ano, e que ele estaria lá, com seus protetores azuis e seu olhar de telescópio, pronto para ler novamente a escrita de luz que dança no couro da vida.

Por José Casanova
Professor, Jornalista, Escritor e Crônica
Membro da Academia Bacabalense de Letras
Academia Mundial de Letras da Humanidade







quinta-feira, 19 de março de 2026

Medida do Executivo Bacabalense mobiliza sociedade, provoca debate acalorado no plenário e é defendida até por vereadores da oposição

A sessão ordinária da Câmara Municipal de Bacabal, realizada nesta quarta-feira (18), foi marcada por um dos debates mais intensos do ano legislativo. No centro da pauta, um tema que atravessa plantações e consciências: a proibição da pulverização aérea de agrotóxicos no território do município.

A sessão foi oficialmente aberta pela presidente da Casa, a vereadora Natália Duda (MDB). Em seguida, o pastor Raimundo Reis conduziu a tradicional leitura bíblica, imprimindo o tom solene que antecede as decisões políticas. O vereador Reginaldo do Posto fez a leitura da ata da sessão anterior, enquanto o vereador Alberto Sobrinho apresentou o expediente do dia, com destaque para projetos de lei e indicações colocados em votação.

Entre as matérias apreciadas, o projeto de lei encaminhado pelo prefeito Roberto Costa dominou as atenções. A proposta dispõe sobre a proibição da pulverização aérea de agrotóxicos, prática que, segundo defensores da medida, oferece riscos à saúde humana, ao meio ambiente e, especialmente, à agricultura familiar.

O plenário, que por vezes se transforma em arena de discursos, assumiu nesta tarde a forma de um campo em disputa simbólica. Vereadores de diferentes espectros políticos se posicionaram, alguns com cautela, outros com veemência. Ainda assim, o resultado foi expressivo: 15 votos favoráveis e apenas 1 contrário.
Chamou atenção o fato de que parlamentares que se identificam como oposição ao Executivo votaram pela aprovação do projeto. Em suas justificativas, destacaram a defesa da vida, da saúde pública e o fortalecimento da agricultura familiar como princípios que se sobrepõem a divergências políticas.

A galeria da Câmara esteve completamente lotada, revelando o alcance social da pauta. Sindicalistas,  Trabalhadores rurais, representantes de organizações não governamentais ambientalistas e famílias que relatam prejuízos associados ao uso inadequado de agrotóxicos acompanharam atentamente cada fala, cada voto  como quem observa o próprio destino sendo decidido em voz alta.

Do lado das entidades representativas, o Sindicato Rural de Bacabal divulgou nota oficial reconhecendo e elogiando a iniciativa do prefeito Roberto Costa, destacando sua preocupação com os impactos da pulverização aérea, inclusive por meio de drones. No entanto, a entidade também expressou insatisfação, sugerindo que o projeto possa ser aperfeiçoado, em uma defesa mais ampla da atividade agropecuária.

Com a aprovação, Bacabal se posiciona de forma pioneira na região ao enfrentar diretamente uma prática controversa. Para o Executivo, a medida representa um avanço na proteção da vida e no incentivo a modelos mais sustentáveis de produção.

No tabuleiro político, a decisão também redesenhar narrativas: ao pautar um tema sensível e conquistar apoio quase unânime, o prefeito Roberto Costa ampli0a seu protagonismo e se antecipa em um debate que cresce em todo o país , aquele em que o futuro da agricultura precisa caber dentro dos limites da saúde e da dignidade humana.

A sessão terminou, mas o eco das discussões ainda paira no ar, como poeira fina sobre lavouras.tudo indica que entidades representativas do agronegócio devem lutar pra flexibilizar o uso de  drones na pulverização, mas  desta vez, porém, o vento parece soprar em outra direção.