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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

CRÔNICA DO DIA: A Última Lição do Dia dos Professores


Naquela manhã de outubro, a escola amanheceu com a mesma aparência de todos os dias: paredes descascadas, ventiladores cansados, ar condicionados quase frios, carteiras riscadas com declarações de amor que duravam menos que uma aula e um corredor onde os gritos dos alunos chegavam antes deles. Havia, porém, uma diferença no calendário. Era Dia dos Professores.

A Secretaria de Educação havia reorganizado as datas letivas para evitar folgas alternadas e garantir a continuidade das aulas. Por isso, enquanto algumas escolas celebravam a data com homenagens, bolos e fotografias nas redes sociais, naquela escola o sinal tocou normalmente. A festa ficara para outra ocasião. O conteúdo programático, não.

Na sala do nono ano, a professora  Maria do Amparo  preparava mais uma tentativa de fazer a língua portuguesa atravessar a fronteira da indiferença.

Tinha quase vinte anos de magistério e uma convicção que o tempo, apesar de tudo, ainda não conseguira aposentar: a escola deveria ensinar os alunos a ler o mundo antes mesmo de exigir que decifrassem as palavras. Gostava de Paulo Freire, acreditava no diálogo e defendia uma educação que libertasse, em vez de apenas disciplinar. Para ela, ensinar não era despejar regras gramaticais sobre cabeças distraídas, mas abrir janelas onde os alunos só enxergavam paredes.

Naquela turma, entretanto, as janelas pareciam emperradas.

Havia quem chutasse a mochila do colega, quem transformasse qualquer pergunta em motivo de zombaria, quem disputasse o volume da própria voz com o ventilador e quem já tivesse aprendido, antes mesmo de terminar o ensino fundamental, que intimidar os outros era uma maneira eficiente de conquistar espaço.

Amparo conhecia os nomes, os temperamentos e algumas das histórias que os alunos escondiam atrás dos gestos agressivos. Sabia que, em certas casas, faltava comida; em outras, sobravam gritos. Havia meninos que trabalhavam depois da aula, meninas que cuidavam dos irmãos menores e adolescentes que conheciam mais profundamente a linguagem das ofensas do que a dos afetos.

Compreender aquelas realidades, contudo, não tornava a sala de aula menos difícil. A professora sabia que a pobreza não condenava ninguém à violência, assim como conhecia alunos de famílias desestruturadas capazes de gestos extraordinários de ternura. Cada estudante era um universo, embora alguns insistissem em transformar a sala inteira num campo de batalha.

Naquela manhã, Helena decidiu começar de maneira diferente. Escreveu no quadro, em letras grandes:

QUEM TEM O DIREITO DE CONTAR A PRÓPRIA HISTÓRIA?

Em seguida, virou-se para a turma.

— Hoje, não quero começar pela gramática. Quero ouvir vocês. Se pudessem mudar alguma coisa no mundo, o que mudariam?

Um aluno respondeu que acabaria com as provas. Outro disse que proibiria os professores de passar atividades. A turma explodiu em gargalhadas. Do fundo, alguém imitou o som de uma sirene. Duas carteiras arrastaram-se pelo chão, e um pedaço de papel atravessou a sala como um pássaro sem rumo.

Amparo esperou. Acreditava que o silêncio também podia ser uma ferramenta pedagógica, embora naquele nono ano ele fosse um artigo de luxo.

— Professora, eu mudaria a escola inteira. — Disse um rapaz, sem tirar os olhos do celular. — Aqui ninguém escuta ninguém.

A frase provocou risos, mas Helena percebeu nela uma verdade involuntária.

— Então talvez seja por aí que a gente deva começar. — respondeu a professora. — Aprendendo a escutar.

Foi quando percebeu que Camila, sentada perto da janela, continuava mexendo no telefone, alheia à atividade. Ela era conhecida pelos enfrentamentos. Respondia aos professores, discutia com os colegas e parecia carregar nos ombros uma raiva maior que seu corpo franzino. Naquela manhã, tinha o rosto fechado e os olhos fixos na tela. Helena aproximou-se da carteira.

