A UNEGRO APOIA O BLOG DIÁRIO DO MEARIM

PONHA AQUI A PROPAGANDA DE SUA EMPRESA

Roberto Costa é eleito presidente da FAMEM para o biênio 2025/2026

FAMEN coloca Bacabal e Roberto Costa em evidência

Flamengo pode ter mudança diante do Bangu em São Luís

Técnico Cléber do Santos pode apostar em trio de ataque nesta noite no Castelão.

Sessão Solene na Câmara Municipal de Bacabal Celebra o Dia Internacional da Mulher

Vereadoras Nathália Duda e Regilda Santos conduzem Sessão Solene

quarta-feira, 8 de abril de 2026

ARTIGO: O Papel da Imprensa na Defesa dos Recursos Hídricos

Abrir a torneira e ver a água correr parece um gesto banal. Mas e se um dia ela simplesmente não viesse? Quando a água falta, a imprensa falha. A água, elemento vital à existência humana e ao equilíbrio dos ecossistemas, atravessa o século XXI sob tensão crescente. É o estresse da escassez, poluição, má gestão e mudanças climáticas que transformam esse recurso em um dos principais desafios globais. Basta um período de estiagem mais severo ou uma crise de abastecimento para que esse cenário ganhe contornos de urgência. Nesse contexto,  a imprensa emerge como um agente estratégico na mediação entre informação, consciência pública e mobilização social. Mais do que noticiar, ela pode atuar como guardiã simbólica dos recursos hídricos, iluminando conflitos, denunciando abusos e promovendo o debate democrático. A pergunta que fica é inquietante: por que a água só vira pauta quando começa a faltar?

Para respondermos essa pergunta com responsabilidade temos que admitir que isso necessariamente passa pela forma como a imprensa escolhe contar ou ignorar determinadas histórias e, muitas vezes, são histórias mal contadas..

A imprensa como mediadora social

O fato é que os meios de comunicação têm o poder de direcionar o olhar da sociedade. A compreensão dessa postura da imprensa passa, inicialmente, pela Teoria do Agendamento proposta por Maxwell McCombs e Donald Shaw. Segundo esses autores, os meios de comunicação não dizem às pessoas o que pensar, mas influenciam fortemente sobre o que pensar. Ao destacar temas como crise hídrica, poluição de rios ou escassez de água potável, a imprensa contribui para inserir essas questões na agenda pública e política.

Na prática, o que se observa é que a água raramente é tratada como pauta contínua. Muitas vezes, a cobertura fragmenta o problema, apresentando-o como casos isolados. Isso pode induzir a percepção de que falhas estruturais são pontuais, abrindo espaço, inclusive, para narrativas que defendem soluções simplificadas, como a privatização, sem o devido aprofundamento. Outro fator comum é a divulgação de enchentes no período do inverno, no Maranhão muito comum em comunidades ribeirinhas do Mearim e outros rios.

A cobertura sobre recursos hídricos costuma seguir um roteiro previsível. Quando há seca, falta d’água ou desastre ambiental, o tema explode nas manchetes. Especialistas são ouvidos, gráficos são exibidos, a preocupação cresce. Mas, passada a crise, o assunto desaparece como um rio que seca fora do radar. O resultado é uma sociedade que reage, mas não se antecipa.

Jürgen Habermas, ao discutir a esfera pública, aponta que a comunicação é essencial para a formação da opinião pública e para o exercício da cidadania. Nesse sentido, a imprensa atua como espaço de debate, onde diferentes atores sociais podem se manifestar sobre a gestão dos recursos hídricos, promovendo transparência e participação social.


Jornalismo ambiental e responsabilidade social

Conforme destaca Wilson da Costa Bueno, um dos principais teóricos da área no Brasil, o jornalismo ambiental é um campo que vai muito além da simples divulgação de notícias sobre a natureza. Ele é concebido como um jornalismo especializado que assume um papel pedagógico, político e de mobilização social. A cobertura de temas hídricos exige contextualização, linguagem acessível e rigor científico, evitando tanto o alarmismo quanto a superficialidade.

Ora, se a mídia tem competência para pautar e promover debates, seria fragilidade sua não pautar temas estratégicos como a água, isso vai além de informar quando o problema já está instalado, mas de acompanhar, investigar e pressionar antes que ele se torne irreversível.

O filósofo e escritor francês Manuel Castells, considerado um dos mais controversos pensadores da atualidade, afirma que vivemos em uma sociedade em rede, onde a informação circula de forma rápida e descentralizada. Portanto, a imprensa precisa disputar atenção com múltiplas fontes, o que torna ainda mais relevante sua credibilidade. Quando bem exercida, essa função contribui para formar uma consciência coletiva sobre a importância da preservação da água.

