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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

CRÔNICA DO DIA: O Político que Falava a Verdade


O Palácio do Planalto, com suas linhas de concreto que parecem flutuar sobre o espelho d'água, sempre foi o cenário de uma coreografia milimétrica. Em Brasília, a verdade costuma ser uma convidada indesejada, alguém que se mantém trancada em gavetas de carvalho ou escondida sob o verniz de discursos cuidadosamente redigidos por marqueteiros de fôlego. O Deputado Federal Dr. Waldir Valadares era um mestre nessa arte. Com décadas de vida pública, ele sabia exatamente como dizer nada utilizando o máximo de palavras possível. Seu sorriso era treinado, suas pausas eram estratégicas e sua capacidade de omitir fatos era considerada quase uma virtude teologal entre seus pares na Câmara.

Tudo mudou em uma terça-feira de céu absurdamente azul, após um incidente banal durante o café da manhã. Waldir engasgara com um pedaço de mamão e, após alguns segundos de pânico e uma manobra de Heimlich executada às pressas por seu motorista, algo parecia ter se desconectado em seu córtex pré-frontal. Ou talvez, como ele mesmo passaria a suspeitar, algo tivesse finalmente se conectado.

O primeiro sinal do desastre iminente ocorreu na abertura da Comissão de Constituição e Justiça. O relator de um projeto polêmico que beneficiava grandes empreiteiras terminou sua leitura e, voltando-se para Valadares, perguntou:

— E qual a posição do nobre deputado sobre este aditivo ao projeto?

Waldir sentiu a resposta padrão se formando no fundo da garganta — algo sobre "análise técnica detalhada" e "bem-estar social". Mas o que saiu de sua boca foi um jato de honestidade pura:

— Olha, relator, para ser sincero, eu não li uma linha sequer desse lixo. O que eu sei é que o dono da construtora pagou metade da reforma da minha casa de campo e, por isso, eu deveria votar a favor, mas esse projeto é tão mal escrito que dá vergonha até de ser corrupto com ele.

O silêncio que se seguiu não foi apenas a ausência de som; foi um vácuo físico. Os taquígrafos pararam de digitar. Os colegas de bancada olharam para Waldir como se ele tivesse acabado de se transformar em um alienígena verde. O relator, gago, tentou contornar:

— O deputado certamente está usando de uma ironia refinada para criticar a burocracia...

— Ironia nada, rapaz — Retrucou Waldir, agora com um prazer quase infantil. — Você também não leu. Você recebeu o texto pronto do lobista ontem à noite no jantar. Aliás, aquele risoto de lagosta que você postou estava com uma cara ótima, embora todos saibamos que você odeia frutos do mar e só comeu para parecer sofisticado.

O terremoto começou ali. Em menos de uma hora, os corredores do Congresso fervilhavam. O "Incidente Valadares" foi tratado inicialmente como um surto psicótico ou um AVC súbito. Seus assessores correram para a enfermaria, mas Waldir se recusava a ser examinado. Ele se sentia leve. A carga de décadas carregando segredos e mentiras sociais havia desaparecido, substituída por uma urgência quase biológica de clareza.

À tarde, no Grande Expediente, ele subiu à tribuna. O plenário estava lotado, atraído pelo cheiro de sangue e escândalo.

— Senhoras e senhores. — Começou Waldir, sem olhar para o papel. — Eu pretendia ler um manifesto sobre a importância da educação básica. Mas vamos falar a verdade? Ninguém aqui se importa com a educação se ela não render um palanque para a próxima eleição ou um desvio de verba nas obras da escola técnica. Inclusive, aquele deputado ali na terceira fila, que está me olhando com cara de horror, passou a manhã tentando negociar um cargo para a amante no Ministério da Infraestrutura. Ela não tem currículo para limpar o chão do ministério, mas ele insiste que é uma "técnica qualificada".

— Ordem! Questão de ordem! — Gritou o visado, vermelho como uma pimenta.

— A única ordem que você entende é a ordem de despejo que vai receber se sua esposa descobrir onde você gasta os fundos de gabinete .— Devolveu Waldir, sorrindo.

