A UNEGRO APOIA O BLOG DIÁRIO DO MEARIM

PONHA AQUI A PROPAGANDA DE SUA EMPRESA

Roberto Costa é eleito presidente da FAMEM para o biênio 2025/2026

FAMEN coloca Bacabal e Roberto Costa em evidência

Flamengo pode ter mudança diante do Bangu em São Luís

Técnico Cléber do Santos pode apostar em trio de ataque nesta noite no Castelão.

Sessão Solene na Câmara Municipal de Bacabal Celebra o Dia Internacional da Mulher

Vereadoras Nathália Duda e Regilda Santos conduzem Sessão Solene

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

ABL participa do I Encontro da Política Nacional de Equidade Racial e Educação Quilombola em Bacabal

 

A Academia Bacabalense de Letras (ABL) marcou presença no I Encontro da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Quilombola (PNEERQ), realizado no dia 20 de janeiro, na Escola Juarez Gomes, em Bacabal. A instituição foi representada por seu presidente, José Casanova, reforçando o papel da literatura e da cultura na construção de uma educação antirracista no Maranhão.

O evento teve como público-alvo agentes locais e focais da PNEERQ da regional de Bacabal e contou com a participação da professora Rita de Cássia, Agente de Governança Regional da URE-Bacabal. O encontro teve como principal objetivo promover o debate e discutir estratégias para o fortalecimento da equidade racial e o enfrentamento das desigualdades étnico-raciais na Unidade Regional de Educação de Bacabal, que tem como gestor o professor Jerry Ibiapina.

Durante sua participação, José Casanova destacou a importância de uma educação antirracista nas escolas maranhenses, ressaltando que o combate ao racismo passa, necessariamente, pelo currículo, pela valorização das identidades negras e quilombolas e pelo incentivo à leitura desde a infância.

O presidente da ABL também enfatizou o trabalho desenvolvido pela FALMA – Federação das Academias de Letras do Maranhão, que já atua em cerca de 65 municípios do estado, contribuindo para a criação de academias de letras, o estímulo à leitura e o surgimento de jovens escritores maranhenses. Segundo Casanova, essa produção literária local pode e deve ser utilizada como ferramenta pedagógica em sala de aula, aproximando os estudantes de suas próprias realidades culturais.

Em um momento de forte simbolismo, Casanova realizou a leitura dramatizada de uma de suas crônicas e apresentou a boneca literária do livro “Crônicas Pretas”, obra que tem lançamento previsto ainda para este ano e dialoga diretamente com as temáticas da identidade negra, memória e resistência cultural.

O encontro também promoveu discussões com os representantes sobre a elaboração e execução do Plano Municipal da PNEERQ, fortalecendo o intercâmbio de experiências e a troca de boas práticas entre os participantes, com foco na construção de políticas educacionais mais justas, inclusivas e comprometidas com a diversidade étnico-racial.

A participação da ABL no evento reafirma o compromisso da instituição com a educação, a literatura e a promoção da equidade racial, colocando a palavra escrita e falada como instrumento de transformação social.








sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

CRÔNICA DO DIA: João Cláudio Moreno na Praça do Imaginário

 

Um Mestre da cultura brasileira. Talvez seja isso. Ou talvez eu esteja exagerando. Cronista também exagera. Mas há artistas que entram em cena pelo aplauso. Outros chegam pelo riso fácil. João Cláudio Moreno, não. Ele chega como quem puxa uma cadeira na calçada, pede licença à memória coletiva e começa a conversar. Conversa com o povo, com o passado, com as vozes que ainda ecoam no rádio de pilha e nas histórias contadas ao pé da rede.  Bastam dois dedos de prosa para percebermos que João Cláudio não interpreta o Nordeste. Ele o escuta primeiro. Depois, devolve em forma de humor, afeto e inteligência.

Nascido no Piauí, esse homem de fala afiada e olhar curioso aprendeu cedo que o riso pode ser uma ferramenta séria. Humorista, apresentador, ator, compositor e imitador de primeira grandeza, João Cláudio construiu sua carreira sem gritar para ser ouvido. Prefere a sutileza, o detalhe, o gesto pequeno que diz muito. Seu humor não humilha, não empurra, não atropela. Ele convida. E quem entra no convite dificilmente sai ileso do encantamento coletivo provocado por sua arte.

