Um blog de Zezinho Casanova
Vereadoras Nathália Duda e Regilda Santos conduzem Sessão Solene
Comunidade do Brejinho valoriza a saúde
O Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de
Janeiro, era um organismo pulsante, uma massa de luzes, cores e um som que não
se ouvia apenas com os ouvidos, mas com o peito. Para Sheila Raquel, aquela
noite representava o ápice de uma jornada que começara muito longe daquelas
arquibancadas lotadas, nas ruas planas e quentes de Bacabal. Ela não era apenas
uma mulher sambando; ela era o símbolo de uma comunidade, a Rainha de Bateria
que carregava nos ombros a responsabilidade de nota dez no quesito evolução e harmonia.
Sua fantasia, uma estrutura imponente de penas de faisão em tons de degradê
entre o azul-royal e o turquesa, custara meses de economia e cada gota de seu
suor nos ensaios técnicos.
O coração batia na cadência do surdo de marcação.
Enquanto a escola se posicionava na concentração, Sheila sentia a adrenalina
percorrer suas veias. Ela ajustou a coroa, incrustada com cristais que
refletiam os refletores potentes, e sorriu para os fotógrafos. O Carnaval tem
essa magia: ele transforma pessoas comuns em divindades temporárias. Naquele
momento, ela não era a vendedora de cosméticos que lutava para pagar o aluguel;
ela era a soberana absoluta dos ritmistas.
— Tudo pronto, rainha? — Perguntou Mestre Jorge, o
comandante da bateria, com o apito já entre os dentes.
— O coração está saindo pela boca, Jorge, mas a
gente vai fazer história — respondeu ela, ajeitando as tiras da sandália que
subiam por suas pernas torneadas.
— Confia na sua luz. Quando a gente entrar, o chão
vai tremer.
O sinal verde brilhou. O grito de guerra do puxador
de samba rasgou o ar e a bateria explodiu. Sheila deu o primeiro passo, uma
explosão de graça e vigor. Cada movimento de seus quadris parecia ditar o ritmo
da percussão. Ela entrou na avenida como uma força da natureza, distribuindo sorrisos
e beijos, os braços abertos para abraçar a multidão. A Marquês de Sapucaí
gritava seu nome. Ela sentia que nada no mundo poderia pará-la. Brasília, São
Luís, Fortaleza, São Luia Gonzaga... parecia que o Brasil inteiro estava ali,
concentrado naquela passarela de asfalto.
Foi no meio do Setor B, exatamente onde as câmeras
de televisão captavam cada detalhe, que o destino, sempre irônico, decidiu
intervir. Ela executou um giro rápido, um movimento que ensaiara mil vezes, mas
ao apoiar o peso no pé esquerdo, ouviu um estalo seco. O som, para ela, foi
mais alto que o repique da bateria. O salto de quinze centímetros da sua
sandália de gala, feito de um acrílico reforçado que deveria ser indestrutível,
sucumbiu.
Em um milésimo de segundo, o mundo de Sheila
inclinou-se. O equilíbrio sumiu. A dor no tornozelo foi uma agulhada ardente,
mas não se comparava ao pânico que gelou sua espinha. Uma rainha de bateria não
pode cair. Se ela caísse, a harmonia da escola seria prejudicada. O
"buraco" na frente da bateria seria imperdoável para os
jurados.
— Ai, meu Deus — Murmurou ela, entre dentes,
mantendo o sorriso congelado para as câmeras enquanto sentia o pé esquerdo
ceder.
— Shirley, o que houve? —Perguntou um dos diretores
de harmonia que caminhava ao lado, percebendo a hesitação súbita.
— O salto. Quebrou. Jorge, não para! Continua! — Ela
comandou, embora o suor que agora escorria por seu rosto não fosse mais apenas
de calor, mas de puro desespero.
