A UNEGRO APOIA O BLOG DIÁRIO DO MEARIM

PONHA AQUI A PROPAGANDA DE SUA EMPRESA

Roberto Costa é eleito presidente da FAMEM para o biênio 2025/2026

FAMEN coloca Bacabal e Roberto Costa em evidência

Flamengo pode ter mudança diante do Bangu em São Luís

Técnico Cléber do Santos pode apostar em trio de ataque nesta noite no Castelão.

Sessão Solene na Câmara Municipal de Bacabal Celebra o Dia Internacional da Mulher

Vereadoras Nathália Duda e Regilda Santos conduzem Sessão Solene

domingo, 18 de outubro de 2026

II Sarau Literomusical da Academia Bacabalense de Letras celebra o legado de João do Vale, o Poeta do Povo

 

A literatura, a música e a poesia foram as grandes protagonistas da noite deste sábado, 17 de outubro, durante a realização do II Sarau Literomusical da Academia Bacabalense de Letras (ABL). Com o tema “João do Vale – O Poeta do Povo”, o evento aconteceu no estacionamento do Parque Ambiental Papete, em Bacabal, reunindo escritores, poetas, músicos, artistas e representantes de diferentes segmentos culturais em uma celebração da arte, da memória e da identidade maranhense.

Promovido pela Academia Bacabalense de Letras, o sarau teve como objetivo homenagear o compositor João do Vale, um dos maiores representantes da cultura popular brasileira, cuja obra permanece viva no imaginário do povo nordestino e continua inspirando diferentes gerações de artistas.

A programação foi marcada pela diversidade das manifestações culturais, com apresentações musicais, declamações de poesias, performances artísticas e momentos de interação com o público, transformando o espaço do Parque Ambiental Papete em um verdadeiro palco de celebração da cultura maranhense.

César Brito abre o sarau com homenagem a João do Vale

A abertura artística do evento ficou a cargo do escritor César Brito, presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA) e membro da Academia Bacabalense de Letras, instituição na qual tem João do Vale como patrono de sua cadeira acadêmica.

Em sua participação, César Brito prestou uma homenagem ao Poeta do Povo, destacando sua importância para a cultura maranhense por meio de uma apresentação que reuniu palavras, memória e música. O escritor também interpretou canções em homenagem ao compositor, dando início a uma noite dedicada à valorização da obra e do legado artístico de João do Vale.

A presença do presidente da FALMA conferiu à programação uma dimensão de integração entre as instituições literárias maranhenses, reforçando o papel das academias de letras na preservação da memória cultural e no incentivo às manifestações artísticas.

Poesia, literatura e música marcam a programação

Após a abertura, a escritora Rosiele Amorim, integrante da Academia Bacabalense de Letras, apresentou uma performance poética, levando ao público a sensibilidade e a força expressiva da literatura.

A escritora Francinalva Muniz também participou da programação com uma apresentação artística, contribuindo para a diversidade de vozes e expressões que marcaram o encontro.

A música popular brasileira ganhou espaço com a participação do cantor e compositor Antonio Carlos, que interpretou clássicos da MPB, proporcionando ao público momentos de apreciação musical e valorização do repertório brasileiro.

O poeta Paulo Campos estabeleceu uma interação especial com os presentes, conversando com o público e recitando poesias. Sua participação aproximou a palavra poética dos espectadores, reforçando uma das principais características do sarau: a comunicação direta entre o artista e a comunidade.

Outro destaque foi a apresentação da escritora e atriz Liduina Tavares, que levou ao palco uma performance poética, unindo expressão artística e interpretação.


O poeta Costa Filho, membro da Academia Bacabalense de Letras, também integrou a programação com uma performance poética, contribuindo para a valorização da produção literária e da presença dos escritores da instituição no evento.

Maestro Léo 7 Cordas recebe aplausos do público

Um dos momentos mais aplaudidos da noite foi a apresentação do maestro Léo 7 Cordas, que encantou o público com sua habilidade musical ao violão de sete cordas.

Com um repertório que reuniu músicas clássicas e populares, o instrumentista demonstrou a versatilidade e a riqueza sonora do instrumento, proporcionando uma apresentação que se destacou na programação.

A execução das músicas evidenciou o virtuosismo do maestro e despertou a admiração dos presentes, que reconheceram sua participação com calorosos aplausos.