— Camila, guarde o celular e participe da atividade, por favor.

A menina não respondeu.

— Estou falando com você.

— E eu ouvi.

— Então guarde o aparelho.

Camila ergueu os olhos devagar.

— A senhora só sabe mandar.

Helena respirou fundo. Não queria transformar uma orientação em duelo. A experiência lhe ensinara que, diante de uma turma inquieta, certas palavras precisavam ser escolhidas com o cuidado de quem atravessa uma ponte estreita.

— Não estou aqui para mandar na sua vida. Estou aqui para ajudar você a aprender. Mas, para isso, precisamos respeitar o espaço de todos.

— Respeitar? — Camila soltou uma risada amarga. — Vocês falam de respeito, mas ninguém respeita a gente!

Alguns alunos começaram a incentivar a discussão. Outros puxaram os celulares, atentos à possibilidade de registrar uma cena que, minutos depois, poderia circular pelas redes sociais com uma legenda cruel.

Amparo sentiu a aula escapar por entre os dedos.

— Camila, sente-se direito, guarde o celular e vamos conversar depois. Agora, preciso continuar a atividade.

— A senhora não manda em mim!

— Não quero mandar em você. Quero que você entenda que sua liberdade não lhe dá o direito de impedir a liberdade dos outros.

Por um instante, a sala ficou suspensa naquela frase. Camila levantou-se bruscamente. A cadeira tombou para trás. A professora pediu que ela se acalmasse, mas a menina já não parecia ouvir. Havia insultos, vozes sobrepostas, colegas incentivando o confronto e uma tensão que crescia sem que ninguém soubesse como interrompê-la.

Amparo tentou manter a voz firme.

— Camila, por favor, vamos resolver isso conversando.

A resposta veio num movimento rápido, desesperado e irreversível. A lâmina de uma faca surgiu na mão da adolescente. Houve um grito. Depois, o silêncio.

Amparo levou a mão ao corpo e olhou para a própria palma, como se não compreendesse o vermelho que começava a manchá-la. Camila permaneceu imóvel por um segundo, os olhos arregalados diante daquilo que acabara de fazer. Alguém correu até a porta. Outro aluno começou a chorar. As carteiras, antes instrumentos de barulho, pareciam agora testemunhas incapazes de falar.

A professora caiu.

Naquele instante, o Dia dos Professores deixou de ser uma data no calendário e se transformou numa pergunta terrível: em que momento a escola, que deveria ser um lugar de encontro, se tornara um lugar onde uma educadora precisava temer pela própria vida?

Os minutos seguintes foram de desespero. Chamaram a direção, pediram socorro, afastaram os estudantes. Helena foi amparada até a chegada do atendimento médico. Camila, ainda em choque, foi retirada da sala.

Sobre a mesa, o livro de língua portuguesa permanecia aberto. A atividade continuava pela metade. No quadro, a pergunta escrita em letras grandes parecia olhar para todos:

Quem tem o direito de contar a própria história?

Naquela manhã, ninguém conseguiu respondê-la.

Amparo sobreviveu, mas alguma coisa nela permaneceu naquela sala. Não apenas o medo, nem somente a lembrança da lâmina. Ficou a imagem dos rostos adolescentes, do celular erguido, das vozes que incentivavam a briga e do instante em que uma tentativa de ensinar se converteu numa luta pela sobrevivência.

Nos dias seguintes, vieram as notícias, os comentários, as opiniões apressadas. Houve quem culpasse a professora por ter chamado a atenção da aluna. Houve quem exigisse punições exemplares. Outros aproveitaram a tragédia para atacar a escola pública, como se os problemas de uma sociedade inteira coubessem nos muros de uma instituição.

Poucos perguntaram quantos alunos naquela escola precisavam de acompanhamento psicológico, quantos professores trabalhavam sem apoio suficiente, quantas famílias estavam desamparadas e quantas vezes a violência havia dado sinais antes de explodir.

