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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Prefeito Roberto Costa parabeniza Natália Duda pela reeleição à presidência da Câmara de Bacabal

O prefeito de Bacabal, Roberto Costa, parabenizou a vereadora Natália Duda pela reeleição à presidência da Câmara Municipal para o biênio 2027/2028. A parlamentar foi reconduzida ao comando do Legislativo durante eleição realizada nesta quarta-feira (28), conquistando 12 dos 17 votos dos vereadores.

A votação ocorreu de forma secreta, no plenário da Câmara Municipal, com a participação de duas chapas que disputaram os cinco cargos da Mesa Diretora.

A Chapa 1 foi encabeçada pelo vereador Professor Maninho, tendo Jairo Lira como candidato a primeiro vice-presidente, Feitosa Braga a segundo vice-presidente, Cândido de Madureira a primeiro secretário e Romário Alves a segundo secretário.

Já a Chapa 2, vencedora do pleito, foi formada por Natália Duda, presidente; Serafim Reis, primeiro vice-presidente; Elizabeth da Colônia, segunda vice-presidente; Alberto Sobrinho, primeiro secretário; e Reginaldo do Posto, segundo secretário.

Com o resultado, Natália Duda garantiu a continuidade de sua atuação à frente do Legislativo municipal pelos próximos dois anos. Após a eleição, a parlamentar agradeceu a confiança dos colegas vereadores e destacou a importância da parceria institucional com a Prefeitura de Bacabal.

“Quero agradecer primeiramente a Deus e aos colegas vereadores que confiaram na continuidade do nosso trabalho. Agradeço também ao prefeito Roberto Costa e tenho a certeza de que, juntos, continuaremos trabalhando por Bacabal. Estou muito honrada por ser a primeira mulher reeleita presidente da Câmara Municipal de Bacabal”, declarou Natália Duda.

Prefeito destaca diálogo e harmonia entre os poderes

Ao comentar o resultado, o prefeito Roberto Costa felicitou a presidente reeleita e os demais integrantes da nova Mesa Diretora, desejando sucesso na condução dos trabalhos legislativos durante o próximo biênio.

O gestor municipal também reafirmou seu compromisso com uma relação institucional pautada pelo diálogo, pela cooperação e pelo respeito à autonomia dos poderes Executivo e Legislativo, destacando a importância dessa convivência para atender às necessidades da população bacabalense.

“Parabenizo a amiga Natália Duda pela reeleição à presidência da Câmara Municipal de Bacabal! Desejo a ela e a toda a Mesa Diretora muito sucesso. Seguiremos trabalhando juntos, respeitando a independência dos poderes e mantendo uma relação de diálogo, parceria e harmonia, pelo bem de Bacabal e da nossa população”, afirmou o prefeito.

A Mesa Diretora eleita será responsável pela condução administrativa e legislativa da Câmara Municipal durante o biênio 2027/2028.

A relação entre Prefeitura e Câmara Municipal é fundamental para a discussão de projetos, a apreciação de propostas e o encaminhamento de demandas de interesse coletivo, sempre observadas as competências e a independência de cada poder.

Com a definição da nova composição, o Legislativo de Bacabal inicia a preparação para o próximo biênio, período em que o diálogo institucional e o exercício das atribuições parlamentares continuarão sendo essenciais para o atendimento das demandas do município.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

CRÔNICA DO DIA: Servidor Público - Quem Serve Também Merece Respeito

 

Ainda era madrugada quando dona Lúcia acordou. O relógio marcava quatro e meia. Na cozinha pequena, o café requentado dividia espaço com as contas vencidas sobre a mesa. Vestiu a roupa cuidadosamente passada na noite anterior, prendeu os cabelos, beijou a filha que ainda dormia e saiu para mais um dia de trabalho.

Dona Lúcia era servidora pública. Trabalhava na recepção de uma unidade de saúde havia quase vinte anos. Conhecia pelo nome muitas das pessoas que chegavam à procura de atendimento. Sabia das dores de algumas, das dificuldades de outras e até dos remédios que certos idosos tomavam. Não era médica, não receitava medicamentos, não fazia milagres. Mas tinha uma qualidade que, em tempos de tanta pressa, parecia cada vez mais rara: sabia ouvir.

Naquela manhã, porém, nem toda a paciência do mundo parecia suficiente.