A apresentação de Léo 7 Cordas foi um dos pontos altos do sarau, reafirmando a importância da música instrumental como expressão artística e patrimônio cultural.

Crianças emocionam o público com poesia e música

A participação das crianças foi outro momento especial da programação. Cecília Castro e Aquiles Muniz conquistaram o público presente com apresentações de poesias e músicas, demonstrando talento, desenvoltura e sensibilidade artística.

As apresentações infantis receberam o carinho e o reconhecimento dos espectadores, evidenciando a importância de incentivar, desde cedo, o contato com a literatura, a música e as manifestações culturais.

A presença das crianças deu um significado ainda mais especial ao evento, simbolizando a continuidade da tradição artística e a transmissão do legado cultural entre gerações.

Ao interpretar músicas e recitar poesias, Cecília e Aquiles mostraram que a arte popular encontra novas vozes e permanece viva entre os mais jovens.

Canções de João do Vale ganham novas interpretações

A obra do homenageado também esteve presente na apresentação do músico Carlos Pawola, que interpretou canções de João do Vale, relembrando a força e a originalidade das composições do artista maranhense.

Sua participação contribuiu para destacar a atualidade do repertório do Poeta do Povo, cujas músicas continuam sendo interpretadas e apreciadas por diferentes gerações.

A presença das canções de João do Vale ao longo da programação reforçou o propósito central do sarau: celebrar um artista que transformou as vivências, as dificuldades, as alegrias e a resistência do povo nordestino em expressões musicais reconhecidas nacionalmente.

Capoeira também marca presença na celebração cultural

A diversidade cultural do evento também foi representada pela participação do Mestre Pinta, da Associação de Capoeira Zambi, que realizou uma apresentação, levando ao sarau uma das mais importantes manifestações da cultura afro-brasileira.

Durante sua participação, Mestre Pinta parabenizou a Academia Bacabalense de Letras pela realização do II Sarau Literomusical, reconhecendo a importância da iniciativa para a valorização da cultura e dos artistas.

Sua presença ampliou o caráter plural do encontro, demonstrando que a cultura se expressa de diferentes formas, por meio da literatura, da música, da poesia, da dança e das tradições populares.

Presidente da ABL agradece apoio e destaca importância do evento

O sarau foi apresentado e conduzido pelo presidente da Academia Bacabalense de Letras, José Casanova, responsável pela apresentação da programação e pela recepção dos artistas e participantes.

Durante o evento, Casanova agradeceu o apoio da Prefeitura Municipal de Bacabal, por meio da Secretaria Municipal de Educação, pela contribuição à realização da iniciativa cultural.

O presidente também manifestou seu agradecimento especial ao senhor Jardel, diretor do Parque Ambiental de Bacabal, pela colaboração e disponibilização do espaço para a realização do sarau.

A realização da segunda edição do evento representa mais um passo no trabalho desenvolvido pela Academia Bacabalense de Letras em favor da valorização da literatura, do incentivo aos artistas e da aproximação entre a instituição e a comunidade.

Ao promover uma programação diversificada e aberta a diferentes expressões culturais, a ABL reafirma sua atuação como espaço de preservação da memória, promoção do conhecimento e fortalecimento da identidade cultural bacabalense.

João do Vale: um legado que atravessa gerações

Natural de Pedreiras, no Maranhão, João do Vale construiu uma das trajetórias mais representativas da música popular brasileira, tornando-se conhecido pela autenticidade de suas composições e pela capacidade de transformar a realidade do povo em poesia.

Autor de clássicos como Carcará, Pisa na Fulô e Na Asa do Vento, o compositor conquistou reconhecimento nacional ao retratar em suas músicas o cotidiano, as dificuldades, as esperanças e a resistência do povo nordestino.

Sua obra ultrapassou fronteiras regionais e passou a integrar o patrimônio cultural brasileiro, sendo interpretada por grandes nomes da música nacional.

Conhecido como o Poeta do Povo, João do Vale deixou um legado marcado pela simplicidade, pela sensibilidade e pelo compromisso com as raízes populares.

A escolha de seu nome como tema do II Sarau Literomusical representou, portanto, uma homenagem à sua contribuição artística e ao seu papel na construção da identidade cultural maranhense.

Sarau reafirma Bacabal como espaço de valorização da cultura

A segunda edição do Sarau Literomusical da Academia Bacabalense de Letras demonstrou a importância de iniciativas que aproximam a literatura e as artes da população.