Compreender as circunstâncias não significava justificar a agressão. Camila precisava responder pelo que fizera, de acordo com a lei e com sua condição de adolescente. Amparo tinha o direito de ser protegida, cuidada e respeitada. E a escola precisava de condições reais para ensinar, acolher e estabelecer limites.

A educação libertadora em que Amparo acreditava nunca significara ausência de regras, muito menos a obrigação de um professor aceitar humilhações ou correr riscos para provar sua vocação. Liberdade sem responsabilidade não constrói convivência. Diálogo sem segurança não se sustenta. E nenhuma pedagogia pode exigir que um educador ofereça a própria integridade física como material didático.

Talvez a grande tragédia daquela manhã não tivesse começado no instante em que a lâmina apareceu. Talvez tivesse raízes mais antigas, espalhadas por ausências, negligências, agressividades naturalizadas e pela dificuldade coletiva de reconhecer que educar é uma tarefa de toda a sociedade, não apenas de quem entra numa sala com um livro debaixo do braço.

Mas seria injusto reduzir Amparo à condição de vítima. Ela era professora antes daquele dia e continuava sendo muito mais do que a violência que sofrera. Era a mulher que preparava aulas, corrigia redações, inventava estratégias para despertar curiosidade e acreditava que uma palavra bem colocada poderia abrir caminhos.

Era uma profissional que merecia voltar para casa em segurança. E isso, que deveria ser tão simples, tornou-se uma reivindicação urgente.

No Brasil, há milhares de Amparos que entram nas escolas carregando livros, cadernos, planos de aula e uma esperança que raramente aparece nos contracheques. Professores que improvisam laboratórios onde faltam equipamentos, transformam textos em debates, fazem da poesia uma ponte para a realidade e tentam descobrir, entre uma provocação e outra, o que ainda pode despertar o interesse de um adolescente.

São profissionais que ensinam a diferença entre uma metáfora e uma mentira, entre uma opinião e um argumento, entre discordar de alguém e desejar destruí-lo. Ensinam que a palavra pode ferir, mas também pode reparar; que a liberdade exige responsabilidade; que ninguém precisa humilhar o outro para ser ouvido.

Não são heróis de uma profissão destinada ao sacrifício. São trabalhadores. Precisam de salários dignos, formação continuada, respeito, segurança, equipes de apoio, escolas bem estruturadas e políticas públicas que não os abandonem diante de problemas que ultrapassam os limites da sala de aula.

Neste Dia dos Professores, enquanto flores, cartões e homenagens percorrem as redes sociais, vale lembrar que o melhor presente não é um discurso bonito pronunciado uma vez por ano. É a garantia de que cada educador possa ensinar sem medo, de que cada estudante encontre na escola oportunidades reais de crescimento e de que a sociedade compreenda que a violência contra um professor fere muito mais do que uma pessoa: atinge o próprio sentido da educação.

Quanto a Helena, talvez um dia volte a escrever no quadro. Talvez escolha outra pergunta, outro texto, outra maneira de começar a aula. Não sabemos se conseguirá apagar inteiramente o que viveu. Algumas feridas não obedecem ao calendário escolar.

Mas, se voltar, que encontre uma escola diferente. Uma escola onde sua voz não precise disputar espaço com ameaças, onde o diálogo seja acompanhado de responsabilidade e onde ensinar não seja um ato de coragem diante do perigo, mas um exercício cotidiano de dignidade.

E que, ao abrir o livro, encontre novamente aquilo que a fez escolher o magistério: a possibilidade de que uma palavra alcance alguém, permaneça em sua memória e ajude a mudar o rumo de uma vida.

Porque há lições que não cabem no quadro. Há mestres que continuam ensinando mesmo quando o mundo lhes oferece motivos para desistir. E há uma dívida que o Brasil precisa reconhecer: não basta aplaudir os professores no dia em que se celebra sua profissão. É preciso defendê-los em todos os dias em que exercem o direito de ensinar.