Ela tinha duas escolhas: sair da avenida e chorar a
derrota de um ano inteiro, ou encontrar uma forma de continuar o show. O
asfalto estava fervendo, e sem o salto, sua perna esquerda estava agora vários
centímetros abaixo da direita, destruindo sua postura e sua cadência. O público
começou a notar. Um murmúrio de preocupação percorreu a frisa. Shirley respirou
fundo, fechou os olhos por um breve segundo e tomou a decisão que definiria sua
vida dali em diante.
Em um gesto coreografado, como se fizesse parte da
apresentação, ela se abaixou e desamarrou rapidamente as tiras da sandália
esquerda. Com um movimento firme, arrancou também a sandália direita. Ali, no
centro da passarela, a rainha, leteralmente, desceu do salto. O contato direto
do pé descalço com o asfalto quente foi um choque térmico, mas ela não recuou.
Ela jogou os calçados caríssimos para o lado, em direção aos assistentes, e
ergueu o queixo.
A bateria, percebendo a garra da sua líder, dobrou
a intensidade. Os ritmistas começaram a gritar em incentivo. Sheila recomeçou o
samba, mas agora era diferente. Havia uma força primitiva em seus pés descalços
tocando o chão. Ela não era mais uma boneca de luxo em cima de plataformas; era
uma mulher negra, real, de carne, osso e resiliência. O samba tornou-se mais
rasteiro, mais ancestral, um toque de pés que parecia conversar diretamente com
a terra, ignorando o calor do asfalto negro.
— Isso mesmo, rainha! No chão! No chão! — Gritava
Mestre Jorge, visivelmente emocionado com a cena.
Ela sentia pequenas bolhas começarem a se formar
sob a planta dos pés, mas a dor fora anestesiada pelo rugido da arquibancada. A
Marquês de Sapucaí, que antes a admirava pela beleza, agora a reverenciava pela
coragem. Milhares de pessoas se levantaram e começaram a aplaudir. Ela cruzou o
restante da avenida com uma energia renovada, cada pisada no asfalto sendo um
manifesto de que nenhum acidente material é capaz de apagar o brilho de quem
carrega a verdade na alma.
Ao cruzar a linha final, na dispersão, Sheila
colapsou nos braços das baianas que a esperavam. Suas pernas tremiam
violentamente e seus pés estavam escoriados, mas seu rosto brilhava com uma
satisfação que nenhum troféu poderia proporcionar. Ela sabia que aquele salto
quebrado não fora um azar, mas uma oportunidade de provar a si mesma que sua
realeza não dependia de acessórios.
— Você foi gigante, Shirley. — Disse uma das
baianas, entregando-lhe um copo de água e um par de chinelos velhos. — O povo
nunca vai esquecer essa sua garra.
— Eu só não queria deixar a escola na mão. — Respondeu
ela, com a voz embargada. — O destino quis me derrubar, mas ele esqueceu que eu
aprendi a andar em chão de terra da rua Paulo Rmos lá em Bacabal. O asfalto do
Rio de Janeiro é só mais um caminho.
Enquanto era carregada para o posto médico, Sheila
Raquel pensava na ironia dos eventos. Se o salto não tivesse quebrado, ela
teria sido apenas mais uma rainha bonita na história da escola. Agora, ela era
a rainha que venceu o asfalto. Aquele imprevisto, aquele pequeno caos mecânico
no meio da festa mais planejada do país, foi o que permitiu sua transformação.
Naquela noite, a resiliência foi o seu adereço mais brilhante. Ela entendeu,
com uma clareza que só as situações desesperadoras trazem, que a vida muitas
vezes nos tira o sustento dos pés apenas para nos ensinar a voar. E enquanto o
gelo era colocado em seus pés feridos, no silêncio relativo do posto médico,
ela teve a estranha sensação de que as voltas do destino ainda trariam
surpresas em outros cenários, talvez sob as luzes mais frias e calculistas de
uma capital onde as verdades costumam ser tão raras quanto um salto
inquebrável.
A Academia Bacabalense de Letras (ABL) participou, nesta segunda-feira (09), do Diálogo com a Corregedora-Geral do Ministério Público, Fátia Travassos, realizado no Salão do Júri da Comarca de Bacabal. Representando a instituição, o presidente da ABL, José Casanova, integrou o encontro que reuniu autoridades do Judiciário, Executivo e representantes da sociedade civil organizada.