A diversidade dos participantes, reunindo escritores consagrados, poetas, músicos, artistas populares e crianças, transformou a programação em um encontro entre diferentes gerações e linguagens artísticas.

Mais do que uma sequência de apresentações, o evento proporcionou momentos de convivência, reconhecimento de talentos e valorização das manifestações culturais que fazem parte da história e da identidade do Maranhão.

Ao homenagear João do Vale, a Academia Bacabalense de Letras também reafirmou a necessidade de preservar a memória dos grandes artistas populares e incentivar as novas gerações a conhecer, respeitar e dar continuidade a esse patrimônio.


Entre versos, acordes, interpretações e aplausos, o II Sarau Literomusical da ABL celebrou a força de uma cultura que permanece viva na voz de seu povo. E, naquela noite, no Parque Ambiental Papete, a poesia de João do Vale voltou a ecoar em Bacabal, mostrando que o verdadeiro Poeta do Povo continua presente sempre que sua música encontra uma nova voz e sua história ganha novos admiradores.

















quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Movimento Pró-Lula realiza “Aula na Praça” em Bacabal em defesa da educação, da cultura e da democracia

 

O Movimento Pró-Lula realizou, na tarde e noite desta quinta-feira (15), em Bacabal, a atividade “Aula na Praça”, um encontro público dedicado ao debate sobre educação, cultura, ciência e democracia. O evento aconteceu na Praça da Família, em frente ao prédio da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), no bairro do Ramal, e contou com a participação de estudantes de instituições de ensino superior públicas e privadas de Bacabal e região.

A programação teve início com uma homenagem aos professores pelo seu dia, celebrado em 15 de outubro. Em seguida, professores doutores fizeram uso da palavra para defender a valorização dos profissionais da educação, o fortalecimento da ciência, o incentivo à cultura e a preservação da democracia.

O encontro também contou com a presença de artistas, escritores e mestres da cultura popular, que contribuíram para ampliar o diálogo entre o conhecimento acadêmico e as experiências culturais da comunidade. Durante as falas, estudantes entoaram palavras de ordem em defesa da democracia, demonstrando o caráter político e participativo da atividade.

Um dos pontos centrais da programação foi a abertura de espaço para perguntas e manifestações do público. Estudantes, integrantes da comunidade acadêmica e moradores participaram dos debates, buscando compreender conceitos como direita, esquerda e extrema-direita, além de discutir os rumos políticos do país e a importância do voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

Os participantes que defenderam a candidatura de Lula associaram a escolha eleitoral à continuidade de políticas públicas, à preservação de direitos conquistados e à defesa das instituições democráticas. O debate procurou aproximar questões políticas do cotidiano da população, estimulando a participação e a reflexão sobre os diferentes projetos de país em disputa.

Realizada em uma praça pública, a “Aula na Praça” levou o debate político para além dos espaços tradicionais de ensino e reuniu diferentes segmentos sociais em torno de temas que atravessam a educação, a produção do conhecimento, a cultura e a cidadania.

Ao unir homenagem aos professores, manifestações culturais e discussão política, o evento marcou o Dia dos Professores em Bacabal com uma atividade de caráter educativo e mobilizador, na qual a defesa da democracia e dos direitos sociais ocupou lugar de destaque.










CRÔNICA DO DIA: A Última Lição do Dia dos Professores


Naquela manhã de outubro, a escola amanheceu com a mesma aparência de todos os dias: paredes descascadas, ventiladores cansados, ar condicionados quase frios, carteiras riscadas com declarações de amor que duravam menos que uma aula e um corredor onde os gritos dos alunos chegavam antes deles. Havia, porém, uma diferença no calendário. Era Dia dos Professores.

A Secretaria de Educação havia reorganizado as datas letivas para evitar folgas alternadas e garantir a continuidade das aulas. Por isso, enquanto algumas escolas celebravam a data com homenagens, bolos e fotografias nas redes sociais, naquela escola o sinal tocou normalmente. A festa ficara para outra ocasião. O conteúdo programático, não.

Na sala do nono ano, a professora  Maria do Amparo  preparava mais uma tentativa de fazer a língua portuguesa atravessar a fronteira da indiferença.

Tinha quase vinte anos de magistério e uma convicção que o tempo, apesar de tudo, ainda não conseguira aposentar: a escola deveria ensinar os alunos a ler o mundo antes mesmo de exigir que decifrassem as palavras. Gostava de Paulo Freire, acreditava no diálogo e defendia uma educação que libertasse, em vez de apenas disciplinar. Para ela, ensinar não era despejar regras gramaticais sobre cabeças distraídas, mas abrir janelas onde os alunos só enxergavam paredes.