A imprensa como instrumento de denúncia e fiscalização

Outro papel fundamental da imprensa é o de vigilância social, frequentemente associado ao conceito de “quarto poder”. Quando exercido com ética, pois a imparcialidade é impossível numa sociedade dividida ainda em classes, o jornalismo ao investigar e divulgar casos de poluição de rios, desperdício de água ou má gestão de recursos hídricos, os meios de comunicação exercem pressão sobre governos e empresas.

Exemplos recorrentes no Brasil mostram como reportagens investigativas foram decisivas para revelar crimes ambientais que afetaram diretamente corpos d’água. Esse papel se aproxima do que o sociólogo Pierre Bourdieu descreve como o poder simbólico da mídia, capaz de moldar percepções e influenciar ações sociais.

Educação ambiental e formação de consciência

Sem precisar de sala de aula, a imprensa também desempenha uma função pedagógica. Ao traduzir dados técnicos em narrativas compreensíveis, contribui para a educação ambiental da população. Essa perspectiva dialoga com Paulo Freire, que defendia uma educação crítica, voltada para a conscientização e transformação social.

Nesse contexto nem sempre a missão da imprensa é exercida como deveria. Entre outros desafios há pressões econômicas, disputas por audiência e a avalanche de desinformação nas redes sociais, ou seja, a imprensa também enfrenta seus próprios desafios. É claro que isso não diminui sua responsabilidade, pelo contrário, a torna ainda maior.

Quando a imprensa aborda o uso racional da água, práticas sustentáveis ou os impactos da degradação ambiental, ela ajuda a formar cidadãos mais conscientes e engajados. O que nem sempre agrada os detentores do poder .Nesse processo, a informação deixa de ser apenas conteúdo e se transforma em ferramenta de transformação.

Outro desafio é tornar o tema da água atrativo sem perder sua complexidade. A cobertura precisa equilibrar dados técnicos com narrativas envolventes, capazes de sensibilizar o público sem simplificar excessivamente a realidade.

Considerações finais

O papel da imprensa na defesa dos recursos hídricos é multifacetado e indispensável. Ela informa, educa, denuncia e mobiliza. Em um mundo onde a água se torna cada vez mais um recurso estratégico, a atuação responsável dos meios de comunicação pode contribuir decisivamente para sua preservação.

Se a água é o sangue do planeta, a imprensa pode ser vista como sua voz, ora serena como um riacho que ensina, ora potente como uma correnteza que denuncia. Entre palavras e fatos, constrói-se a possibilidade de um futuro onde informação e consciência caminhem juntas na defesa da vida.

Porque, no fim das contas, a água não desaparece de uma vez. Ela vai sumindo aos poucos: em um rio poluído aqui, em uma nascente degradada ali, em um silêncio prolongado nas manchetes.

E talvez esse seja o ponto mais crítico: quando a cobertura falha, o problema não deixa de existir, ele apenas deixa de ser visto.

Defender os recursos hídricos não é apenas tarefa de governos ou ambientalistas. É também uma questão de narrativa. De visibilidade. De escolha editorial.

A imprensa decide todos os dias o que merece destaque. E, ao fazer isso, decide também o que pode ser esquecido.

Se a água é essencial à vida, tratá-la como pauta secundária é um erro que não se pode mais dar ao luxo de cometer.

Porque, quando a água falta, não é só a torneira que seca.

É o futuro.

Por José Casanova
Professor,Jornalista, Escritor e Cronista
Membro da Academia Bacabalense de Letra
Academia Mundial de Letras da Humanidade

domingo, 5 de abril de 2026

CRÔNICA DO DIA: Os que Esperaram na Sombra

O domingo amanheceu com um silêncio estranho, desses que não são vazios, mas cheios de algo prestes a acontecer. Jerusalém respirava devagar, como se temesse acordar de vez e dar de cara com a lembrança ainda fresca da cruz.


As ruas estavam menos barulhentas. O comércio tardava a abrir. Até os pássaros pareciam medir o canto.

No alto de uma pequena elevação, longe do movimento mais intenso, estavam Davi e Rebeca. Não eram conhecidos entre seguidores de Jesus Cristo, nem desejavam ser. Naqueles dias, ser lembrado podia custar mais que o anonimato estava disposto a pagar.

