A UNEGRO APOIA O BLOG DIÁRIO DO MEARIM

PONHA AQUI A PROPAGANDA DE SUA EMPRESA

Roberto Costa é eleito presidente da FAMEM para o biênio 2025/2026

FAMEN coloca Bacabal e Roberto Costa em evidência

Flamengo pode ter mudança diante do Bangu em São Luís

Técnico Cléber do Santos pode apostar em trio de ataque nesta noite no Castelão.

Sessão Solene na Câmara Municipal de Bacabal Celebra o Dia Internacional da Mulher

Vereadoras Nathália Duda e Regilda Santos conduzem Sessão Solene

Mostrando postagens com marcador CRONICA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CRONICA. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de novembro de 2025

CRÔNICA: A CIDADE ONDE ATÉ OS MILAGRES ERRAM A MIRA

 

Eu ouvi essa história numa roda de amigos, e Juro, quase caí da cadeira. Na pequena Santa Filomena das Bacabas, cidade tão sossegada que até o vento cochilava na sombra da igreja matriz, todo mundo conhecia as manias do padre Horácio. Homem bom, de alma leve, mas com um vício que Deus talvez tolerasse na categoria “pecadinhos humanos”: baralho. Não jogava por dinheiro, ou pelo menos era o que garantia com aquele sorriso santo demais para convencer alguém. Jogava porque dizia que “um padre também precisa exercitar o raciocínio”. E assim, entre Ave-Marias e trincas de ouros, o padre vivia.

Numa certa manhã de domingo, correndo contra o relógio para começar a missa das nove, a mais disputada, já que depois dela o povo ia direto para o mercado comprar galinha, o padre Horácio arrumou às pressas o sacrário. O piso claro da igreja ganhou umas manchas novas, cortesia dos sapatos enlameados do padre. Nem percebeu que, entre as hóstias, uma ficha branca do seu jogo de baralho se infiltrara como quem pede guarida no reino dos céus.

A missa correu bonita, até o momento da comunhão.

Foi quando apareceu ele: Milo Bregueço, o clássico bêbado oficial da cidade, cambaleando no corredor como quem procura o chão pra pedir desculpas. O padre, cheio de piedade e sem óculos naquele instante, colocou na boca do infeliz justamente a ficha branca.

Bregueço o mastigou.
Mastigou de novo.
Fez uma careta.
Tentou dissolver o milagre que não desmanchava.

Uma senhora devota, sentada ao lado dele, Dona Mariazinha, aquela que nunca perdia a chance de ensinar a fé alheia, sussurrou aflita:

- Irmão… não mastigue Nosso Pai!

Milo Bregueço virou o rosto devagar, olhos apertados, boca tentando triturar o que parecia uma telha de cerâmica.

- Nosso Pai? — Disse ele. — Duro desse jeito… só pode ser o nosso avô.

A mulher soltou um grito tão agudo que até o santo da parede se envergonhou e baixou as asas.

Mas os feitos de Bregueço não pararam aí.Santa Filomena das Bacabas tinha uma particularidade urbanística: a igreja matriz ficava colada ao estádio municipal, separados apenas por uma cerca que já perdera metade dos talos. Era comum, portanto, que um gol animado interrompesse uma ladainha, ou que um hino interrompesse um pênalti.

Num domingo seguinte, ainda com mais álcool do que sangue no corpo, Milo Bregueço entrou na igreja achando que estava indo assistir ao jogo. Sentou-se, fez pose de torcedor e esperou o apito inicial.

No púlpito, o padre Horácio pregava com entusiasmo:

-  Jesus passou na Galileia! Jesus passou no Getsêmani! Jesus passou em Nazaré! Jesus passou pela Judeia!

Bregueço, acreditando firmemente estar acompanhando uma narração esportiva, do narrador Carlos Borromeus, levantou o braço e berrou com toda a potência que a cachaça lhe dava:

-  Esse time não tem zagueiro, não!? Derruba esse cara, senão ele faz o gol!

A igreja inteira virou para ele. Risos inocentes...
O padre suspirou fundo.

E Milo Bregueço, finalmente entendendo o mal-entendido, fez o sinal da cruz de

um jeito tão atravessado que parecia estar espantando mosquitos.