Foi numa dessas noites quentes, em que a lua parece cochichar segredos antigos, que João Cláudio resolveu atravessar a fronteira invisível entre o palco e o imaginário popular. Sentou-se numa praça de Piripiri, dessas que têm coreto, poste antigo e cheiro de café passado, quando ouviu o som conhecido de uma sanfona. Não precisou perguntar quem era. Luiz Gonzaga apareceu como quem nunca foi embora.


O Caldeirão parecia que ia ferver com a aparição. Era nessa efervescência identitária que João Cláudio Moreno busca inspiração para suas criações.

O Rei do Baião ajeitou o chapéu, sorriu de canto e disse:
- Oxente, João, tu ainda anda espalhando riso por aí?

João Cláudio respondeu com respeito e travessura:
- Espalho, mestre. Aprendi foi com o senhor. O riso também pode dançar.

Gonzaga riu alto, um riso de couro e sol, e a sanfona pareceu concordar. Falou da importância de não esquecer o chão, de carregar o Nordeste no peito sem transformar cultura em caricatura. João Cláudio ouviu atento. Ele sempre ouve. Seu talento maior talvez seja esse: saber escutar antes de imitar, compreender antes de representar.

A conversa foi interrompida por uma gargalhada poderosa que atravessou a praça como um tamborim bem marcado.  Começa agora o grande encontro. Alcione chegou cantando, com a voz que parece trazer junto todas as dores e alegrias do povo.

Olhou para João Cláudio e disse:
- Meu filho, humor sem verdade não sustenta samba nenhum.

Ele concordou com um aceno humilde. Lembrou quando a entrevistou tentando expressar os laços existentes entre o Piauí e o Maranhão.

            Alcione falou de palco, de responsabilidade artística, de como o artista precisa ter bom senso para não ferir aquilo que diz amar. João Cláudio respondeu contando histórias, imitando vozes, mas sempre com carinho. Seu humor jamais atravessa a linha do desrespeito. Ele sabe que a cultura nordestina não é figurino. É pele.

Quando a noite já parecia completa, um silêncio estranho tomou conta da praça. Talvez das águas escuras de algum rio, surgiu a figura torta e mítica do Cabeça de Cuia, personagem do imaginário piauiense, metade medo, metade lenda, inteiro símbolo. João Cláudio não recuou. Olhou nos olhos da criatura e, com naturalidade, puxou conversa.

- Tu não cansa de ser só assombração? - Perguntou.

A lenda , pego de surpresa, respondeu com voz cansada:
- Canso. Mas alguém precisa lembrar as histórias.

Sempre achei que o Cabeça de Cuia fosse parte do inconsciente coletivo do povo nordestino. Foi ali que João Cláudio mostrou sua maior virtude. Transformou o medo em riso, a lenda em reflexão. Fez do Cabeça de Cuia não apenas um susto folclórico, mas um personagem humano, cheio de contradições. Tais como os meninos e meninas que entre pés de tucuns vivem uma aventura além das matas e caatingas.

Confesso que o humor virou ponte. A gargalhada virou memória preservada.

Entre Gonzaga, Alcione e o Cabeça de Cuia e tantos outros personagens da alma coletiva brasileira, João Cláudio Moreno seguiu costurando falas, vozes e gestos com a habilidade de quem conhece o peso da palavra. Seu talento de imitador não está apenas na precisão vocal, mas no respeito à essência de cada personagem. Ele não copia. Ele interpreta com alma.

Quando a madrugada chegou, a praça voltou ao silêncio. Não o silencio da inocência, mas o silêncio que traz a fala coletiva do povo.

João Cláudio levantou-se, sacudiu a poeira imaginária da roupa e seguiu caminho. Levava consigo mais histórias para contar e a certeza de que humor, quando feito com bom senso artístico, não envelhece. Vira patrimônio.

E talvez seja por isso eu veja em João Cláudio Moreno alguém que permanece. Porque, enquanto muitos fazem rir por um instante, ele faz sorrir com memória, identidade e verdade. Um cronista do riso nordestino que entende que gargalhar também é um ato de pertencimento.