Eles também esperavam um messias revolucionário, alguém que os libertasse do jugo romano. Os zelotes, porém, não foram capazes de erguer esse líder. Foi assim que, pouco a pouco, se aproximaram do jovem galileu e acabaram cativados por suas ideias estranhas, quase perigosamente belas.

 Resolveram seguir Jesus a distância pois não podiam ser visto em meio à multidão que o seguiam. Tinham parentes próximos que ocupavam cargos importantes no Império Romano.

— A cidade não é mais a mesma. — Disse Rebeca, apertando o manto contra o vento leve.

— Nem nós somos! — Respondeu Davi, sem tirar os olhos do caminho que levava ao sepulcro.

Eles não tinham ido até lá. Não por falta de fé, mas por excesso de medo. Desde a crucificação, aprenderam que acreditar também podia ser perigoso. E, ainda assim, permaneciam ali, como quem não consegue ir embora de uma história que ainda não terminou.

De repente, um movimento diferente chamou atenção. Algumas mulheres vinham apressadas, quase correndo, carregando no rosto algo entre susto e espanto.

Eram mulheres com quem o mestre mantinha amizade e respeito. Algumas carregavam histórias marcadas pelo julgamento alheio, outras haviam sido curadas de males antigos. Impedidas de ocupar o lugar de discípulas por um sistema rígido, ainda assim o seguiam  com uma coragem que, naquele momento, faltou a muitos dos doze mais próximos.

Rebeca deu um passo à frente, instintivamente.

— Tem algo errado… ou certo demais... — Murmurou.

Davi franziu a testa. O coração, até então contido, começou a bater com mais força, como se reconhecesse um sinal invisível.

— Dizem… — Começou uma das vozes ao longe, entrecortada pelo vento. — Dizem que o corpo não está lá.

O mundo pareceu inclinar por um instante.

Rebeca levou a mão à boca. Não era apenas surpresa. Era medo de acreditar. Porque acreditar, naquele momento, era atravessar um limite do qual não se volta igual.

— E se for verdade? — Ela perguntou, quase em segredo. — E se a morte não teve a última palavra?

Davi não respondeu de imediato. Olhou para o céu, que agora deixava escapar uma luz mais firme, dourando as pedras da cidade como se tudo estivesse sendo reescrito diante deles.

— Então. — Disse, por fim. — Tudo o que parecia perdido… só estava esperando a hora de voltar.

O vento passou novamente, mas já não era o mesmo. Trazia calor. Trazia movimento. Trazia vida.

Eles continuaram ali, sem correr, sem gritar, sem se expor. Ainda eram os que observavam de longe. Ainda eram os que temiam.

Mas dentro deles, algo já não se escondia.

Naquele domingo, enquanto alguns procuravam respostas no sepulcro vazio, outros começaram a encontrá-las no próprio peito.

E foi assim, quase em segredo, quase em silêncio, que a esperança deixou de ser lembrança… e voltou a ser caminho.

Por José Casanova 
Professor, Jornalista, Escritor e Cronista 
Membro da Academia Bacabalense de Letras 
Academia Mundial de Letras da Humanidade 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

ABL prestigia lançamento de obras literárias e acadêmicas em Bacabal



Na noite desta terça-feira (31), no Centro de Ensino Professor Juarez Gomes realizou-se um encontro marcado pela celebração do conhecimento, da literatura e das múltiplas linguagens que atravessam a contemporaneidade. O evento reuniu professores, estudantes, escritores e membros da Academia Bacabalense de Letras (ABL) que foi representada por José Casanova e Larissa Emanuelle, durante o lançamento da obra “Literatura e Linguagens: interfaces com os fenômenos culturais da contemporaneidade” e do e-book “O Poder do Propósito”.

A coletânea acadêmica foi organizada pelas professoras Marta Aparecida Garcia Gonçalves e Linda Maria de Jesus Bertolino, reunindo artigos de pesquisadores das áreas de Estudos Literários e Estudos da Linguagem, oriundos de diversas regiões do país. A obra surge como um mosaico de reflexões que exploram as múltiplas faces das pesquisas contemporâneas, evidenciando o diálogo entre literatura, cultura e sociedade.

Já o e-book “O Poder do Propósito”, de José Ricardo, trouxe ao público uma abordagem voltada à reflexão pessoal e ao sentido das escolhas, ampliando o alcance do evento para além do campo acadêmico.

A programação teve início com uma apresentação musical do maestro Victor Emanuel, que abriu a noite com sensibilidade artística, criando uma atmosfera propícia ao diálogo e à fruição cultural.