— Isso aqui é uma vergonha! Vocês não fazem nada! São pagos com o nosso dinheiro! — Gritou um homem, irritado com a demora no atendimento.

Dona Lúcia respirou fundo. Tentou explicar que faltavam profissionais, que o sistema estava lento e que havia pacientes aguardando desde cedo. Não conseguiu terminar.

— Funcionário público é tudo igual! Só quer saber de salário no fim do mês!

Ela baixou os olhos. Não por concordar, mas porque aprendera, ao longo dos anos, que algumas pessoas não procuram explicações. Procuram alguém sobre quem descarregar suas frustrações.

O homem não sabia que dona Lúcia também pagava impostos. Que enfrentava ônibus lotados. Que, muitas vezes, comprava material de expediente com o próprio dinheiro. Que já havia deixado de acompanhar uma apresentação escolar da filha porque precisara permanecer no trabalho.

Também não sabia que, naquela manhã, ela estava com a mãe internada e o coração apertado de preocupação. Mas dona Lúcia permaneceu ali. Atendendo.

Do outro lado da cidade, seu Antônio Moraes, professor de uma escola pública, tentava convencer um adolescente de que estudar ainda valia a pena. O menino, desanimado, dizia que precisava abandonar a escola para trabalhar.

Seu Antônio não tinha uma resposta fácil. Conhecia a pobreza de perto. Sabia que a fome nem sempre espera o futuro chegar. Mesmo assim, conversou, procurou alternativas, chamou a família e insistiu para que o garoto não desistisse.

Na semana anterior, havia sido chamado de incompetente por um pai inconformado com a nota do filho. Também ouvira que professor trabalhava pouco e reclamava demais.

Naquela noite, depois de corrigir provas e preparar aulas, ficou olhando a velha fotografia de sua primeira turma. Perguntou a si mesmo se ainda fazia alguma diferença.

Fazia. Só não aparecia nas manchetes.

Havia também Maria das Dores, auxiliar de serviços gerais da escola municipal Rosimeire Torres Nunes no bairro Caxuxa em Alto alegre do Maranhão. Chegava antes dos alunos e saía depois de muitos deles. Limpava salas, corredores e banheiros. Recolhia o lixo, lavava o chão e cuidava de espaços que alguns sujavam sem o menor constrangimento.

Certa vez, ouviu de uma visitante:

— Chame alguém importante para resolver isso!

Maria ficou em silêncio. Por um instante, teve vontade de perguntar quem havia decidido que seu trabalho não era importante. Mas apenas respondeu:

— Vou procurar a pessoa responsável.

Naquele dia, voltou para casa com uma tristeza que não soube explicar aos filhos.

Talvez porque certas palavras machuquem mais do que o cansaço.  E assim segue o Brasil.

Um país sustentado diariamente por milhares de mãos que quase nunca aparecem nas fotografias oficiais. Mãos que vacinam crianças, ensinam a ler, cuidam de idosos, recolhem o lixo, fiscalizam alimentos, combatem incêndios, organizam documentos, atendem famílias e garantem que direitos escritos nas leis possam existir na vida real.

É verdade que o serviço público brasileiro tem problemas. Há burocracia excessiva, estruturas precárias, falhas de gestão e profissionais que não cumprem adequadamente suas responsabilidades. Negar isso seria fechar os olhos à realidade. Mas seria igualmente injusto transformar essas falhas em uma condenação coletiva.

O servidor público não é o dono do serviço. É alguém que trabalha para que ele exista. E, muitas vezes, é justamente quem recebe as reclamações por decisões que não tomou, por recursos que não administra e por problemas que não tem poder para resolver.

Há uma diferença enorme entre cobrar eficiência e humilhar uma pessoa. Entre exigir direitos e negar dignidade a quem trabalha.

O cidadão tem todo o direito de reclamar de um atendimento inadequado. Tem o direito de fiscalizar, denunciar irregularidades e exigir que os serviços públicos funcionem. Afinal, o Estado existe para servir à sociedade. Mas o respeito precisa caminhar junto com a cobrança.

Talvez tenhamos nos acostumado a enxergar o servidor apenas quando alguma coisa dá errado. Quando a fila demora, quando falta um medicamento, quando o documento não fica pronto ou quando a escola enfrenta dificuldades. Raramente nos lembramos dele quando a criança aprende a primeira palavra, quando uma vacina salva uma vida, quando um incêndio é controlado ou quando uma família consegue acessar um direito que desconhecia.