Aos professores brasileiros, que fazem da palavra uma ferramenta de transformação e da sala de aula um território de possibilidades, nossa homenagem, nosso respeito e nossa gratidão.

Que nunca lhes faltem livros para ensinar, liberdade para pensar, condições para trabalhar e segurança para voltar para casa. E que nenhum professor precise derramar o próprio sangue para que o Brasil finalmente compreenda o valor de sua missão. Porque, quando um professor é ferido, não é apenas uma pessoa que sangra.

É o futuro inteiro que perde uma página.


José Casanova

Professor, Jornalista, Escritor e Cronista

Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Bairro Trizidela recebe Movimento Pró-Lula e declara apoio no segundo turno em Bacabal

 

O Bairro Trizidela, em Bacabal, recebeu nesta quinta-feira(08) e sexta-feira(09) uma mobilização do Movimento Pró-Lula, que reúne diversos segmentos sociais do município em uma agenda de diálogo com a população para o segundo turno das eleições presidenciais.

A caminhada percorreu as ruas da comunidade e foi marcada pela participação dos moradores, que acolheram o movimento com entusiasmo, acompanhando o grupo em um clima de animação, com músicas, manifestações de apoio e mensagens em defesa da democracia.

Durante o percurso, vários moradores fizeram questão de se aproximar e utilizar a palavra para expressar suas opiniões, relatar suas expectativas e participar do debate político promovido pelo movimento. A presença da comunidade transformou a atividade em um momento de escuta e conversa direta entre os participantes e os moradores do bairro.

Segundo os organizadores, um dos principais objetivos do Movimento Pró-Lula em Bacabal é ampliar o diálogo com eleitores indecisos e também com pessoas que não participaram do primeiro turno, apresentando informações e argumentos sobre a importância da escolha presidencial.

As conversas realizadas durante a caminhada abordaram temas relacionados às propostas dos candidatos, aos impactos das decisões políticas na vida da população e aos diferentes cenários para o país após o segundo turno. De acordo com os integrantes do movimento, os esclarecimentos apresentados foram recebidos com atenção pelos moradores da Tridela.

O Movimento Pró-Lula em Bacabal já possui uma programação de novas atividades para os próximos dias, incluindo outras caminhadas em diferentes bairros da cidade, mantendo uma agenda de mobilização, diálogo comunitário e participação popular em defesa da democracia e reeleição do Presidente Lula.

*AGENDA DO MOVIMENTO PRÓ-LULA EM BACABAL









terça-feira, 6 de outubro de 2026

Seguidores de Lula se organizam para o segundo turno em Bacabal

Apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começaram a se organizar em Bacabal para a campanha do segundo turno das eleições presidenciais. Uma reunião realizada no Comitê de Lula, localizado na Rua Magalhães de Almeida, marcou o início da articulação de diferentes setores políticos e sociais do município.

O encontro, articulado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) de Bacabal,predsidido pela professora Mariana e Wiliam do PT e Raimundo Sousa, conseguiu agregar, inicialmente, representantes e apoiadores do PSOL, PCdoB e Rede Sustentabilidade, ampliando o diálogo entre as forças políticas que defendem a candidatura de Lula no segundo turno

Além das representações partidárias, a reunião contou com expressiva participação de diferentes segmentos da sociedade bacabalense. Professores, jornalistas, influenciadores digitais, trabalhadores rurais, empresários ,estudantes e operários estiveram entre os presentes, demonstrando a intenção de construir uma mobilização plural em torno da campanha.

Durante o encontro, os participantes tiveram espaço para se apresentar e falar sobre suas expectativas para esta nova etapa do processo eleitoral. As manifestações foram marcadas pelo sentimento de esperança em uma vitória de Lula no segundo turno e pela defesa da democracia como um dos principais pontos de convergência entre os presentes.

As falas também destacaram a necessidade de ampliar o diálogo com a população de Bacabal e intensificar a mobilização nas próximas semanas. A proposta é aproximar diferentes setores da sociedade, organizar atividades e fortalecer a presença da campanha nas ruas e também nas redes sociais.