Em seguida, foi composta a mesa de honra com convidados especiais, entre eles o gestor da escola anfitriã, professor José Lemos, e o presidente da ABL, José Casanova. Ambos destacaram a importância de iniciativas que promovam a leitura, a produção intelectual e o intercâmbio de saberes no ambiente escolar e na comunidade.
Na sequência, a mesa foi ampliada com a participação dos professores autores dos artigos que compõem a obra “Literatura e Linguagens”, proporcionando um momento de valorização da pesquisa acadêmica e de troca de experiências entre os presentes.

A participação da Academia Bacabalense de Letras reforçou seu papel como agente ativo na promoção da cultura e da literatura local, incentivando o diálogo entre o saber acadêmico e a produção literária. Para a instituição, eventos como este representam uma oportunidade de fortalecer vínculos e ampliar o alcance das letras em Bacabal.

Mais do que um lançamento, a noite foi um convite à reflexão , um encontro em que palavras deixaram de ser apenas escritas para se tornarem pontes vivas entre ideias, territórios e pessoas.




































terça-feira, 31 de março de 2026

CRÔNICA DO DIA: A Rebelião dos Personagens Silenciosos




Em Alto Alegre, a noite cai como um pano de veludo pesado, abafando os sons do mundo visível para dar voz ao invisível. Juvenal, escritor de província e criador de destinos fictícios, estava sentado à sua mesa de madeira bruta, única herança de um avô que nunca lera um livro. Diante dele, uma pilha de papéis amarelados pelo tempo e pela umidade parecia respirar. Juvenal não estava louco, ou pelo menos era o que repetia para si mesmo enquanto observava o fenômeno: a tinta de sua caneta tinteiro, que deveria estar seca há dias no capítulo cinco, parecia fresca, úmida, como se acabasse de ser tocada.

Ele aproximou a lamparina. O cheiro de querosene misturou-se ao odor adocicado de papel velho.

Na página 42, ele havia escrito: "Maria das Dores, mulher de poucas palavras e muitos silêncios, aceitou o destino de solidão imposto pela seca." Era uma frase segura, literária, com a dose certa de fatalismo nordestino que os críticos do sul adoravam.

Mas a frase não estava mais lá.

No lugar dela, com uma letra que imitava a sua, mas com uma inclinação mais agressiva, estava escrito: "Maria das Dores pegou o facão e decidiu que a solidão não era destino, era escolha. E que a seca ia ter que esperar, porque ela tinha contas a acertar."

Juvenal recuou, derrubando a cadeira. O barulho ecoou na casa vazia, assustando uma lagartixa que corria pela parede caiada.

— Quem está aí? — Perguntou ele, sentindo-se ridículo.

Ninguém respondeu. Apenas o vento nas palhas da cobertura.

Ele pegou a folha com as mãos trêmulas. A tinta estava realmente fresca. Maria das Dores, a personagem que ele construíra com tanto cuidado para ser uma vítima passiva do drama rural, estava reescrevendo sua própria história. Era uma rebelião silenciosa, operada nas entrelinhas, nos espaços em branco que ele, autor negligente, deixara sem vigilância.

Folheou o restante do manuscrito. O coronel Firmino, que deveria morrer de ataque cardíaco no capítulo dez, agora aparecia negociando terras com uma astúcia que Juvenal jamais imaginara para ele. O padre, que seria um alcoólatra em crise de fé, estava organizando uma quermesse para arrecadar fundos para uma escola.

Os personagens estavam roubando a narrativa.

Juvenal sentiu uma mistura de pânico e fascínio. A autoridade do autor, aquela onipotência divina que lhe permitia matar, casar e destruir mundos com uma frase, estava sendo usurpada. Ele não era mais o deus daquela história; era apenas o escrivão, o datilógrafo de vontades alheias que ganharam corpo no papel.

Pegou a caneta. Precisava retomar o controle. Riscou a frase de Maria das Dores. Escreveu por cima, com força, rasgando o papel: "Maria chorou. Chorou até secar."

Satisfeito, foi até a cozinha beber água. A água do pote de barro estava fresca. Quando voltou, o coração quase parou.

A frase que ele acabara de escrever estava riscada. E logo abaixo, em letras garrafais: "Maria não chora mais. Maria afia."

Ele soltou a caneta. Era inútil. Eles eram mais fortes. Eles viviam dentro da história, respiravam o ar fictício de Alto Alegre, sofriam o calor que ele apenas descrevia. Eles tinham a urgência da existência, enquanto ele tinha apenas a vaidade da criação.

Sentou-se no chão, encostado na parede fria.