O evento contou com a presença de secretários municipais, prefeitos, juízes, promotores de Justiça, conselheiros tutelares e lideranças comunitárias, consolidando-se como um espaço de diálogo democrático e fortalecimento institucional.
A Corregedora-Geral do Ministério Público do Maranhão, Fátima Travassos, conduziu o encontro com competência e desenvoltura. O diálogo teve como objetivo dar transparência aos trabalhos correicionais desenvolvidos nas Promotorias de Justiça de Bacabal, Lago Açu e Olho d’Água das Cunhãs, cidades representadas pelos prefeitos professora Ceci e Vaval Gomes, além de promover uma escuta qualificada das autoridades, instituições e segmentos sociais.
O prefeito de Bacabal, Roberto Costa, fez-se representar pela advogada Máxima Regina. Também se pronunciaram a Delegada da Mulher de Bacabal e a Comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar, Tenente-Coronel Leila, que destacaram a importância do momento para o fortalecimento da rede de proteção e da atuação integrada das instituições.
Promotores e magistrados, entre eles Dr. Elder, Dra. Michelle e Dr. Paulo destacarm o trabalhos desenvolvida pela corregedoria . Membros do Conselho Tutelar de Bacabal, elogiaram o trabalho desenvolvido pela promotora Dra. Michelle, ressaltando o compromisso com a justiça e a defesa dos direitos da população.
Durante o evento, o presidente da ABL, José Casanova, fez uso da palavra para destacar os 25 anos da Academia Bacabalense de Letras, que serão celebrados no próximo dia 24 de março, e enfatizou a necessidade da construção de uma sede própria para a instituição. Segundo ele, a ABL tem desempenhado papel fundamental na promoção da cultura, da literatura e da cidadania no município.
O Diálogo com a Corregedora-Geral do Ministério Público reforçou o compromisso do Ministério Público com a transparência, a democracia e a aproximação com a sociedade, fortalecendo a atuação conjunta das instituições na promoção da justiça e dos direitos fundamentais.
A Academia Bacabalense de Letras (ABL) marcou presença na Sessão Pública de posse do cronista, escritor e magistrado Osmar Gomes como membro Presidente da Academia Ludovicense de Letras, realizada nesta quinta-feira (5), no Fórum Desembargador Sarney Costa, em São Luís. O evento reuniu representantes de Academias de Letras de diversas regiões do Maranhão, além de advogados, juristas e convidados ligados ao meio cultural e acadêmico.
A cerimônia teve um tom leve e descontraído, fugindo ao protocolo excessivamente formal que costuma marcar solenidades acadêmicas. Poucos convidados fizeram uso da palavra, o que contribuiu para uma sessão dinâmica e envolvente. Um dos momentos mais marcantes foi a apresentação da Companhia Teatral Beto Bittencourt, que encenou, com atores e bonecos, uma divertida performance sobre a trajetória de Osmar Gomes, desde sua juventude até a conquista do cargo de juiz, arrancando risos e aplausos da plateia.
O empossado, reconhecido por sua atuação como cronista e escritor, agradeceu a presença dos convidados e conduziu a sessão com desenvoltura e elegância, destacando a importância da literatura e da cultura como instrumentos de humanização do Direito e da sociedade.
O presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA), escritor César Brito, também se pronunciou, ressaltando a relevância do momento para a cultura maranhense e o fortalecimento das instituições literárias no estado. Crianças e adolescentes da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil emocionaram o público com a recitação de poemas, reafirmando o papel da literatura na formação das novas gerações.
Bacabal esteve representada pelo escritor José Casanova, presidente da Academia Bacabalense de Letras, pelo presidente da OAB Bacabal, Dr. Gilberto Júnior Lacerda, pelo advogado Dr. Jefferson Santos e pelo vereador João Alberto de Sousa, que prestigiaram a solenidade e reforçaram os laços culturais entre Bacabal e a capital maranhense.