No fundo, a gente é tudo meio Milo Bregueço: mastigando o que não desmancha e tentando entender sermão como se fosse jogo. Isso acontece quando caminhamos depressa demais, distraídos demais ou bêbados demais, de cachaça, de pressa, de orgulho.  Se tem lição nisso tudo, talvez seja só essa: quem vive distraído engole cada ficha que Deus duvida. O riso que fica é um lembrete doce, e meio trôpego, de que até as trapalhadas podem ensinar alguma coisa.

Dizem que foi verdade, e se não foi, deveria ter sido.

José Casanova

Professor, Jornalista, Escritor e Cronista membro da

Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade

Tutor da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil

 

 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

O país que esquece, o povo que lembra

Dona Nair costuma dizer que o Brasil tem memória curta, e que essa falha nunca foi inocente. Dizia isso ajeitando seus óculos tortos, na calçada da Rua do Cajueiro, enquanto olhava o movimento da cidade como quem procura respostas no vai-e-vem das pessoas. Ás vezes olhava o quintal preocupada com o nível do rio Mearim.

- Ô país curioso, esse nosso -  Resmungava ela, com aquele jeito de quem conhece a vida por dentro e por fora.  -  . Neste país, uns ganham caminhos abertos. Outros só conhecem o peso das correntes.

Chegara a essa conclusão depois de ver uma palestra de Rita de Cássia  ativista por uma sociedade antirracista. Depois daquela reunião na Associação de moradores sua vida nunca mais foi a mesma.

Numa tarde de novembro, quando o sol parecia bater continência ao Dia da Consciência Negra, sentei-me com ela e com o neto, Caíque, recém-chegado da escola, onde tinha ouvido, pela primeira vez, que seus bisavôs haviam sido “trazidos da África”.
Ele franzia a testa, confuso:

            -  Vó, como alguém pode chamar isso de viagem?

- viagem nada Caique. Aquilo era sequestro em alto mar

Dona Nair respirou fundo, como quem busca nas próprias memórias aquilo que a história oficial insistiu em não escrever.

-  Meu filho, teve gente que veio pra cá de navio porque quis. Vieram com mala, contrato de trabalho, promessa de terra e até dinheiro pra começar a vida. Isso o governo deu. Agora… -  E a voz dela ficava mais grave -  Teve outros milhões que chegaram nos mesmos barcos, mas trancados no porão, sem ar, sem nome, sem futuro. Esses eram seus bisavôs.

Ela olhou para o asfalto quente como quem enxerga além dele: via o passado.

-  Eram navios negreiros, Caíque. Eram tumbeiros, meu filho. Barcos onde gente viva era empilhada como carga. Tiravam-lhes a língua, a terra, o rumo. Aqui chegaram sem nome e sem direito até de existir. Gente que não recebeu nada, nem salário, nem fotografia pra dizer que existiu. Receberam só o ferro e a chibata.

O menino ficou em silêncio, mastigando a indignação com a ponta dos dentes.
Eu também.

Afinal, é estranho perceber que, num país onde 56,7% da população é preta, com 118 milhões de pessoas negras, a história ainda é contada como se elas tivessem surgido do nada, como sombras sem origem.

Depois da abolição malfeita, o Estado abriu as portas ,  mas não para quem tinha construído o país. Reservou terras e salários aos que vinham da Europa, enquanto empurrou os negros libertos para a beira do nada.

Dona Nair, porém, nunca engoliu essa versão torta.

-  Sempre tentaram nos diluir, Caíque. Primeiro pelo branqueamento forçado, depois pela pobreza empurrada goela abaixo, e agora pelas balas que insistem em achar corpos pretos.

Foi então que o vizinho Seu Adauto, velho militante do movimento negro e sobrevivente de muita luta, se aproximou devagar com seu inseparável rádio pendurado no ombro.Sentou-se ao nosso lado como quem entra numa roda ancestral.

-  Quando a história insiste em apagar, é a gente que acende a luz. — Disse Seu Adauto. -  Lembra de Abdias do Nascimento, de Lélia Gonzalez, de Carolina Maria de Jesus, de Zumbi e Dandara dos Palmares. A memória preta é teimosa, meu povo. Não cabe em livro rasurado.

Caíque, ouvindo os nomes como quem recebe herança, perguntou:

-  E o que a gente faz agora?

Seu Adauto sorriu, aquele sorriso que mistura cansaço e esperança.