O caos se instalou. O presidente da Câmara martelava o malhete com tanta força que parecia querer quebrar o mármore da mesa. Waldir foi retirado da tribuna por seguranças, mas não parou. Nos corredores, cercado por jornalistas ávidos por um título de primeira página, ele continuou sua metralhadora de fatos.

— Deputado, o senhor está renunciando? — Perguntou uma repórter da TV ÁGAPE.

— Minha filha, eu adoraria renunciar e ir morar em uma praia em Fortaleza, mas eu ganho muito bem para fazer quase nada e tenho um ego maior que o Estádio Mané Garrincha. Eu só resolvi falar a verdade porque mentir cansa a musculatura da face, e minha dermatologista disse que o botox não está mais segurando as rugas de preocupação com a Polícia Federal.

A repercussão foi imediata. Nas redes sociais, Waldir Valadares tornou-se um fenômeno. O povo, cansado da linguagem empolada e das promessas vazias, dividia-se entre o riso e a perplexidade. Alguns o chamavam de profeta; outros, de louco. No mercado financeiro, as ações de empresas citadas por ele despencaram em questão de minutos. O governo entrou em modo de contenção de danos, tentando internar o deputado à força em uma clínica psiquiátrica de luxo sob o diagnóstico de "Síndrome da Veracidade Compulsiva".

À noite, em seu gabinete, Valadares recebeu a visita de um dos caciques de seu partido, um homem cujos cabelos brancos e voz mansa escondiam uma das mentes mais perigosas da política nacional.

— Waldir, meu caro. — disse o cacique, fechando a porta com cuidado. — Brincadeira divertida. O país parou. Agora, vamos soltar uma nota dizendo que foi uma reação adversa a um novo remédio para dormir e que você pede desculpas pelo "delírio".

Waldir olhou para o velho amigo e sentiu uma pontada de pena.

— Sabe o que é, presidente? Eu olhei para você agora e só consegui pensar em como esse seu implante capilar ficou ridículo. Parece grama de campo de golfe. E aquela conta que você tem nas Ilhas Cayman? O número é bem fácil de decorar, comecei a anotar hoje de manhã.

O cacique empalideceu. O suor brotou em sua testa, revelando a linha artificial do cabelo.

— Você não faria isso. Acabaria com a sua carreira também.

— Que carreira, homem? Eu sou um político que fala a verdade. Minha carreira acabou no momento em que o mamão entalou na minha glote. Agora eu sou apenas um homem livre observando o incêndio. E quer saber? As chamas são lindas.

Brasília nunca mais seria a mesma nas semanas seguintes. Waldir tornou-se um "homem-bomba" ambulante nos jantares de gala e nas sessões solenes. Ele apontava conflitos de interesse em contratos de licitação como quem aponta o sabor de um sorvete. Mas havia algo mais profundo acontecendo. O riso inicial deu lugar a um desconforto coletivo. A verdade dói, não apenas em quem a ouve, mas no tecido de uma sociedade construída sobre pequenos acordos de silêncio.

Ele percebeu que a honestidade radical em um ambiente saturado de simulação é a maior das rebeldias. Não havia estratégia em seu comportamento, apenas a impossibilidade de operar o filtro que separa o pensamento da fala. No entanto, em meio ao terremoto político que causava, Waldir começou a notar pequenas conexões humanas que antes lhe escapavam. Ao falar a verdade sobre suas próprias fraquezas e medos, ele começou a atrair confessionários espontâneos. Garçons do Congresso lhe contavam segredos não para chantagear, mas para se sentirem vistos. Ele percebeu que, por trás da máscara do poder, havia uma fragilidade monumental movida pela necessidade básica de ser aceito.

Em seus momentos de solidão, olhando as luzes de Brasília da janela de seu apartamento funcional, ele pensava em como a vida era um emaranhado de causas e efeitos. Talvez o seu surto de verdade fosse o contraponto necessário para o drama de alguém em outro canto do Brasil. Talvez sua fala desastrada pudesse, por caminhos tortuosos, ajudar a encontrar algo que estava perdido — seja um filho em São Paulo ou a dignidade de uma rainha no Carnaval.