Nessas horas, o serviço público simplesmente funciona. E aquilo que funciona em silêncio quase nunca recebe aplausos.

No fim daquela tarde, dona Lúcia encerrava o expediente quando uma senhora se aproximou lentamente do balcão. Era uma paciente que havia sido atendida semanas antes.

— Minha filha, eu só voltei para lhe agradecer. Naquele dia em que cheguei aqui desesperada, você me tratou como gente.

Dona Lúcia sorriu. Um sorriso pequeno, desses que nascem depois de um dia comprido.

A senhora segurou sua mão e completou:

— A gente nunca esquece quem cuida da gente.

Na volta para casa, sentada junto à janela do ônibus, dona Lúcia pensou naquela frase. Não havia recebido aumento, promoção ou qualquer reconhecimento oficial. Os problemas continuavam os mesmos. No dia seguinte, provavelmente haveria novas filas, novas reclamações e novas dificuldades. Mas, naquela noite, levou consigo a certeza de que seu trabalho tinha sentido.

No dia 28 de outubro, quando se comemora o Dia do Servidor Público, talvez o maior reconhecimento não esteja nas homenagens protocolares, nas mensagens bonitas ou nos discursos que desaparecem no dia seguinte. Talvez esteja em compreender que, por trás de cada balcão, de cada sala de aula, de cada unidade de saúde e de cada repartição, existe uma pessoa. Alguém com família, sonhos, contas a pagar, problemas e uma história que merece ser respeitada.

O Brasil precisa de servidores preparados, comprometidos e responsáveis. Mas precisa também de condições dignas de trabalho, valorização profissional e uma sociedade que saiba distinguir o direito de cobrar da pretensão de humilhar. Porque o serviço público não é um favor concedido à população. É um direito da população e um compromisso do Estado.

E quem dedica a vida a fazer esse direito chegar às pessoas não deveria precisar abrir mão da própria dignidade. Afinal, antes de ser servidor, é gente. E quem serve ao público não deixa de merecer respeito por isso.


José Casanova

Professor, Jornalsita, Escritor e Crônista

Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade

 

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Obras do Hospital Materno Infantil de Bacabal chegam a 75% de conclusão e devem ser entregues em fevereiro

 

O prefeito de Bacabal, Roberto Costa, realizou, nesta terça-feira (27 de outubro), uma visita de vistoria às obras de reforma e ampliação do Hospital Municipal Materno Infantil. Segundo as informações apresentadas durante a visita, aproximadamente 75% dos serviços físicos já foram executados, e a previsão da administração municipal é entregar a unidade reformada em fevereiro de 2027.

A intervenção busca melhorar as condições de atendimento a gestantes, mulheres no período pós-parto e crianças, além de ampliar a capacidade de internação e adequar os espaços hospitalares às necessidades dos pacientes e dos profissionais de saúde

.Com a conclusão da reforma, a expectativa é que o hospital passe a contar com aproximadamente 50 leitos, sendo seis destinados à Unidade de Cuidados Intensivos (UCI). O projeto também prevê ambientes específicos para recuperação pós-operatória e isolamento de pacientes, além da reorganização dos setores de atendimento.

A obra passou por um replanejamento técnico, com a participação de profissionais especializados em engenharia hospitalar. As mudanças consideram exigências sanitárias, normas de segurança e necessidades operacionais de uma unidade voltada à assistência materno-infantil.

Durante a vistoria, Roberto Costa destacou a importância de melhorar a estrutura da rede pública de saúde, especialmente os serviços destinados às mulheres e às crianças.

“A saúde termina sendo um ponto extremamente sensível, porque a gente trata com a vida das pessoas, com a vida das nossas crianças, com a vida das nossas gestantes, que precisavam ter um olhar mais prioritário, um olhar mais sensível”, afirmou o prefeito.

Ampliação da assistência materno-infantil

A reforma do Materno Infantil faz parte das intervenções anunciadas pela Prefeitura de Bacabal para a rede municipal de saúde. Entre as ações mencionadas pela administração estão melhorias no Hospital Geral de Bacabal, conhecido como Socorrão, e a descentralização dos serviços por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

A proposta é reorganizar a assistência hospitalar e fortalecer o atendimento às gestantes e crianças, proporcionando condições mais adequadas para internações e procedimentos médicos.