Não foi feita uma análise da conjuntura pois todos já sabem o projeto defendido pelas as candidaturas postas no segundo turno, Várias pessoas presentes se voluntariaram para participar das comissões de mobilização, finanças e mídia. As pessoas espontaneamente decidiram contribuir para produzirem os primeiros matériais de campanha que serão adicionados a outros preparados pelo partido.

Está definido que quinta-feira os apoiadores de Lula em Bacabal se concentraram a partir das 16h, para em seguida seguirem em caminhada até o bairro Trizidela num primeiro arrastão para conversar com a comunidade de casa em casa.

O encontro representou, dessa forma, um primeiro movimento de reorganização das forças políticas e sociais que apoiam Lula no município após o resultado do primeiro turno.

A expectativa dos participantes é de que novas lideranças, movimentos sociais e cidadãos sem filiação partidária também se integrem à mobilização ao longo da campanha.

Para os apoiadores reunidos no Comitê, o segundo turno será mais do que uma disputa eleitoral: será também um período de mobilização política em defesa da democracia e do projeto de país que acreditam estar representado pela candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.










segunda-feira, 5 de outubro de 2026

CRÔNICA DO DIA: O Voto e o Lombo

 

A urna tem dessas ironias. Às vezes, a mão que aperta o botão parece esquecer o corpo que a sustenta. Esquece o despertador tocando antes do sol. Esquece o ônibus lotado, a marmita, a jornada que ocupa seis dias da semana e deixa apenas um para descansar, cuidar da casa, abraçar os filhos e tentar lembrar que a vida deveria ser mais do que trabalhar para sobreviver.

Esquece a fila do supermercado e aquela conta silenciosa feita diante da prateleira: isso cabe no salário? Dá para levar a carne? O leite? O remédio? E se faltar dinheiro antes do fim do mês?

A política, para quem tem pouco, nunca foi apenas uma discussão abstrata entre esquerda e direita. Política é comida. É salário. É aposentadoria. É universidade. É financiamento estudantil. É a prestação da casa própria. É o preço do gás. É o ônibus que leva ao trabalho. É saber se, depois de uma vida inteira contribuindo, haverá alguma segurança na velhice.

Por isso me espanta quando trabalhadores transformam a política numa espécie de torcida e passam a defender projetos sem perguntar primeiro o que esses projetos significarão na própria mesa.

Há quem receba Bolsa Família e despreze políticas sociais. Há quem dependa do salário mínimo e trate sua valorização como assunto menor. Há pais e mães que jamais poderiam pagar uma universidade particular, mas cujos filhos chegaram ao ensino superior por programas como Prouni e Fies. Há famílias que passaram décadas pagando aluguel e enxergaram no Minha Casa, Minha Vida a primeira possibilidade concreta de chamar quatro paredes de suas.

Nada disso deveria pertencer a um político como propriedade pessoal. São políticas públicas. São escolhas de país. E, justamente por isso, precisam ser discutidas, cobradas, fiscalizadas e defendidas quando funcionam.

O eleitor deveria perguntar a qualquer candidato — Lula, Flávio Bolsonaro ou qualquer outro — coisas muito simples: o que acontecerá com meu salário? Com minha aposentadoria? Com a universidade do meu filho? Com os programas habitacionais? Com os direitos de quem trabalha? Com a jornada de trabalho? Com o preço dos alimentos? E, sobretudo, com a democracia?

Porque eleição não é concurso para escolher quem fala mais alto. É uma decisão sobre quem pagará a conta depois.

Às vezes observo certas escolhas políticas e me vem à cabeça, como metáfora imperfeita, a chamada Síndrome de Estocolmo: aquela associação conhecida popularmente pela situação paradoxal em que uma vítima desenvolve vínculo ou lealdade em relação a quem a submete ou ameaça. Na política, a comparação deve ser usada com cuidado, mas a imagem provoca uma pergunta incômoda: por que alguém apoiaria alegremente aquilo que acredita poder prejudicá-lo?