O fenômeno Valadares serviu para mostrar que a realidade é muito mais estranha que a ficção. Em uma cidade projetada para o futuro, o ato mais revolucionário que um homem pôde praticar foi o de resgatar a mais antiga e simples das virtudes humanas. No final das contas, Waldir descobriu que a verdade não liberta apenas quem a conhece; ela obriga todos ao redor a lidarem com o próprio reflexo no espelho, mesmo que o reflexo mostre olheiras profundas ou um implante capilar mal-sucedido. E enquanto Brasília tentava desesperadamente construir uma nova mentira para abafar suas revelações, o deputado sentava-se na varanda, respirando o ar seco do planalto e esperando pelo próximo pensamento que, inevitavelmente, ganharia o mundo sem filtros, sem pudores e sem volta.

Como diria Neruda: “ A verdade é que não há verdade”. Será verdade?

Por José Casanova
Professor, Jornalista, Escritor e Crônista
Menbro da Academia Bacabalense de Letras
Academia Mundial de Letras da Humanidade

 




segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

CRÔNICA DO DIA: O Salto Quebrado da Rainha

 

O Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, era um organismo pulsante, uma massa de luzes, cores e um som que não se ouvia apenas com os ouvidos, mas com o peito. Para Sheila Raquel, aquela noite representava o ápice de uma jornada que começara muito longe daquelas arquibancadas lotadas, nas ruas planas e quentes de Bacabal. Ela não era apenas uma mulher sambando; ela era o símbolo de uma comunidade, a Rainha de Bateria que carregava nos ombros a responsabilidade de nota dez no quesito evolução e harmonia. Sua fantasia, uma estrutura imponente de penas de faisão em tons de degradê entre o azul-royal e o turquesa, custara meses de economia e cada gota de seu suor nos ensaios técnicos.

O coração batia na cadência do surdo de marcação. Enquanto a escola se posicionava na concentração, Sheila sentia a adrenalina percorrer suas veias. Ela ajustou a coroa, incrustada com cristais que refletiam os refletores potentes, e sorriu para os fotógrafos. O Carnaval tem essa magia: ele transforma pessoas comuns em divindades temporárias. Naquele momento, ela não era a vendedora de cosméticos que lutava para pagar o aluguel; ela era a soberana absoluta dos ritmistas.

— Tudo pronto, rainha? — Perguntou Mestre Jorge, o comandante da bateria, com o apito já entre os dentes.

— O coração está saindo pela boca, Jorge, mas a gente vai fazer história — respondeu ela, ajeitando as tiras da sandália que subiam por suas pernas torneadas.

— Confia na sua luz. Quando a gente entrar, o chão vai tremer.

O sinal verde brilhou. O grito de guerra do puxador de samba rasgou o ar e a bateria explodiu. Sheila deu o primeiro passo, uma explosão de graça e vigor. Cada movimento de seus quadris parecia ditar o ritmo da percussão. Ela entrou na avenida como uma força da natureza, distribuindo sorrisos e beijos, os braços abertos para abraçar a multidão. A Marquês de Sapucaí gritava seu nome. Ela sentia que nada no mundo poderia pará-la. Brasília, São Luís, Fortaleza, São Luia Gonzaga... parecia que o Brasil inteiro estava ali, concentrado naquela passarela de asfalto.

Foi no meio do Setor B, exatamente onde as câmeras de televisão captavam cada detalhe, que o destino, sempre irônico, decidiu intervir. Ela executou um giro rápido, um movimento que ensaiara mil vezes, mas ao apoiar o peso no pé esquerdo, ouviu um estalo seco. O som, para ela, foi mais alto que o repique da bateria. O salto de quinze centímetros da sua sandália de gala, feito de um acrílico reforçado que deveria ser indestrutível, sucumbiu.

Em um milésimo de segundo, o mundo de Sheila inclinou-se. O equilíbrio sumiu. A dor no tornozelo foi uma agulhada ardente, mas não se comparava ao pânico que gelou sua espinha. Uma rainha de bateria não pode cair. Se ela caísse, a harmonia da escola seria prejudicada. O "buraco" na frente da bateria seria imperdoável para os jurados. 

— Ai, meu Deus — Murmurou ela, entre dentes, mantendo o sorriso congelado para as câmeras enquanto sentia o pé esquerdo ceder.

— Shirley, o que houve? —Perguntou um dos diretores de harmonia que caminhava ao lado, percebendo a hesitação súbita.