“Com a reforma que nós estamos fazendo aqui no Materno, nós vamos fechar um ciclo de qualidade, mas, acima de tudo, de segurança para todas as gestantes do nosso município e também para que a gente possa continuar avançando e melhorando o atendimento das nossas crianças numa nova estrutura”, declarou Roberto Costa.

Previsão de entrega para fevereiro de 2027

Embora a estrutura física tenha atingido aproximadamente 75% de execução, ainda restam etapas até a conclusão e a entrega definitiva do hospital. A previsão anunciada pelo prefeito é que a inauguração ocorra em fevereiro do próximo ano.

“Acredito que até fevereiro iremos inaugurar a nossa maternidade. Será uma estrutura que não deixará a desejar em relação a nenhuma maternidade do Maranhão. Iremos proporcionar um atendimento hospitalar que possa garantir, com qualidade e segurança, a vida dos futuros bacabalenses que estão vindo por aí”, afirmou.

A conclusão das obras representa uma etapa importante para a ampliação da assistência materno-infantil em Bacabal. A efetiva melhoria dos serviços, no entanto, dependerá também da disponibilidade de profissionais, equipamentos e condições de funcionamento da unidade após sua entrega.

Até o momento, as informações apresentadas não detalham o valor total investido na reforma nem o cronograma específico para a instalação dos equipamentos e a entrada em funcionamento dos novos leitos.


segunda-feira, 26 de outubro de 2026

CRÔNICA DO DIA: A Virada

 

Há uma palavra que parece carregar dentro de si o movimento do mundo: virada. A gente vira a página de um livro, vira a esquina de uma rua, vira a noite trabalhando tentando escrever uma crônica, vira o rosto para esconder uma lágrima. Vira o calendário, vira o ano, vira a sorte. Há quem vire as costas para o passado e quem passe a vida inteira tentando virar o jogo. Mas nem toda virada faz barulho. Algumas acontecem no silêncio de uma madrugada, quando a coragem, cansada de esperar, resolve finalmente acordar.

Dona Francisca, por exemplo, nunca imaginou que sua grande virada aconteceria aos sessenta e dois anos. Depois de uma vida inteira lavando roupa para fora, viu-se diante de uma máquina de costura herdada da irmã. As mãos, acostumadas ao sabão e à água fria, aprenderam a conversar com linhas e tecidos. No começo, costurava pequenos consertos. Depois vieram vestidos, uniformes, encomendas. Um dia, pendurou na porta de casa uma placa escrita à mão: Costuras da Chica.

Não ficou rica, mas passou a assinar o próprio destino com a linha da independência. Sua virada não apareceu nos jornais, não mereceu discursos nem fotografias. Coube inteira naquele pequeno letreiro, onde uma mulher que sempre trabalhara para os outros descobriu que ainda podia construir alguma coisa para si.

Já Antônio, motorista de ônibus, experimentou uma virada bem diferente. Durante vinte anos, percorreu as mesmas ruas, enfrentou os mesmos engarrafamentos e ouviu as mesmas reclamações dos passageiros. Conhecia a cidade pelos buracos do asfalto e pelas histórias que entravam pela porta da frente. Até que, numa manhã de segunda-feira, recebeu a notícia de que a empresa encerraria suas atividades.

Aos cinquenta anos, desempregado, Antônio sentiu que o mundo havia feito uma curva sem avisá-lo.

Passou semanas olhando pela janela, vendo os ônibus seguirem seus caminhos enquanto o dele parecia interrompido. Até que a filha, estudante de pedagogia, lhe perguntou por que não terminava os estudos que havia abandonado na juventude.

Antônio resistiu. Disse que estava velho, que não tinha cabeça para aquilo, que os livros pertenciam a outra estação da vida. Mas voltou à escola. Na primeira noite, sentou-se na última carteira, envergonhado. Meses depois, já era o primeiro a levantar a mão. Descobriu que existem viagens que não precisam de volante e estradas que começam dentro de um caderno.

A vida lhe havia tirado uma direção, mas lhe oferecia a possibilidade de encontrar outra. 

Também havia Clara, professora de escola pública, dessas que carregam no coração mais alunos do que cabem numa sala de aula. Clara pensou em desistir muitas vezes. Faltavam livros, sobravam dificuldades. Havia dias em que o salário parecia pequeno demais para sustentar os sonhos e grande demais era o cansaço para continuar acreditando. Certa manhã, encontrou sobre sua mesa uma carta de um antigo aluno.