A posse de Osmar Gomes foi celebrada como um grande momento da cultura ludovicense, reunindo literatura, teatro, juventude e tradição acadêmica em uma noite que reafirmou a vitalidade das letras maranhenses e o diálogo entre o mundo jurídico e a produção literária.
A Academia Bacabalense de Letras (ABL) marcou presença no I Encontro da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Quilombola (PNEERQ), realizado no dia 20 de janeiro, na Escola Juarez Gomes, em Bacabal. A instituição foi representada por seu presidente, José Casanova, reforçando o papel da literatura e da cultura na construção de uma educação antirracista no Maranhão.
O evento teve como público-alvo agentes locais e focais da PNEERQ da regional de Bacabal e contou com a participação da professora Rita de Cássia, Agente de Governança Regional da URE-Bacabal. O encontro teve como principal objetivo promover o debate e discutir estratégias para o fortalecimento da equidade racial e o enfrentamento das desigualdades étnico-raciais na Unidade Regional de Educação de Bacabal, que tem como gestor o professor Jerry Ibiapina.
Durante sua participação, José Casanova destacou a importância de uma educação antirracista nas escolas maranhenses, ressaltando que o combate ao racismo passa, necessariamente, pelo currículo, pela valorização das identidades negras e quilombolas e pelo incentivo à leitura desde a infância.
O presidente da ABL também enfatizou o trabalho desenvolvido pela FALMA – Federação das Academias de Letras do Maranhão, que já atua em cerca de 65 municípios do estado, contribuindo para a criação de academias de letras, o estímulo à leitura e o surgimento de jovens escritores maranhenses. Segundo Casanova, essa produção literária local pode e deve ser utilizada como ferramenta pedagógica em sala de aula, aproximando os estudantes de suas próprias realidades culturais.
Em um momento de forte simbolismo, Casanova realizou a leitura dramatizada de uma de suas crônicas e apresentou a boneca literária do livro “Crônicas Pretas”, obra que tem lançamento previsto ainda para este ano e dialoga diretamente com as temáticas da identidade negra, memória e resistência cultural.
O encontro também promoveu discussões com os representantes sobre a elaboração e execução do Plano Municipal da PNEERQ, fortalecendo o intercâmbio de experiências e a troca de boas práticas entre os participantes, com foco na construção de políticas educacionais mais justas, inclusivas e comprometidas com a diversidade étnico-racial.
A participação da ABL no evento reafirma o compromisso da instituição com a educação, a literatura e a promoção da equidade racial, colocando a palavra escrita e falada como instrumento de transformação social.
Um Mestre da cultura brasileira. Talvez seja isso. Ou talvez
eu esteja exagerando. Cronista também exagera. Mas há artistas que entram em
cena pelo aplauso. Outros chegam pelo riso fácil. João Cláudio Moreno, não. Ele
chega como quem puxa uma cadeira na calçada, pede licença à memória coletiva e
começa a conversar. Conversa com o povo, com o passado, com as vozes que ainda
ecoam no rádio de pilha e nas histórias contadas ao pé da rede. Bastam dois dedos de prosa para percebermos
que João Cláudio não interpreta o Nordeste. Ele o escuta primeiro. Depois,
devolve em forma de humor, afeto e inteligência.
Nascido no Piauí, esse homem de
fala afiada e olhar curioso aprendeu cedo que o riso pode ser uma ferramenta
séria. Humorista, apresentador, ator, compositor e imitador de primeira
grandeza, João Cláudio construiu sua carreira sem gritar para ser ouvido.
Prefere a sutileza, o detalhe, o gesto pequeno que diz muito. Seu humor não
humilha, não empurra, não atropela. Ele convida. E quem entra no convite
dificilmente sai ileso do encantamento coletivo provocado por sua arte.
Foi numa dessas noites quentes,
em que a lua parece cochichar segredos antigos, que João Cláudio resolveu
atravessar a fronteira invisível entre o palco e o imaginário popular.