— O salto. Quebrou. Jorge, não para! Continua! — Ela comandou, embora o suor que agora escorria por seu rosto não fosse mais apenas de calor, mas de puro desespero.

Ela tinha duas escolhas: sair da avenida e chorar a derrota de um ano inteiro, ou encontrar uma forma de continuar o show. O asfalto estava fervendo, e sem o salto, sua perna esquerda estava agora vários centímetros abaixo da direita, destruindo sua postura e sua cadência. O público começou a notar. Um murmúrio de preocupação percorreu a frisa. Shirley respirou fundo, fechou os olhos por um breve segundo e tomou a decisão que definiria sua vida dali em diante.

Em um gesto coreografado, como se fizesse parte da apresentação, ela se abaixou e desamarrou rapidamente as tiras da sandália esquerda. Com um movimento firme, arrancou também a sandália direita. Ali, no centro da passarela, a rainha, leteralmente, desceu do salto. O contato direto do pé descalço com o asfalto quente foi um choque térmico, mas ela não recuou. Ela jogou os calçados caríssimos para o lado, em direção aos assistentes, e ergueu o queixo.

A bateria, percebendo a garra da sua líder, dobrou a intensidade. Os ritmistas começaram a gritar em incentivo. Sheila recomeçou o samba, mas agora era diferente. Havia uma força primitiva em seus pés descalços tocando o chão. Ela não era mais uma boneca de luxo em cima de plataformas; era uma mulher negra, real, de carne, osso e resiliência. O samba tornou-se mais rasteiro, mais ancestral, um toque de pés que parecia conversar diretamente com a terra, ignorando o calor do asfalto negro.

— Isso mesmo, rainha! No chão! No chão! — Gritava Mestre Jorge, visivelmente emocionado com a cena.

Ela sentia pequenas bolhas começarem a se formar sob a planta dos pés, mas a dor fora anestesiada pelo rugido da arquibancada. A Marquês de Sapucaí, que antes a admirava pela beleza, agora a reverenciava pela coragem. Milhares de pessoas se levantaram e começaram a aplaudir. Ela cruzou o restante da avenida com uma energia renovada, cada pisada no asfalto sendo um manifesto de que nenhum acidente material é capaz de apagar o brilho de quem carrega a verdade na alma.

Ao cruzar a linha final, na dispersão, Sheila colapsou nos braços das baianas que a esperavam. Suas pernas tremiam violentamente e seus pés estavam escoriados, mas seu rosto brilhava com uma satisfação que nenhum troféu poderia proporcionar. Ela sabia que aquele salto quebrado não fora um azar, mas uma oportunidade de provar a si mesma que sua realeza não dependia de acessórios. 

— Você foi gigante, Shirley. — Disse uma das baianas, entregando-lhe um copo de água e um par de chinelos velhos. — O povo nunca vai esquecer essa sua garra.

— Eu só não queria deixar a escola na mão. — Respondeu ela, com a voz embargada. — O destino quis me derrubar, mas ele esqueceu que eu aprendi a andar em chão de terra da rua Paulo Rmos lá em Bacabal. O asfalto do Rio de Janeiro é só mais um caminho.

Enquanto era carregada para o posto médico, Sheila Raquel pensava na ironia dos eventos. Se o salto não tivesse quebrado, ela teria sido apenas mais uma rainha bonita na história da escola. Agora, ela era a rainha que venceu o asfalto. Aquele imprevisto, aquele pequeno caos mecânico no meio da festa mais planejada do país, foi o que permitiu sua transformação. Naquela noite, a resiliência foi o seu adereço mais brilhante. Ela entendeu, com uma clareza que só as situações desesperadoras trazem, que a vida muitas vezes nos tira o sustento dos pés apenas para nos ensinar a voar. E enquanto o gelo era colocado em seus pés feridos, no silêncio relativo do posto médico, ela teve a estranha sensação de que as voltas do destino ainda trariam surpresas em outros cenários, talvez sob as luzes mais frias e calculistas de uma capital onde as verdades costumam ser tão raras quanto um salto inquebrável.