Talvez porque a política tenha conseguido uma façanha terrível: fazer muita gente votar primeiro pela identidade e somente depois pelo próprio interesse concreto.

O trabalhador passou a dizer que é “de direita” ou “de esquerda” antes de perguntar quem defende sua jornada, seu salário e sua dignidade. O aposentado escolhe uma camisa antes de conferir o que cada projeto pretende fazer com sua aposentadoria. O jovem aprende o nome do inimigo político antes de descobrir quem pretende ampliar ou restringir suas oportunidades.

E então nasce uma tentação amarga. Às vezes penso: talvez seja preciso sentir no próprio lombo.

Talvez algumas sociedades só compreendam o valor de determinadas conquistas quando correm o risco de perdê-las. É fácil desprezar uma ponte enquanto estamos atravessando por ela. Difícil é perceber sua importância depois que o rio fica entre nós e o outro lado.

Mas esse pensamento dura pouco. Política não deveria ser uma experiência de sofrimento destinada a ensinar uma lição. Um país inteiro não pode ser colocado em risco para que uma parcela de seus cidadãos descubra, tarde demais, o peso das próprias escolhas.

Democracia é justamente o contrário disso. É escolher antes da queda. É desconfiar das promessas. É comparar projetos. É cobrar números. É verificar declarações. É lembrar do passado sem transformar ninguém em santo e olhar para o futuro sem transformar ninguém em salvador.

Tenho minha opinião sobre Lula. Tenho também minhas críticas. Nenhum governante deve estar acima delas. Mas considero impossível negar a dimensão que ele adquiriu na história política brasileira e, sobretudo, o lugar que as políticas sociais associadas aos seus governos ocuparam na vida de milhões de brasileiros.

O eleitor, entretanto, não deve nada a Lula. Nem a Flávio Bolsonaro. Nem a partido algum. Deve alguma coisa apenas a si mesmo, à sua família e ao país que deixará para os filhos. Por isso, depois do barulho do primeiro turno, talvez a pergunta mais importante não seja: “De que lado eu estou?” Talvez seja outra: “Que país haverá do outro lado do meu voto?”

Porque a urna leva poucos segundos, mas resultado dela pode durar anos.

José Casanova

Professor, Jornalista, Escritor e Cronista

Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade

 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Prefeito Roberto Costa sanciona lei que torna Festa de Santa Teresinha Patrimônio Cultural Imaterial de Bacabal

 

O prefeito de Bacabal, Roberto Costa, sancionou nesta quinta-feira (1º de outubro) a Lei nº 1.755/2026, que declara a Festa de Santa Teresinha Patrimônio Cultural Imaterial do Município. A assinatura da legislação ocorreu durante a tradicional Missa das Rosas, celebrada no encerramento dos festejos em homenagem à padroeira de Bacabal, que neste ano completam 90 anos de história, fé e devoção.

A data, que integra o calendário do feriado municipal dedicado às celebrações de Santa Teresinha, movimentou a cidade ao longo de todo o dia. No final da tarde, fiéis participaram da Santa Missa na Igreja de Sant'Ana e São Joaquim e, posteriormente, acompanharam a Procissão Luminosa pelas ruas de Bacabal até a Catedral de Santa Teresinha.

Na chegada à Catedral, uma multidão aguardava para participar da tradicional Missa das Rosas, presidida pelo bispo da Diocese de Bacabal, Dom Armando Martín Gutiérrez. Durante a celebração, foi realizada a assinatura solene da nova legislação, que reconhece oficialmente a festividade como parte do patrimônio cultural imaterial do município.

Ao destacar a importância da iniciativa, o prefeito Roberto Costa ressaltou que o reconhecimento ultrapassa o aspecto religioso e representa a preservação de uma tradição que faz parte da identidade de Bacabal.

“É um momento muito especial para mim, porque o que nós fazemos aqui é o reconhecimento de um patrimônio que não é feito de concreto, mas acima de tudo de sentimento. Imaterial significa dizer que não é algo concreto; é algo que você sente através da festa e de toda a fé que nós temos. Essa festa de Santa Teresinha já é um patrimônio no coração de todo bacabalense e da comunidade católica.”