Sentou-se numa praça de Piripiri, dessas que têm coreto, poste antigo e cheiro
de café passado, quando ouviu o som conhecido de uma sanfona. Não precisou
perguntar quem era. Luiz Gonzaga apareceu como quem nunca foi embora.
O Caldeirão parecia que ia ferver com a aparição. Era nessa efervescência
identitária que João Cláudio Moreno busca inspiração para suas criações.
O Rei do Baião ajeitou o chapéu, sorriu
de canto e disse:
- Oxente, João, tu ainda anda espalhando riso por aí?
João Cláudio respondeu com respeito e
travessura:
- Espalho, mestre. Aprendi foi com o senhor. O riso também pode dançar.
Gonzaga riu alto, um riso de
couro e sol, e a sanfona pareceu concordar. Falou da importância de não
esquecer o chão, de carregar o Nordeste no peito sem transformar cultura em
caricatura. João Cláudio ouviu atento. Ele sempre ouve. Seu talento maior
talvez seja esse: saber escutar antes de imitar, compreender antes de
representar.
A conversa foi interrompida por
uma gargalhada poderosa que atravessou a praça como um tamborim bem marcado. Começa agora o grande encontro. Alcione chegou
cantando, com a voz que parece trazer junto todas as dores e alegrias do povo.
Olhou para João Cláudio e disse:
- Meu filho, humor sem verdade não sustenta samba nenhum.
Ele concordou com um aceno
humilde. Lembrou quando a entrevistou tentando expressar os laços existentes entre
o Piauí e o Maranhão.
Alcione
falou de palco, de responsabilidade artística, de como o artista precisa ter
bom senso para não ferir aquilo que diz amar. João Cláudio respondeu contando
histórias, imitando vozes, mas sempre com carinho. Seu humor jamais atravessa a
linha do desrespeito. Ele sabe que a cultura nordestina não é figurino. É pele.
Quando a noite já parecia completa,
um silêncio estranho tomou conta da praça. Talvez das águas escuras de algum
rio, surgiu a figura torta e mítica do Cabeça de Cuia, personagem do imaginário
piauiense, metade medo, metade lenda, inteiro símbolo. João Cláudio não recuou.
Olhou nos olhos da criatura e, com naturalidade, puxou conversa.
- Tu não cansa de ser só
assombração? - Perguntou.
A lenda , pego de surpresa, respondeu
com voz cansada:
- Canso. Mas alguém precisa lembrar as histórias.
Sempre achei que o Cabeça de Cuia fosse parte do inconsciente
coletivo do povo nordestino. Foi ali que João Cláudio mostrou sua maior virtude.
Transformou o medo em riso, a lenda em reflexão. Fez do Cabeça de Cuia não
apenas um susto folclórico, mas um personagem humano, cheio de contradições.
Tais como os meninos e meninas que entre pés de tucuns vivem uma aventura além
das matas e caatingas.
Confesso que o humor virou ponte. A gargalhada virou memória
preservada.
Entre Gonzaga, Alcione e o
Cabeça de Cuia e tantos outros personagens da alma coletiva brasileira, João
Cláudio Moreno seguiu costurando falas, vozes e gestos com a habilidade de quem
conhece o peso da palavra. Seu talento de imitador não está apenas na precisão
vocal, mas no respeito à essência de cada personagem. Ele não copia. Ele
interpreta com alma.
Quando a madrugada chegou, a
praça voltou ao silêncio. Não o silencio da inocência, mas o silêncio que traz
a fala coletiva do povo.
João Cláudio levantou-se, sacudiu a poeira imaginária da
roupa e seguiu caminho. Levava consigo mais histórias para contar e a certeza
de que humor, quando feito com bom senso artístico, não envelhece. Vira
patrimônio.
E talvez seja por isso eu veja em
João Cláudio Moreno alguém que permanece. Porque, enquanto muitos fazem rir por
um instante, ele faz sorrir com memória, identidade e verdade. Um cronista do
riso nordestino que entende que gargalhar também é um ato de pertencimento.