O que é um personagem, afinal? É um fantasma que o autor invoca? Ou é uma semente que, uma vez plantada no solo fértil da imaginação, cresce segundo suas próprias leis botânicas, ignorando a cerca que o jardineiro construiu? Juvenal percebeu que seu erro fora subestimar a vida que ele mesmo semeara. Ele criara aquelas pessoas, dera-lhes nomes, passados, traumas. E agora, como filhos ingratos, elas exigiam o direito de escolher o próprio futuro.

Olhou para a mesa. O manuscrito parecia vibrar.

Se ele quisesse terminar o livro, teria que negociar. Não podia mais ditar. Teria que ouvir. A autoridade absoluta do escritor é uma ilusão totalitária. A verdadeira literatura é uma democracia caótica onde o autor tem apenas o voto de Minerva, e mesmo assim, corre o risco de ser deposto por um golpe de estado protagonizado por seus próprios adjetivos.

Levantou-se, resignado. Pegou a cadeira caída e sentou-se novamente à frente do papel.

— O que você quer fazer com o facão, Maria? — Perguntou ele em voz alta para a sala vazia.

Esperou.

A caneta em sua mão começou a se mover, guiada por uma força que não vinha de seu cérebro, mas talvez de algum lugar mais profundo, de uma memória ancestral que ele compartilhava com aquela mulher imaginária.

"Cortar o caminho," escreveu a mão, trêmula mas decidida. "Cortar a cerca. Ir embora."

Juvenal sorriu, um sorriso triste de pai que vê o filho sair de casa. Era um final melhor do que o que ele planejara. A solidão passiva era clichê; a fuga ativa era revolução.

Ele continuou a escrever, agora apenas seguindo o fluxo, deixando que Maria, Firmino e o padre ditassem o ritmo. A noite em Alto Alegre avançava, e o escritor, destronado de seu posto de criador supremo, descobriu a liberdade paradoxal de ser apenas uma testemunha. A história não era dele. Nunca fora. Ele era apenas o meio, o canal, a estrada de terra batida por onde aqueles destinos passavam, levantando poeira e seguindo em frente, para longe de sua caneta e para dentro da vida que ele, ironicamente, lhes dera mas não podia controlar.

Por José Casanova
Professor, Jornalista e Escritor e Cronista
Membro da Academia Bacabalense de Letras
Academmia Mundial de Letras da Humanidade

segunda-feira, 30 de março de 2026

II Encontro da Academia Vianense de Letras Juvenil celebra diálogo entre linguagens e gerações

A palavra encontrou a imagem, e juntas desenharam um sábado de intensa efervescência cultural na cidade de Viana. Foi nesse cenário que a Academia Vianense de Letras Juvenil realizou, no último sábado (28), o II Encontro da instituição, reunindo escritores, estudantes e amantes da literatura em torno do tema “Relações entre imagem e texto”.

O evento aconteceu na sede da Academia Vianense de Letras e teve início com uma acolhida calorosa aos participantes, criando um ambiente propício ao diálogo e à troca de saberes. A programação foi aberta com a palestra do professor Joaquim Gomes, que conduziu reflexões sobre as múltiplas formas de interação entre linguagem visual e escrita, despertando o olhar crítico do público presente.

Ao longo do dia, a agenda se desdobrou em uma rica variedade de atividades. Oficinas temáticas e bate-papos literários conduziram os participantes por trilhas que iam desde a leitura crítica da poesia até análises das letras da música popular brasileira, revelando como versos cantados também carregam densidade estética e social.

Um dos pontos altos do encontro foi a participação ativa dos jovens, que transformaram o espaço em um verdadeiro laboratório criativo. Entre críticas literárias e performances autorais, eles deram voz a novas perspectivas, mostrando que a literatura segue pulsando nas mãos das novas gerações.

O evento também contou com a presença do presidente da FALMA, o escritor César Brito, reforçando a importância da integração entre as academias literárias do estado. Para ele, iniciativas como essa fortalecem o movimento cultural e ampliam os horizontes da produção literária no Maranhão.

Em tom de reconhecimento, o poetas Toninho Rabelos destacou a relevância do encontro: “Parabéns ao nosso presidente, em nome de quem estendo aos demais. Encontro muito produtivo, uma excelente oportunidade de troca de experiência e crescimento de todos”, afirmou.

Entre palavras que ganhavam forma e imagens que contavam histórias, o II Encontro da Academia Vianense de Letras Juvenil consolidou-se como um espaço de encontro entre linguagens, gerações e ideias, um verdadeiro mosaico cultural onde cada participante ajudou a compor uma narrativa coletiva marcada pelo aprendizado e pela inspiração.