 

José Casanova

Professor, Jornalista, Crônista e Escritor

Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundia de Letras da Humanidade 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

ABL participa de Diálogo com a Corregedora-Geral do Ministério Público em Bacabal

 

A Academia Bacabalense de Letras (ABL) participou, nesta segunda-feira (09), do Diálogo com a Corregedora-Geral do Ministério Público, Fátia Travassos,  realizado no Salão do Júri da Comarca de Bacabal. Representando a instituição, o presidente da ABL, José Casanova, integrou o encontro que reuniu autoridades do Judiciário, Executivo e representantes da sociedade civil organizada.

O evento contou com a presença de secretários municipais, prefeitos, juízes, promotores de Justiça, conselheiros tutelares e lideranças comunitárias, consolidando-se como um espaço de diálogo democrático e fortalecimento institucional.

A Corregedora-Geral do Ministério Público do Maranhão, Fátima Travassos, conduziu o encontro com competência e desenvoltura. O diálogo teve como objetivo dar transparência aos trabalhos correicionais desenvolvidos nas Promotorias de Justiça de Bacabal, Lago Açu e Olho d’Água das Cunhãs, cidades  representadas   pelos prefeitos professora Ceci e Vaval Gomes, além de promover uma escuta qualificada das autoridades, instituições e segmentos sociais.

O prefeito de Bacabal, Roberto Costa, fez-se representar pela advogada Máxima Regina. Também se pronunciaram a Delegada da Mulher de Bacabal e a Comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar, Tenente-Coronel Leila, que destacaram a importância do momento para o fortalecimento da rede de proteção e da atuação integrada das instituições.

Promotores e magistrados, entre eles Dr. Elder, Dra. Michelle e Dr. Paulo destacarm  o trabalhos desenvolvida pela corregedoria .  Membros do Conselho Tutelar de  Bacabal, elogiaram o trabalho desenvolvido pela promotora Dra. Michelle, ressaltando o compromisso com a justiça e a defesa dos direitos da população.

Durante o evento, o presidente da ABL, José Casanova, fez uso da palavra para destacar os 25 anos da Academia Bacabalense de Letras, que serão celebrados no próximo dia 24 de março, e enfatizou a necessidade da construção de uma sede própria para a instituição. Segundo ele, a ABL tem desempenhado papel fundamental na promoção da cultura, da literatura e da cidadania no município.

O Diálogo com a Corregedora-Geral do Ministério Público reforçou o compromisso do Ministério Público com a transparência, a democracia e a aproximação com a sociedade, fortalecendo a atuação conjunta das instituições na promoção da justiça e dos direitos fundamentais.









domingo, 8 de fevereiro de 2026

ABL prestigia posse de Osmar Gomes na Academia Ludovicense de Letras

 

A Academia Bacabalense de Letras (ABL) marcou presença na Sessão Pública de posse do cronista, escritor e magistrado Osmar Gomes como membro Presidente da Academia Ludovicense de Letras, realizada nesta quinta-feira (5), no Fórum Desembargador Sarney Costa, em São Luís. O evento reuniu representantes de Academias de Letras de diversas regiões do Maranhão, além de advogados, juristas e convidados ligados ao meio cultural e acadêmico.

A cerimônia teve um tom leve e descontraído, fugindo ao protocolo excessivamente formal que costuma marcar solenidades acadêmicas. Poucos convidados fizeram uso da palavra, o que contribuiu para uma sessão dinâmica e envolvente. Um dos momentos mais marcantes foi a apresentação da Companhia Teatral Beto Bittencourt, que encenou, com atores e bonecos, uma divertida performance sobre a trajetória de Osmar Gomes, desde sua juventude até a conquista do cargo de juiz, arrancando risos e aplausos da plateia.

O empossado, reconhecido por sua atuação como cronista e escritor, agradeceu a presença dos convidados e conduziu a sessão com desenvoltura e elegância, destacando a importância da literatura e da cultura como instrumentos de humanização do Direito e da sociedade.

O presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA), escritor César Brito, também se pronunciou, ressaltando a relevância do momento para a cultura maranhense e o fortalecimento das instituições literárias no estado. Crianças e adolescentes da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil emocionaram o público com a recitação de poemas, reafirmando o papel da literatura na formação das novas gerações.