José Casanova
Professor, Jornalista, Escritor e Crônista
Membro da Academia Bacabalense de Letras
Acedemia Mundial de Letras da Humanidade
Tutor da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil

 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Reunião preparatória discute criação de Academia de Letras em Vitorino Freire

Um passo importante para o fortalecimento da identidade cultural de Vitorino Freire foi dado nesta terça-feira(30) durante a Reunião Preparatória para a Criação da Agremiação Cultural do município. O encontro reuniu escritores, produtores culturais e representantes de instituições literárias, abrindo caminho para a organização formal de uma entidade voltada à valorização da cultura e da litertura local, ou seja , uma  Academia de Letras.

A reunião contou com a presença do presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA), o escritor César Brito, e do presidente da Academia Bacabalense de Letras (ABL), o escritor José Casanova, que contribuíram com orientações e experiências sobre a criação e o funcionamento de academias e agremiações culturais no estado.

O encontro foi articulado pelo produtor cultural Murilo, responsável por mobilizar os agentes culturais do município e promover o diálogo em torno da necessidade de uma organização que represente e fortaleça a produção literária e artística de Vitorino Freire.

Na abertura dos trabalhos, César Brito destacou a viabilidade e a importância da criação de uma Academia de Letras em Vitorino Freire, ressaltando o papel dessas instituições na preservação da memória, no incentivo à escrita e na promoção da cultura. A proposta foi bem acolhida pelos participantes, em sua maioria escritores, que demonstraram entusiasmo e abraçaram a ideia de forma coletiva.

Durante a reunião, os participantes se apresentaram e compartilharam suas produções culturais, em um momento de escuta, troca de experiências e reconhecimento mútuo. O encontro seguiu com um bate-papo descontraído e orientador, no qual foram discutidos caminhos legais e organizacionais para a formalização da agremiação.

Ao final, foi criada uma comissão responsável por conduzir os próximos passos do processo de criação da futura academia. A comissão ficará encarregada da definição do nome da organização cultural, da elaboração do estatuto, da criação das insígnias institucionais e da organização geral da entidade.

A reunião marcou o início de um movimento coletivo em prol da cultura local, sinalizando o compromisso dos escritores e produtores culturais de Vitorino Freire com a valorização da identidade, da literatura e das expressões artísticas do município.









César Brito Presidente da FALMA


Academia Gonzaguense de Letras realiza Sessão Pública com posse de novos membros no Povoado Nova Vida

 

A Academia Gonzaguense de Letras realizou, no dia 29 de dezembro, a partir das 11h, uma Sessão Pública Solene no sítio Nosso Canto, localizado no Povoado Nova Vida. O encontro marcou a diplomação e posse de novos membros da instituição, além de um momento de confraternização entre sodálícios, familiares e convidados.

A solenidade reuniu representantes do poder legislativo municipal, com a presença de vários vereadores da cidade, reforçando o reconhecimento público do papel cultural desempenhado pela Academia. O evento contou ainda com a participação do presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA), o escritor César Brito, que, na ocasião, também tomou posse como membro da Academia Gonzaguense de Letras.

Prestigiando a sessão, esteve presente o presidente da Academia Bacabalense de Letras (ABL), o escritor José Casanova, fortalecendo os laços entre as instituições literárias da região e reafirmando o espírito de cooperação entre as academias de letras do Maranhão. O Presidente da Academia São-Mateuense de Ciências, Artes e Letras Stuart Júnior.

Os trabalhos foram presididos pelo presidente da casa, J. Gomes, que conduziu a sessão com a formalidade e o simbolismo próprios das academias literárias. Além de César Brito, foram empossados como novos membros os acadêmicos Ruzenido Aguiar, Luzelena Maria, Valmir Oliveira, Manoelina Moraes e Carlos Frazão.

Após a solenidade oficial, os participantes seguiram para um momento de confraternização, marcado pelo diálogo, pela celebração da cultura e pelo fortalecimento dos vínculos entre os integrantes da Academia e a comunidade local.

A Sessão Pública consolidou a Academia Gonzaguense de Letras como uma das principais casas de cultura da cidade, reafirmando seu compromisso com a valorização da literatura, da memória e da identidade cultural do município.