Lei preserva manifestações culturais e religiosas

A Lei nº 1.755/2026 contempla o conjunto de manifestações culturais, religiosas e comunitárias relacionadas à Festa de Santa Teresinha, realizada tradicionalmente entre a segunda quinzena de setembro e o dia 1º de outubro.

Entre as manifestações abrangidas pelo reconhecimento estão os novenários, procissões, celebrações litúrgicas e apresentações artísticas que integram a programação dos festejos.

A legislação tem como objetivo preservar a memória histórica da festividade, valorizar as expressões culturais e religiosas da comunidade e contribuir para a continuidade das tradições ao longo das próximas gerações.

Para o bispo da Diocese de Bacabal, Dom Armando Martín Gutiérrez, a sanção representa um momento significativo para a história do município.

“É um presente que o prefeito Roberto Costa está dando para Bacabal. São 90 anos dessa celebração de Santa Teresinha, a padroeira da nossa cidade. Estamos felizes por esse reconhecimento!”

Fé que atravessa gerações

Durante o ato, Roberto Costa também destacou a relação construída ao longo das décadas entre a devoção a Santa Teresinha e a vida das famílias bacabalenses.

Segundo o prefeito, a fé na padroeira está presente não apenas nas celebrações religiosas, mas também nos momentos de dificuldades enfrentados pela população.

“A fé em Santa Teresinha e os pedidos pela sua intercessão ao nosso Senhor mexem com a fé e com as dificuldades que as pessoas enfrentam na saúde ou na economia. Santa Teresinha tem sido essa grande mãe que abraça e traz esperança para a vida da nossa população. Como prefeito e membro da comunidade católica, fico muito feliz em assinar essa lei e materializar um sentimento de gratidão e carinho que sempre existiu no nosso município.”

Com a sanção da Lei nº 1.755/2026, a Festa de Santa Teresinha passa a contar com reconhecimento formal como patrimônio cultural imaterial de Bacabal. A medida reforça a preservação de uma tradição que, há nove décadas, reúne manifestações de fé, cultura e participação comunitária e integra a memória coletiva da cidade.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Vila da Paz confirma apoio ao Time Roberto Costa durante arrastão em Bacabal

A Vila da Paz foi palco, nesta quarta-feira (23), de mais uma mobilização política do grupo liderado pelo prefeito Roberto Costa, em Bacabal. O Arrastão do Time Roberto Costa percorreu as ruas do bairro e reuniu moradores, apoiadores e lideranças políticas em uma demonstração de apoio às candidaturas que integram o grupo.

Durante o percurso, o prefeito Roberto Costa e o deputado estadual Davi Brandão foram recebidos pelos moradores, que acompanharam a caminhada e participaram das manifestações de apoio. A mobilização também destacou a presença da administração municipal nas comunidades e ações realizadas ao longo da gestão.

Para a dona de casa Maria dos Santos, a presença do prefeito no bairro representa a continuidade de um trabalho que, segundo ela, vem sendo acompanhado pelos moradores.

“Eu estou com Roberto Costa porque ele tem feito um grande trabalho na cidade. A gente acompanha as ações e está com ele e com o time Roberto Costa”, afirmou.

Roberto Costa agradece receptividade

Durante o arrastão, Roberto Costa agradeceu a participação dos moradores e destacou a proximidade mantida com as comunidades de Bacabal.

“Eu fico muito feliz quando venho nessas comunidades, porque isso tem sido a minha vida: estar sempre junto com a população. E quando a gente volta, em um momento como esse, para pedir o apoio da população, a gente fica feliz porque a população nos abraça de uma forma efusiva e as pessoas, mais uma vez, dizem que vão dar o voto de confiança pelo trabalho que estamos fazendo”, declarou.

Em outro momento, o prefeito mencionou as lideranças que integram o grupo político e pediu união aos apoiadores durante a reta final da campanha.