Naquela turma, entretanto, as janelas pareciam emperradas.

Havia quem chutasse a mochila do colega, quem transformasse qualquer pergunta em motivo de zombaria, quem disputasse o volume da própria voz com o ventilador e quem já tivesse aprendido, antes mesmo de terminar o ensino fundamental, que intimidar os outros era uma maneira eficiente de conquistar espaço.

Amparo conhecia os nomes, os temperamentos e algumas das histórias que os alunos escondiam atrás dos gestos agressivos. Sabia que, em certas casas, faltava comida; em outras, sobravam gritos. Havia meninos que trabalhavam depois da aula, meninas que cuidavam dos irmãos menores e adolescentes que conheciam mais profundamente a linguagem das ofensas do que a dos afetos.

Compreender aquelas realidades, contudo, não tornava a sala de aula menos difícil. A professora sabia que a pobreza não condenava ninguém à violência, assim como conhecia alunos de famílias desestruturadas capazes de gestos extraordinários de ternura. Cada estudante era um universo, embora alguns insistissem em transformar a sala inteira num campo de batalha.

Naquela manhã, Helena decidiu começar de maneira diferente. Escreveu no quadro, em letras grandes:

QUEM TEM O DIREITO DE CONTAR A PRÓPRIA HISTÓRIA?

Em seguida, virou-se para a turma.

— Hoje, não quero começar pela gramática. Quero ouvir vocês. Se pudessem mudar alguma coisa no mundo, o que mudariam?

Um aluno respondeu que acabaria com as provas. Outro disse que proibiria os professores de passar atividades. A turma explodiu em gargalhadas. Do fundo, alguém imitou o som de uma sirene. Duas carteiras arrastaram-se pelo chão, e um pedaço de papel atravessou a sala como um pássaro sem rumo.

Amparo esperou. Acreditava que o silêncio também podia ser uma ferramenta pedagógica, embora naquele nono ano ele fosse um artigo de luxo.

— Professora, eu mudaria a escola inteira. — Disse um rapaz, sem tirar os olhos do celular. — Aqui ninguém escuta ninguém.

A frase provocou risos, mas Helena percebeu nela uma verdade involuntária.

— Então talvez seja por aí que a gente deva começar. — respondeu a professora. — Aprendendo a escutar.

Foi quando percebeu que Camila, sentada perto da janela, continuava mexendo no telefone, alheia à atividade. Ela era conhecida pelos enfrentamentos. Respondia aos professores, discutia com os colegas e parecia carregar nos ombros uma raiva maior que seu corpo franzino. Naquela manhã, tinha o rosto fechado e os olhos fixos na tela. Helena aproximou-se da carteira.

— Camila, guarde o celular e participe da atividade, por favor.

A menina não respondeu.

— Estou falando com você.

— E eu ouvi.

— Então guarde o aparelho.

Camila ergueu os olhos devagar.

— A senhora só sabe mandar.

Helena respirou fundo. Não queria transformar uma orientação em duelo. A experiência lhe ensinara que, diante de uma turma inquieta, certas palavras precisavam ser escolhidas com o cuidado de quem atravessa uma ponte estreita.

— Não estou aqui para mandar na sua vida. Estou aqui para ajudar você a aprender. Mas, para isso, precisamos respeitar o espaço de todos.

— Respeitar? — Camila soltou uma risada amarga. — Vocês falam de respeito, mas ninguém respeita a gente!

Alguns alunos começaram a incentivar a discussão. Outros puxaram os celulares, atentos à possibilidade de registrar uma cena que, minutos depois, poderia circular pelas redes sociais com uma legenda cruel.

Amparo sentiu a aula escapar por entre os dedos.

— Camila, sente-se direito, guarde o celular e vamos conversar depois. Agora, preciso continuar a atividade.

— A senhora não manda em mim!

— Não quero mandar em você. Quero que você entenda que sua liberdade não lhe dá o direito de impedir a liberdade dos outros.

Por um instante, a sala ficou suspensa naquela frase. Camila levantou-se bruscamente. A cadeira tombou para trás. A professora pediu que ela se acalmasse, mas a menina já não parecia ouvir. Havia insultos, vozes sobrepostas, colegas incentivando o confronto e uma tensão que crescia sem que ninguém soubesse como interrompê-la.