Ele havia ingressado na universidade. Na última linha, escreveu: “Professora, a senhora me ensinou que o lugar onde nascemos não precisa determinar até onde podemos chegar.”

Clara chorou.

Naquele instante, compreendeu que sua virada não consistia em abandonar a sala de aula, mas em reencontrar o sentido de permanecer nela. Porque existem viradas que mudam o caminho. Outras mudam apenas o nosso modo de caminhar. E há aquelas que ultrapassam a vida individual e alcançam as ruas, as praças, as cidades, o país inteiro.

O Brasil também conhece suas viradas.

É um país que, entre avanços e retrocessos, aprendeu que a democracia não é uma estrada reta. É um caminho construído por milhões de passos, por disputas, divergências, conquistas e escolhas. Um caminho que exige vigilância, respeito e a capacidade de reconhecer no outro o mesmo direito de existir, pensar e sonhar.

Em tempos de eleição, a palavra virada ganha uma força especial.

Ela sai das conversas de esquina, atravessa as mesas de bar, invade as redes sociais e chega às casas onde famílias inteiras acompanham, entre expectativas e apreensões, a contagem dos votos. Foi assim que a trajetória de Lula, marcada por derrotas, vitórias, afastamentos e retornos, transformou a ideia de virada em uma imagem recorrente da política brasileira.

No segundo turno de uma eleição, cada voto participa de uma história coletiva. A virada nas urnas, quando acontece, não é apenas uma mudança na posição dos candidatos. É também a demonstração de que, numa democracia, o resultado pertence à vontade expressa pelos eleitores, e não às certezas antecipadas por quem disputa o poder.

Para uns, o resultado representa esperança. Para outros, preocupação ou discordância. E talvez esteja justamente aí uma das maiores responsabilidades democráticas: compreender que a vitória de um candidato não elimina a cidadania de quem escolheu outro. A democracia precisa continuar depois da apuração.

Precisa chegar à mesa de Dona Francisca, ao emprego de Antônio, à escola de Clara. Precisa ser percebida na dignidade do trabalho, no acesso à educação, no alimento que não pode faltar, no direito de falar e de ser ouvido. Porque uma virada política só encontra seu significado mais profundo quando a vida das pessoas também encontra oportunidades de melhorar.

E o povo, esse personagem imenso que raramente cabe inteiro nos discursos, continua fazendo suas próprias viradas. É a mãe que consegue matricular o filho na universidade. O agricultor que vê a chuva chegar depois de uma longa estiagem. O jovem que conquista o primeiro emprego. O aposentado que recupera a tranquilidade de comprar seus remédios. A família que, depois de tantas dificuldades, volta a fazer planos para o futuro.

Nenhuma dessas histórias depende apenas de um homem, de um partido ou de uma eleição. Dependem de trabalho, políticas públicas, oportunidades, escolhas e de uma sociedade que não desista de si mesma. Talvez seja esse o verdadeiro sentido da virada: a possibilidade de que o amanhã não esteja condenado a repetir o ontem. Afinal, a vida não avisa quando vai mudar de direção.

Às vezes, a virada chega como tempestade. Outras vezes, como uma brisa que abre discretamente a janela. Pode nascer de uma perda, de um encontro, de uma decisão ou de um voto. O importante é compreender que virar não significa necessariamente esquecer o caminho percorrido. Significa reconhecer que ainda existe estrada pela frente.

Dona Francisca continua costurando. Antônio continua estudando. Clara continua ensinando. E o Brasil continua escrevendo, entre conflitos e esperanças, as páginas de sua história. Todos, à sua maneira, procuram a mesma coisa: um amanhã que valha a pena.

Porque, no fundo, a maior virada não é simplesmente trocar quem está no poder, mudar de profissão ou começar outra vez.

A maior virada acontece quando aquilo que parecia impossível deixa de ser apenas esperança e começa, finalmente, a se tornar realidade.

José Casanova
Professor, Jornalista, Escritor e Cronista
Membro da Academia Bacabalense de Letras
Academia Mundial de Letras da Humanidade

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Natália Duda reúne 12 votos e chega com maioria consolidada à eleição da Câmara de Bacabal

 

A presidente da Câmara Municipal de Bacabal, vereadora Natália Duda (MDB), chega à eleição da Mesa Diretora com uma expressiva maioria de apoios declarados. A parlamentar conta com o compromisso de voto de 11 colegas, que, somados ao seu próprio voto, representam 12 dos 17 integrantes do Legislativo municipal, superando os nove votos necessários para garantir a maioria absoluta.