Bacabal esteve representada pelo escritor José Casanova, presidente da Academia Bacabalense de Letras, pelo presidente da OAB Bacabal, Dr. Gilberto Júnior Lacerda, pelo advogado Dr. Jefferson Santos e pelo vereador João Alberto de Sousa, que prestigiaram a solenidade e reforçaram os laços culturais entre Bacabal e a capital maranhense.

A posse de Osmar Gomes foi celebrada como um grande momento da cultura ludovicense, reunindo literatura, teatro, juventude e tradição acadêmica em uma noite que reafirmou a vitalidade das letras maranhenses e o diálogo entre o mundo jurídico e a produção literária.












terça-feira, 20 de janeiro de 2026

ABL participa do I Encontro da Política Nacional de Equidade Racial e Educação Quilombola em Bacabal

 

A Academia Bacabalense de Letras (ABL) marcou presença no I Encontro da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Quilombola (PNEERQ), realizado no dia 20 de janeiro, na Escola Juarez Gomes, em Bacabal. A instituição foi representada por seu presidente, José Casanova, reforçando o papel da literatura e da cultura na construção de uma educação antirracista no Maranhão.

O evento teve como público-alvo agentes locais e focais da PNEERQ da regional de Bacabal e contou com a participação da professora Rita de Cássia, Agente de Governança Regional da URE-Bacabal. O encontro teve como principal objetivo promover o debate e discutir estratégias para o fortalecimento da equidade racial e o enfrentamento das desigualdades étnico-raciais na Unidade Regional de Educação de Bacabal, que tem como gestor o professor Jerry Ibiapina.

Durante sua participação, José Casanova destacou a importância de uma educação antirracista nas escolas maranhenses, ressaltando que o combate ao racismo passa, necessariamente, pelo currículo, pela valorização das identidades negras e quilombolas e pelo incentivo à leitura desde a infância.

O presidente da ABL também enfatizou o trabalho desenvolvido pela FALMA – Federação das Academias de Letras do Maranhão, que já atua em cerca de 65 municípios do estado, contribuindo para a criação de academias de letras, o estímulo à leitura e o surgimento de jovens escritores maranhenses. Segundo Casanova, essa produção literária local pode e deve ser utilizada como ferramenta pedagógica em sala de aula, aproximando os estudantes de suas próprias realidades culturais.

Em um momento de forte simbolismo, Casanova realizou a leitura dramatizada de uma de suas crônicas e apresentou a boneca literária do livro “Crônicas Pretas”, obra que tem lançamento previsto ainda para este ano e dialoga diretamente com as temáticas da identidade negra, memória e resistência cultural.

O encontro também promoveu discussões com os representantes sobre a elaboração e execução do Plano Municipal da PNEERQ, fortalecendo o intercâmbio de experiências e a troca de boas práticas entre os participantes, com foco na construção de políticas educacionais mais justas, inclusivas e comprometidas com a diversidade étnico-racial.

A participação da ABL no evento reafirma o compromisso da instituição com a educação, a literatura e a promoção da equidade racial, colocando a palavra escrita e falada como instrumento de transformação social.








sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

CRÔNICA DO DIA: João Cláudio Moreno na Praça do Imaginário

 

Um Mestre da cultura brasileira. Talvez seja isso. Ou talvez eu esteja exagerando. Cronista também exagera. Mas há artistas que entram em cena pelo aplauso. Outros chegam pelo riso fácil. João Cláudio Moreno, não. Ele chega como quem puxa uma cadeira na calçada, pede licença à memória coletiva e começa a conversar. Conversa com o povo, com o passado, com as vozes que ainda ecoam no rádio de pilha e nas histórias contadas ao pé da rede.  Bastam dois dedos de prosa para percebermos que João Cláudio não interpreta o Nordeste. Ele o escuta primeiro. Depois, devolve em forma de humor, afeto e inteligência.

Nascido no Piauí, esse homem de fala afiada e olhar curioso aprendeu cedo que o riso pode ser uma ferramenta séria. Humorista, apresentador, ator, compositor e imitador de primeira grandeza, João Cláudio construiu sua carreira sem gritar para ser ouvido. Prefere a sutileza, o detalhe, o gesto pequeno que diz muito. Seu humor não humilha, não empurra, não atropela. Ele convida. E quem entra no convite dificilmente sai ileso do encantamento coletivo provocado por sua arte.