Amparo tentou manter a voz firme.

— Camila, por favor, vamos resolver isso conversando.

A resposta veio num movimento rápido, desesperado e irreversível. A lâmina de uma faca surgiu na mão da adolescente. Houve um grito. Depois, o silêncio.

Amparo levou a mão ao corpo e olhou para a própria palma, como se não compreendesse o vermelho que começava a manchá-la. Camila permaneceu imóvel por um segundo, os olhos arregalados diante daquilo que acabara de fazer. Alguém correu até a porta. Outro aluno começou a chorar. As carteiras, antes instrumentos de barulho, pareciam agora testemunhas incapazes de falar.

A professora caiu.

Naquele instante, o Dia dos Professores deixou de ser uma data no calendário e se transformou numa pergunta terrível: em que momento a escola, que deveria ser um lugar de encontro, se tornara um lugar onde uma educadora precisava temer pela própria vida?

Os minutos seguintes foram de desespero. Chamaram a direção, pediram socorro, afastaram os estudantes. Helena foi amparada até a chegada do atendimento médico. Camila, ainda em choque, foi retirada da sala.

Sobre a mesa, o livro de língua portuguesa permanecia aberto. A atividade continuava pela metade. No quadro, a pergunta escrita em letras grandes parecia olhar para todos:

Quem tem o direito de contar a própria história?

Naquela manhã, ninguém conseguiu respondê-la.

Amparo sobreviveu, mas alguma coisa nela permaneceu naquela sala. Não apenas o medo, nem somente a lembrança da lâmina. Ficou a imagem dos rostos adolescentes, do celular erguido, das vozes que incentivavam a briga e do instante em que uma tentativa de ensinar se converteu numa luta pela sobrevivência.

Nos dias seguintes, vieram as notícias, os comentários, as opiniões apressadas. Houve quem culpasse a professora por ter chamado a atenção da aluna. Houve quem exigisse punições exemplares. Outros aproveitaram a tragédia para atacar a escola pública, como se os problemas de uma sociedade inteira coubessem nos muros de uma instituição.

Poucos perguntaram quantos alunos naquela escola precisavam de acompanhamento psicológico, quantos professores trabalhavam sem apoio suficiente, quantas famílias estavam desamparadas e quantas vezes a violência havia dado sinais antes de explodir.

Compreender as circunstâncias não significava justificar a agressão. Camila precisava responder pelo que fizera, de acordo com a lei e com sua condição de adolescente. Amparo tinha o direito de ser protegida, cuidada e respeitada. E a escola precisava de condições reais para ensinar, acolher e estabelecer limites.

A educação libertadora em que Amparo acreditava nunca significara ausência de regras, muito menos a obrigação de um professor aceitar humilhações ou correr riscos para provar sua vocação. Liberdade sem responsabilidade não constrói convivência. Diálogo sem segurança não se sustenta. E nenhuma pedagogia pode exigir que um educador ofereça a própria integridade física como material didático.

Talvez a grande tragédia daquela manhã não tivesse começado no instante em que a lâmina apareceu. Talvez tivesse raízes mais antigas, espalhadas por ausências, negligências, agressividades naturalizadas e pela dificuldade coletiva de reconhecer que educar é uma tarefa de toda a sociedade, não apenas de quem entra numa sala com um livro debaixo do braço.

Mas seria injusto reduzir Amparo à condição de vítima. Ela era professora antes daquele dia e continuava sendo muito mais do que a violência que sofrera. Era a mulher que preparava aulas, corrigia redações, inventava estratégias para despertar curiosidade e acreditava que uma palavra bem colocada poderia abrir caminhos.

Era uma profissional que merecia voltar para casa em segurança. E isso, que deveria ser tão simples, tornou-se uma reivindicação urgente.

No Brasil, há milhares de Amparos que entram nas escolas carregando livros, cadernos, planos de aula e uma esperança que raramente aparece nos contracheques. Professores que improvisam laboratórios onde faltam equipamentos, transformam textos em debates, fazem da poesia uma ponte para a realidade e tentam descobrir, entre uma provocação e outra, o que ainda pode despertar o interesse de um adolescente.

São profissionais que ensinam a diferença entre uma metáfora e uma mentira, entre uma opinião e um argumento, entre discordar de alguém e desejar destruí-lo. Ensinam que a palavra pode ferir, mas também pode reparar; que a liberdade exige responsabilidade; que ninguém precisa humilhar o outro para ser ouvido.