A consolidação dos apoios ocorreu nesta terça-feira (20), após articulações políticas que reuniram parlamentares de diferentes grupos. Declararam apoio à reeleição de Natália Duda os vereadores Reginaldo do Posto, Alberto Sobrinho, Alex Abreu, Serafim Reis, Patrícia Teles, Ivonete Paiva, Elizabeth da Colônia, Batata do Frigorífico, João Alberto, Paulo Brandão e Fernando da Luziana.

Nos bastidores, a movimentação é acompanhada pela possibilidade de adesão de outros dois vereadores, o que poderá ampliar ainda mais o grupo de apoio à atual presidente.

Em seu quarto mandato como vereadora, Natália Duda acumula experiência no Legislativo bacabalense. Sua trajetória política e a capacidade de manter o diálogo com diferentes parlamentares são apontadas como fatores importantes na construção dos entendimentos que resultaram na formação da maioria.

A articulação também evidencia a aproximação de vereadores de diferentes posições políticas em torno da continuidade da atual gestão da Câmara. A expectativa do grupo é manter a condução administrativa e legislativa da Casa durante o próximo biênio.

Com 12 votos já anunciados, Natália reúne apoio suficiente para conquistar a reeleição, embora o resultado dependa da votação oficial.

A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Bacabal para o biênio 2027/2028 está marcada para esta quarta-feira, 21 de outubro, às 15h, no plenário do Legislativo municipal.

domingo, 18 de outubro de 2026

II Sarau Literomusical da Academia Bacabalense de Letras celebra o legado de João do Vale, o Poeta do Povo

 

A literatura, a música e a poesia foram as grandes protagonistas da noite deste sábado, 17 de outubro, durante a realização do II Sarau Literomusical da Academia Bacabalense de Letras (ABL). Com o tema “João do Vale – O Poeta do Povo”, o evento aconteceu no estacionamento do Parque Ambiental Papete, em Bacabal, reunindo escritores, poetas, músicos, artistas e representantes de diferentes segmentos culturais em uma celebração da arte, da memória e da identidade maranhense.

Promovido pela Academia Bacabalense de Letras, o sarau teve como objetivo homenagear o compositor João do Vale, um dos maiores representantes da cultura popular brasileira, cuja obra permanece viva no imaginário do povo nordestino e continua inspirando diferentes gerações de artistas.

A programação foi marcada pela diversidade das manifestações culturais, com apresentações musicais, declamações de poesias, performances artísticas e momentos de interação com o público, transformando o espaço do Parque Ambiental Papete em um verdadeiro palco de celebração da cultura maranhense.

César Brito abre o sarau com homenagem a João do Vale

A abertura artística do evento ficou a cargo do escritor César Brito, presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA) e membro da Academia Bacabalense de Letras, instituição na qual tem João do Vale como patrono de sua cadeira acadêmica.

Em sua participação, César Brito prestou uma homenagem ao Poeta do Povo, destacando sua importância para a cultura maranhense por meio de uma apresentação que reuniu palavras, memória e música. O escritor também interpretou canções em homenagem ao compositor, dando início a uma noite dedicada à valorização da obra e do legado artístico de João do Vale.

A presença do presidente da FALMA conferiu à programação uma dimensão de integração entre as instituições literárias maranhenses, reforçando o papel das academias de letras na preservação da memória cultural e no incentivo às manifestações artísticas.

Poesia, literatura e música marcam a programação

Após a abertura, a escritora Rosiele Amorim, integrante da Academia Bacabalense de Letras, apresentou uma performance poética, levando ao público a sensibilidade e a força expressiva da literatura.

A escritora Francinalva Muniz também participou da programação com uma apresentação artística, contribuindo para a diversidade de vozes e expressões que marcaram o encontro.

A música popular brasileira ganhou espaço com a participação do cantor e compositor Antonio Carlos, que interpretou clássicos da MPB, proporcionando ao público momentos de apreciação musical e valorização do repertório brasileiro.