Foi numa dessas noites quentes, em que a lua parece cochichar segredos antigos, que João Cláudio resolveu atravessar a fronteira invisível entre o palco e o imaginário popular. Sentou-se numa praça de Piripiri, dessas que têm coreto, poste antigo e cheiro de café passado, quando ouviu o som conhecido de uma sanfona. Não precisou perguntar quem era. Luiz Gonzaga apareceu como quem nunca foi embora.


O Caldeirão parecia que ia ferver com a aparição. Era nessa efervescência identitária que João Cláudio Moreno busca inspiração para suas criações.

O Rei do Baião ajeitou o chapéu, sorriu de canto e disse:
- Oxente, João, tu ainda anda espalhando riso por aí?

João Cláudio respondeu com respeito e travessura:
- Espalho, mestre. Aprendi foi com o senhor. O riso também pode dançar.

Gonzaga riu alto, um riso de couro e sol, e a sanfona pareceu concordar. Falou da importância de não esquecer o chão, de carregar o Nordeste no peito sem transformar cultura em caricatura. João Cláudio ouviu atento. Ele sempre ouve. Seu talento maior talvez seja esse: saber escutar antes de imitar, compreender antes de representar.

A conversa foi interrompida por uma gargalhada poderosa que atravessou a praça como um tamborim bem marcado.  Começa agora o grande encontro. Alcione chegou cantando, com a voz que parece trazer junto todas as dores e alegrias do povo.

Olhou para João Cláudio e disse:
- Meu filho, humor sem verdade não sustenta samba nenhum.

Ele concordou com um aceno humilde. Lembrou quando a entrevistou tentando expressar os laços existentes entre o Piauí e o Maranhão.

            Alcione falou de palco, de responsabilidade artística, de como o artista precisa ter bom senso para não ferir aquilo que diz amar. João Cláudio respondeu contando histórias, imitando vozes, mas sempre com carinho. Seu humor jamais atravessa a linha do desrespeito. Ele sabe que a cultura nordestina não é figurino. É pele.

Quando a noite já parecia completa, um silêncio estranho tomou conta da praça. Talvez das águas escuras de algum rio, surgiu a figura torta e mítica do Cabeça de Cuia, personagem do imaginário piauiense, metade medo, metade lenda, inteiro símbolo. João Cláudio não recuou. Olhou nos olhos da criatura e, com naturalidade, puxou conversa.

- Tu não cansa de ser só assombração? - Perguntou.

A lenda , pego de surpresa, respondeu com voz cansada:
- Canso. Mas alguém precisa lembrar as histórias.

Sempre achei que o Cabeça de Cuia fosse parte do inconsciente coletivo do povo nordestino. Foi ali que João Cláudio mostrou sua maior virtude. Transformou o medo em riso, a lenda em reflexão. Fez do Cabeça de Cuia não apenas um susto folclórico, mas um personagem humano, cheio de contradições. Tais como os meninos e meninas que entre pés de tucuns vivem uma aventura além das matas e caatingas.

Confesso que o humor virou ponte. A gargalhada virou memória preservada.

Entre Gonzaga, Alcione e o Cabeça de Cuia e tantos outros personagens da alma coletiva brasileira, João Cláudio Moreno seguiu costurando falas, vozes e gestos com a habilidade de quem conhece o peso da palavra. Seu talento de imitador não está apenas na precisão vocal, mas no respeito à essência de cada personagem. Ele não copia. Ele interpreta com alma.

Quando a madrugada chegou, a praça voltou ao silêncio. Não o silencio da inocência, mas o silêncio que traz a fala coletiva do povo.

João Cláudio levantou-se, sacudiu a poeira imaginária da roupa e seguiu caminho. Levava consigo mais histórias para contar e a certeza de que humor, quando feito com bom senso artístico, não envelhece. Vira patrimônio.

E talvez seja por isso eu veja em João Cláudio Moreno alguém que permanece. Porque, enquanto muitos fazem rir por um instante, ele faz sorrir com memória, identidade e verdade. Um cronista do riso nordestino que entende que gargalhar também é um ato de pertencimento.