“A Vila da Paz já disse que o time que ela vai nessa eleição é o time do prefeito Roberto Costa, com o nosso governador Orleans Brandão, com a nossa senadora Roseana, com o nosso senador Weverton, com a nossa deputada federal Iracema Vale e com o nosso deputado estadual Davi Brandão. Vamos juntos porque a vitória vem, porque a vitória é do povo de Bacabal”, afirmou.

Próximo arrastão

A agenda do grupo continua nesta quinta-feira (24). A partir das 16h, o Arrastão do Time Roberto Costa será realizado nos bairros Novo Bacabal e Vila Frei Solano, dando sequência à mobilização política nos bairros de Bacabal.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Câmara de Bacabal aprova reconhecimento do Festejo de Santa Terezinha como Patrimônio Cultural Imaterial do município

 

A Câmara Municipal de Bacabal realizou, nesta quarta-feira (23), mais uma sessão ordinária marcada por debates, aprovação de matérias e pela valorização de uma das mais tradicionais manifestações religiosas e culturais do município. A reunião foi conduzida pela presidente da Casa, vereadora Natália Duda (MDB), que abriu os trabalhos regimentais e convidou o professor Markim para realizar a leitura bíblica, seguindo a tradição das sessões do Legislativo bacabalense.

Na sequência, o vereador Reginaldo do Posto (PP) realizou a leitura da ata da sessão anterior, que posteriormente foi apreciada pelos parlamentares. Em seguida, o vereador Alberto Sobrinho fez a leitura da Ordem do Dia, apresentando as matérias que seriam analisadas pelo plenário.

Durante a sessão, os vereadores aprovaram requerimentos em bloco e encaminharam indicações para os setores responsáveis do Poder Executivo. Entretanto, o principal destaque da reunião foi a aprovação do Projeto de Lei encaminhado pelo Executivo Municipal (Prefeito Roberto Costa) em regime de urgência, que reconhece o Festejo de Santa Terezinha como Patrimônio Cultural Imaterial de Bacabal.

A aprovação representa um marco para a preservação da história e da identidade cultural do município. O reconhecimento de uma festa religiosa como patrimônio cultural imaterial significa oficializar que aquela manifestação é um elemento vivo, essencial para a memória, a tradição e o sentimento de pertencimento de uma comunidade.

Diferentemente de um patrimônio material, como uma igreja, monumento ou imagem religiosa, o patrimônio imaterial está relacionado às práticas, celebrações, rituais, cantorias, expressões de fé, costumes e conhecimentos transmitidos entre gerações.

No caso do Festejo de Santa Terezinha, o reconhecimento valoriza a vivência religiosa e cultural dos bacabalenses, destacando a importância da participação popular, da fé coletiva e dos elementos que fazem parte da história do município.

Além disso, o título de patrimônio cultural imaterial contribui para a proteção e salvaguarda da tradição, possibilitando ações de documentação, apoio e preservação por parte dos órgãos públicos responsáveis pela valorização cultural, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

A medida também reforça o respeito à diversidade cultural e religiosa, reconhecendo que manifestações como o Festejo de Santa Terezinha fortalecem os vínculos comunitários e representam parte da formação histórica e social de Bacabal.

Debates na tribuna

No espaço destinado aos pronunciamentos, fizeram uso da palavra os vereadores Jairo Lira (PSB), Bertulino(PSDB), Cândido de Madureira( UNIÃO), Feitosa( UNIÃO) e Luizinho Padeiro(PSDB).

Durante suas manifestações, os parlamentares abordaram temas relacionados à realidade política e administrativa do município, além de destacarem questões ligadas ao cenário eleitoral e aos candidatos apoiados por cada um deles.

Os discursos reforçaram o papel da tribuna como espaço democrático de diálogo, onde os vereadores apresentam suas opiniões, defendem suas posições e levam ao conhecimento da população os assuntos que consideram relevantes.

Ao final, a sessão foi encerrada após a votação das matérias previstas na pauta e os pronunciamentos dos parlamentares.