O poeta Paulo Campos estabeleceu uma interação especial com os presentes, conversando com o público e recitando poesias. Sua participação aproximou a palavra poética dos espectadores, reforçando uma das principais características do sarau: a comunicação direta entre o artista e a comunidade.

Outro destaque foi a apresentação da escritora e atriz Liduina Tavares, que levou ao palco uma performance poética, unindo expressão artística e interpretação.


O poeta Costa Filho, membro da Academia Bacabalense de Letras, também integrou a programação com uma performance poética, contribuindo para a valorização da produção literária e da presença dos escritores da instituição no evento.

Maestro Léo 7 Cordas recebe aplausos do público

Um dos momentos mais aplaudidos da noite foi a apresentação do maestro Léo 7 Cordas, que encantou o público com sua habilidade musical ao violão de sete cordas.

Com um repertório que reuniu músicas clássicas e populares, o instrumentista demonstrou a versatilidade e a riqueza sonora do instrumento, proporcionando uma apresentação que se destacou na programação.

A execução das músicas evidenciou o virtuosismo do maestro e despertou a admiração dos presentes, que reconheceram sua participação com calorosos aplausos.

A apresentação de Léo 7 Cordas foi um dos pontos altos do sarau, reafirmando a importância da música instrumental como expressão artística e patrimônio cultural.

Crianças emocionam o público com poesia e música

A participação das crianças foi outro momento especial da programação. Cecília Castro e Aquiles Muniz conquistaram o público presente com apresentações de poesias e músicas, demonstrando talento, desenvoltura e sensibilidade artística.

As apresentações infantis receberam o carinho e o reconhecimento dos espectadores, evidenciando a importância de incentivar, desde cedo, o contato com a literatura, a música e as manifestações culturais.

A presença das crianças deu um significado ainda mais especial ao evento, simbolizando a continuidade da tradição artística e a transmissão do legado cultural entre gerações.

Ao interpretar músicas e recitar poesias, Cecília e Aquiles mostraram que a arte popular encontra novas vozes e permanece viva entre os mais jovens.

Canções de João do Vale ganham novas interpretações

A obra do homenageado também esteve presente na apresentação do músico Carlos Pawola, que interpretou canções de João do Vale, relembrando a força e a originalidade das composições do artista maranhense.

Sua participação contribuiu para destacar a atualidade do repertório do Poeta do Povo, cujas músicas continuam sendo interpretadas e apreciadas por diferentes gerações.

A presença das canções de João do Vale ao longo da programação reforçou o propósito central do sarau: celebrar um artista que transformou as vivências, as dificuldades, as alegrias e a resistência do povo nordestino em expressões musicais reconhecidas nacionalmente.

Capoeira também marca presença na celebração cultural

A diversidade cultural do evento também foi representada pela participação do Mestre Pinta, da Associação de Capoeira Zambi, que realizou uma apresentação, levando ao sarau uma das mais importantes manifestações da cultura afro-brasileira.

Durante sua participação, Mestre Pinta parabenizou a Academia Bacabalense de Letras pela realização do II Sarau Literomusical, reconhecendo a importância da iniciativa para a valorização da cultura e dos artistas.

Sua presença ampliou o caráter plural do encontro, demonstrando que a cultura se expressa de diferentes formas, por meio da literatura, da música, da poesia, da dança e das tradições populares.

Presidente da ABL agradece apoio e destaca importância do evento

O sarau foi apresentado e conduzido pelo presidente da Academia Bacabalense de Letras, José Casanova, responsável pela apresentação da programação e pela recepção dos artistas e participantes.

Durante o evento, Casanova agradeceu o apoio da Prefeitura Municipal de Bacabal, por meio da Secretaria Municipal de Educação, pela contribuição à realização da iniciativa cultural.

O presidente também manifestou seu agradecimento especial ao senhor Jardel, diretor do Parque Ambiental de Bacabal, pela colaboração e disponibilização do espaço para a realização do sarau.

A realização da segunda edição do evento representa mais um passo no trabalho desenvolvido pela Academia Bacabalense de Letras em favor da valorização da literatura, do incentivo aos artistas e da aproximação entre a instituição e a comunidade.

Ao promover uma programação diversificada e aberta a diferentes expressões culturais, a ABL reafirma sua atuação como espaço de preservação da memória, promoção do conhecimento e fortalecimento da identidade cultural bacabalense.