José Casanova
Professor, Jornalista, Escritor e Crônista
Membro da Academia Bacabalense de Letras
Acedemia Mundial de Letras da Humanidade
Tutor da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil

 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Reunião preparatória discute criação de Academia de Letras em Vitorino Freire

Um passo importante para o fortalecimento da identidade cultural de Vitorino Freire foi dado nesta terça-feira(30) durante a Reunião Preparatória para a Criação da Agremiação Cultural do município. O encontro reuniu escritores, produtores culturais e representantes de instituições literárias, abrindo caminho para a organização formal de uma entidade voltada à valorização da cultura e da litertura local, ou seja , uma  Academia de Letras.

A reunião contou com a presença do presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA), o escritor César Brito, e do presidente da Academia Bacabalense de Letras (ABL), o escritor José Casanova, que contribuíram com orientações e experiências sobre a criação e o funcionamento de academias e agremiações culturais no estado.

O encontro foi articulado pelo produtor cultural Murilo, responsável por mobilizar os agentes culturais do município e promover o diálogo em torno da necessidade de uma organização que represente e fortaleça a produção literária e artística de Vitorino Freire.

Na abertura dos trabalhos, César Brito destacou a viabilidade e a importância da criação de uma Academia de Letras em Vitorino Freire, ressaltando o papel dessas instituições na preservação da memória, no incentivo à escrita e na promoção da cultura. A proposta foi bem acolhida pelos participantes, em sua maioria escritores, que demonstraram entusiasmo e abraçaram a ideia de forma coletiva.

Durante a reunião, os participantes se apresentaram e compartilharam suas produções culturais, em um momento de escuta, troca de experiências e reconhecimento mútuo. O encontro seguiu com um bate-papo descontraído e orientador, no qual foram discutidos caminhos legais e organizacionais para a formalização da agremiação.

Ao final, foi criada uma comissão responsável por conduzir os próximos passos do processo de criação da futura academia. A comissão ficará encarregada da definição do nome da organização cultural, da elaboração do estatuto, da criação das insígnias institucionais e da organização geral da entidade.

A reunião marcou o início de um movimento coletivo em prol da cultura local, sinalizando o compromisso dos escritores e produtores culturais de Vitorino Freire com a valorização da identidade, da literatura e das expressões artísticas do município.









César Brito Presidente da FALMA


Academia Gonzaguense de Letras realiza Sessão Pública com posse de novos membros no Povoado Nova Vida

 

A Academia Gonzaguense de Letras realizou, no dia 29 de dezembro, a partir das 11h, uma Sessão Pública Solene no sítio Nosso Canto, localizado no Povoado Nova Vida. O encontro marcou a diplomação e posse de novos membros da instituição, além de um momento de confraternização entre sodálícios, familiares e convidados.

A solenidade reuniu representantes do poder legislativo municipal, com a presença de vários vereadores da cidade, reforçando o reconhecimento público do papel cultural desempenhado pela Academia. O evento contou ainda com a participação do presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA), o escritor César Brito, que, na ocasião, também tomou posse como membro da Academia Gonzaguense de Letras.

Prestigiando a sessão, esteve presente o presidente da Academia Bacabalense de Letras (ABL), o escritor José Casanova, fortalecendo os laços entre as instituições literárias da região e reafirmando o espírito de cooperação entre as academias de letras do Maranhão. O Presidente da Academia São-Mateuense de Ciências, Artes e Letras Stuart Júnior.

Os trabalhos foram presididos pelo presidente da casa, J. Gomes, que conduziu a sessão com a formalidade e o simbolismo próprios das academias literárias. Além de César Brito, foram empossados como novos membros os acadêmicos Ruzenido Aguiar, Luzelena Maria, Valmir Oliveira, Manoelina Moraes e Carlos Frazão.

Após a solenidade oficial, os participantes seguiram para um momento de confraternização, marcado pelo diálogo, pela celebração da cultura e pelo fortalecimento dos vínculos entre os integrantes da Academia e a comunidade local.

A Sessão Pública consolidou a Academia Gonzaguense de Letras como uma das principais casas de cultura da cidade, reafirmando seu compromisso com a valorização da literatura, da memória e da identidade cultural do município.