Não são heróis de uma profissão destinada ao sacrifício. São trabalhadores. Precisam de salários dignos, formação continuada, respeito, segurança, equipes de apoio, escolas bem estruturadas e políticas públicas que não os abandonem diante de problemas que ultrapassam os limites da sala de aula.

Neste Dia dos Professores, enquanto flores, cartões e homenagens percorrem as redes sociais, vale lembrar que o melhor presente não é um discurso bonito pronunciado uma vez por ano. É a garantia de que cada educador possa ensinar sem medo, de que cada estudante encontre na escola oportunidades reais de crescimento e de que a sociedade compreenda que a violência contra um professor fere muito mais do que uma pessoa: atinge o próprio sentido da educação.

Quanto a Helena, talvez um dia volte a escrever no quadro. Talvez escolha outra pergunta, outro texto, outra maneira de começar a aula. Não sabemos se conseguirá apagar inteiramente o que viveu. Algumas feridas não obedecem ao calendário escolar.

Mas, se voltar, que encontre uma escola diferente. Uma escola onde sua voz não precise disputar espaço com ameaças, onde o diálogo seja acompanhado de responsabilidade e onde ensinar não seja um ato de coragem diante do perigo, mas um exercício cotidiano de dignidade.

E que, ao abrir o livro, encontre novamente aquilo que a fez escolher o magistério: a possibilidade de que uma palavra alcance alguém, permaneça em sua memória e ajude a mudar o rumo de uma vida.

Porque há lições que não cabem no quadro. Há mestres que continuam ensinando mesmo quando o mundo lhes oferece motivos para desistir. E há uma dívida que o Brasil precisa reconhecer: não basta aplaudir os professores no dia em que se celebra sua profissão. É preciso defendê-los em todos os dias em que exercem o direito de ensinar.

Aos professores brasileiros, que fazem da palavra uma ferramenta de transformação e da sala de aula um território de possibilidades, nossa homenagem, nosso respeito e nossa gratidão.

Que nunca lhes faltem livros para ensinar, liberdade para pensar, condições para trabalhar e segurança para voltar para casa. E que nenhum professor precise derramar o próprio sangue para que o Brasil finalmente compreenda o valor de sua missão. Porque, quando um professor é ferido, não é apenas uma pessoa que sangra.

É o futuro inteiro que perde uma página.


José Casanova

Professor, Jornalista, Escritor e Cronista

Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Bairro Trizidela recebe Movimento Pró-Lula e declara apoio no segundo turno em Bacabal

 

O Bairro Trizidela, em Bacabal, recebeu nesta quinta-feira(08) e sexta-feira(09) uma mobilização do Movimento Pró-Lula, que reúne diversos segmentos sociais do município em uma agenda de diálogo com a população para o segundo turno das eleições presidenciais.

A caminhada percorreu as ruas da comunidade e foi marcada pela participação dos moradores, que acolheram o movimento com entusiasmo, acompanhando o grupo em um clima de animação, com músicas, manifestações de apoio e mensagens em defesa da democracia.

Durante o percurso, vários moradores fizeram questão de se aproximar e utilizar a palavra para expressar suas opiniões, relatar suas expectativas e participar do debate político promovido pelo movimento. A presença da comunidade transformou a atividade em um momento de escuta e conversa direta entre os participantes e os moradores do bairro.

Segundo os organizadores, um dos principais objetivos do Movimento Pró-Lula em Bacabal é ampliar o diálogo com eleitores indecisos e também com pessoas que não participaram do primeiro turno, apresentando informações e argumentos sobre a importância da escolha presidencial.

As conversas realizadas durante a caminhada abordaram temas relacionados às propostas dos candidatos, aos impactos das decisões políticas na vida da população e aos diferentes cenários para o país após o segundo turno. De acordo com os integrantes do movimento, os esclarecimentos apresentados foram recebidos com atenção pelos moradores da Tridela.

O Movimento Pró-Lula em Bacabal já possui uma programação de novas atividades para os próximos dias, incluindo outras caminhadas em diferentes bairros da cidade, mantendo uma agenda de mobilização, diálogo comunitário e participação popular em defesa da democracia e reeleição do Presidente Lula.

*AGENDA DO MOVIMENTO PRÓ-LULA EM BACABAL