João do Vale: um legado que atravessa gerações

Natural de Pedreiras, no Maranhão, João do Vale construiu uma das trajetórias mais representativas da música popular brasileira, tornando-se conhecido pela autenticidade de suas composições e pela capacidade de transformar a realidade do povo em poesia.

Autor de clássicos como Carcará, Pisa na Fulô e Na Asa do Vento, o compositor conquistou reconhecimento nacional ao retratar em suas músicas o cotidiano, as dificuldades, as esperanças e a resistência do povo nordestino.

Sua obra ultrapassou fronteiras regionais e passou a integrar o patrimônio cultural brasileiro, sendo interpretada por grandes nomes da música nacional.

Conhecido como o Poeta do Povo, João do Vale deixou um legado marcado pela simplicidade, pela sensibilidade e pelo compromisso com as raízes populares.

A escolha de seu nome como tema do II Sarau Literomusical representou, portanto, uma homenagem à sua contribuição artística e ao seu papel na construção da identidade cultural maranhense.

Sarau reafirma Bacabal como espaço de valorização da cultura

A segunda edição do Sarau Literomusical da Academia Bacabalense de Letras demonstrou a importância de iniciativas que aproximam a literatura e as artes da população.

A diversidade dos participantes, reunindo escritores consagrados, poetas, músicos, artistas populares e crianças, transformou a programação em um encontro entre diferentes gerações e linguagens artísticas.

Mais do que uma sequência de apresentações, o evento proporcionou momentos de convivência, reconhecimento de talentos e valorização das manifestações culturais que fazem parte da história e da identidade do Maranhão.

Ao homenagear João do Vale, a Academia Bacabalense de Letras também reafirmou a necessidade de preservar a memória dos grandes artistas populares e incentivar as novas gerações a conhecer, respeitar e dar continuidade a esse patrimônio.


Entre versos, acordes, interpretações e aplausos, o II Sarau Literomusical da ABL celebrou a força de uma cultura que permanece viva na voz de seu povo. E, naquela noite, no Parque Ambiental Papete, a poesia de João do Vale voltou a ecoar em Bacabal, mostrando que o verdadeiro Poeta do Povo continua presente sempre que sua música encontra uma nova voz e sua história ganha novos admiradores.

















quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Movimento Pró-Lula realiza “Aula na Praça” em Bacabal em defesa da educação, da cultura e da democracia

 

O Movimento Pró-Lula realizou, na tarde e noite desta quinta-feira (15), em Bacabal, a atividade “Aula na Praça”, um encontro público dedicado ao debate sobre educação, cultura, ciência e democracia. O evento aconteceu na Praça da Família, em frente ao prédio da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), no bairro do Ramal, e contou com a participação de estudantes de instituições de ensino superior públicas e privadas de Bacabal e região.

A programação teve início com uma homenagem aos professores pelo seu dia, celebrado em 15 de outubro. Em seguida, professores doutores fizeram uso da palavra para defender a valorização dos profissionais da educação, o fortalecimento da ciência, o incentivo à cultura e a preservação da democracia.

O encontro também contou com a presença de artistas, escritores e mestres da cultura popular, que contribuíram para ampliar o diálogo entre o conhecimento acadêmico e as experiências culturais da comunidade. Durante as falas, estudantes entoaram palavras de ordem em defesa da democracia, demonstrando o caráter político e participativo da atividade.

Um dos pontos centrais da programação foi a abertura de espaço para perguntas e manifestações do público. Estudantes, integrantes da comunidade acadêmica e moradores participaram dos debates, buscando compreender conceitos como direita, esquerda e extrema-direita, além de discutir os rumos políticos do país e a importância do voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

Os participantes que defenderam a candidatura de Lula associaram a escolha eleitoral à continuidade de políticas públicas, à preservação de direitos conquistados e à defesa das instituições democráticas. O debate procurou aproximar questões políticas do cotidiano da população, estimulando a participação e a reflexão sobre os diferentes projetos de país em disputa.

Realizada em uma praça pública, a “Aula na Praça” levou o debate político para além dos espaços tradicionais de ensino e reuniu diferentes segmentos sociais em torno de temas que atravessam a educação, a produção do conhecimento, a cultura e a cidadania.

Ao unir homenagem aos professores, manifestações culturais e discussão política, o evento marcou o Dia dos Professores em Bacabal com uma atividade de caráter educativo e mobilizador, na qual a defesa da democracia e dos direitos sociais ocupou lugar de destaque.