Um passo importante para o fortalecimento da identidade cultural de Vitorino Freire foi dado nesta terça-feira(30) durante a Reunião Preparatória para a Criação da Agremiação Cultural do município. O encontro reuniu escritores, produtores culturais e representantes de instituições literárias, abrindo caminho para a organização formal de uma entidade voltada à valorização da cultura e da litertura local, ou seja , uma Academia de Letras.
A reunião contou com a presença do presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA), o escritor César Brito, e do presidente da Academia Bacabalense de Letras (ABL), o escritor José Casanova, que contribuíram com orientações e experiências sobre a criação e o funcionamento de academias e agremiações culturais no estado.
O encontro foi articulado pelo produtor cultural Murilo, responsável por mobilizar os agentes culturais do município e promover o diálogo em torno da necessidade de uma organização que represente e fortaleça a produção literária e artística de Vitorino Freire.
Na abertura dos trabalhos, César Brito destacou a viabilidade e a importância da criação de uma Academia de Letras em Vitorino Freire, ressaltando o papel dessas instituições na preservação da memória, no incentivo à escrita e na promoção da cultura. A proposta foi bem acolhida pelos participantes, em sua maioria escritores, que demonstraram entusiasmo e abraçaram a ideia de forma coletiva.
Durante a reunião, os participantes se apresentaram e compartilharam suas produções culturais, em um momento de escuta, troca de experiências e reconhecimento mútuo. O encontro seguiu com um bate-papo descontraído e orientador, no qual foram discutidos caminhos legais e organizacionais para a formalização da agremiação.
Ao final, foi criada uma comissão responsável por conduzir os próximos passos do processo de criação da futura academia. A comissão ficará encarregada da definição do nome da organização cultural, da elaboração do estatuto, da criação das insígnias institucionais e da organização geral da entidade.
A reunião marcou o início de um movimento coletivo em prol da cultura local, sinalizando o compromisso dos escritores e produtores culturais de Vitorino Freire com a valorização da identidade, da literatura e das expressões artísticas do município.
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| César Brito Presidente da FALMA |
A Academia Gonzaguense de Letras realizou, no dia 29 de dezembro, a partir das 11h, uma Sessão Pública Solene no sítio Nosso Canto, localizado no Povoado Nova Vida. O encontro marcou a diplomação e posse de novos membros da instituição, além de um momento de confraternização entre sodálícios, familiares e convidados.
A solenidade reuniu representantes do poder legislativo municipal, com a presença de vários vereadores da cidade, reforçando o reconhecimento público do papel cultural desempenhado pela Academia. O evento contou ainda com a participação do presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA), o escritor César Brito, que, na ocasião, também tomou posse como membro da Academia Gonzaguense de Letras.
Prestigiando a sessão, esteve presente o presidente da Academia Bacabalense de Letras (ABL), o escritor José Casanova, fortalecendo os laços entre as instituições literárias da região e reafirmando o espírito de cooperação entre as academias de letras do Maranhão. O Presidente da Academia São-Mateuense de Ciências, Artes e Letras Stuart Júnior.
Os trabalhos foram presididos pelo presidente da casa, J. Gomes, que conduziu a sessão com a formalidade e o simbolismo próprios das academias literárias. Além de César Brito, foram empossados como novos membros os acadêmicos Ruzenido Aguiar, Luzelena Maria, Valmir Oliveira, Manoelina Moraes e Carlos Frazão.
Após a solenidade oficial, os participantes seguiram para um momento de confraternização, marcado pelo diálogo, pela celebração da cultura e pelo fortalecimento dos vínculos entre os integrantes da Academia e a comunidade local.
A Sessão Pública consolidou a Academia Gonzaguense de Letras como uma das principais casas de cultura da cidade, reafirmando seu compromisso com a valorização da literatura, da memória e da identidade cultural do município.
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O auditório da Escola Católica Padre Pio foi palco, nesta sexta-feira, do II Encontro dos Conselheiros Municipais de Educação da Regional ...