- Agora, meu menino, a gente luta. Todo dia. Na escola, na rua, no voto, na escrita, no afeto. A gente faz barulho para que a história deixe de ser apagada. Ser preto no Brasil é ser sobrevivente, mas também é ser semente.

Dona Nair levantou-se devagar, segurando o queixo do neto com carinho.

-  O Brasil tentou nos esquecer, Caíque. Mas nós é que lembramos o Brasil quem ele é.

Naquele fim de tarde, o céu do Maranhão parecia um grande pano aberto, como se os ancestrais estivessem costurando nossa história de volta, senti que aquela família , e milhões de outras como ela , eram a verdadeira espinha dorsal do país.

Não a história que contaram, mas a história que resistiu.

Sou escritor negro pardo conectado com meus ancestrais, minha pena não tem pena de descrever a verdade. E neste dia da consciência negra espero que você tome ciência que a quantidade de melanina na sua pele, não te faz pessoa melhor ou pior; somos todos Brasileiros.

José Casanova
Professor, Jornalista, Escritor e Cronista
Membro da Academia Bacabalense de Letras
Academia Mundial de Letras da Humanidade
Tutor da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil


sábado, 19 de julho de 2025

CRÔNICA DO DIA: Paraíba 67 vezes presente

O som do Parabéns pra você era ouvido pelos corredores como se cada prateleira cantasse junto. Balões amarelos e vermelhos tremulavam com a brisa das portas automáticas, e o cheiro de bolo recém-cortado disputava espaço com o de estofados novos e eletrodomésticos recém-ligados.

Na loja do Armazém Paraíba em Bacabal, o tempo parecia ter parado só para lembrar que 67 anos também se comemoram com coração  e, claro, com promoções. Clientes entravam e saíam como quem visita a casa de um velho amigo. Entre eles, dona Arlinda, 78 anos, se ajeitava com sua bolsa no braço e um sorriso no rosto:

— Menina, foi aqui que eu comprei minha primeira geladeira — disse ela à neta, que filmava tudo no celular.

— Em que ano, vó?

— Ora, nem tinha cartão de crédito! Eu pagava no carnê, mês a mês. E o vendedor me conhecia pelo nome. Seu Raimundinho! Você não lembra não? — E ria, como se pudesse ver o vendedor ali na frente, do outro lado do balcão, ainda de terno claro e caneta no bolso.

Logo ao lado, dois senhores comentavam animados:

— Tu te lembra, Chico, do tempo que a gente corria atrás do carro do Paraíba? Só pra ganhar uma bola ou seguir o balão?

— Lembro demais! E o balão subia tanto que parecia que ia levar a gente pro céu — Respondeu Chico, os olhos úmidos de infância.

Nu canto da loja, em ambiente criado especialmente para a ocasião, o gerente Paulo, de camisa bem passada e sorriso treinado, posava para fotos ao lado do bolo gigante. Falava com clientes, fazia stories para o Instagram e agradecia a presença de cada um com um aperto de mão ou um abraço.

 Ele não sabia. Ninguém sabia, mas naquele momento...

Ali, entre os corredores de ventiladores e televisores em promoção, passeava o espírito atento e silencioso de Mestre Claudino, fundador do Armazém Paraíba. Invisível aos olhos, mas presente em cada detalhe da festa. Ele observava com ternura os idosos que ali estavam, os netos que ouviam as histórias, o gerente que levava adiante o nome da empresa. Sorriu ao ver que aquele pequeno armazém de Bacabal havia se tornado uma das maiores redes do país, mas sem nunca esquecer de onde veio.

Como se sussurrasse com o vento, ele falou baixinho:

— Sucesso em qualquer lugar, mas com raízes fincadas aqui...

O som da banda voltou a preencher a loja. Entre os discursos e os brindes de refrigerante em copo plástico, o passado e o presente brindavam juntos.

— Vó, você acha que o Paraíba vai fazer 100 anos?

— Minha filha, do jeito que vai, vai fazer até 200. Porque quem planta com coração, colhe com o povo.

E o povo estava lá. Cantando, comendo bolo, comprando em 10x sem juros e celebrando algo que é mais que uma loja: é memória viva de uma cidade inteira.

O tempo passa, os boletos mudam de cor, o carnê virou app...Mais o Paraíba continua sendo aquele velho conhecido que todo mundo confia, e onde, se vacilar, você ainda sai com um jogo de panelas e uma história boa pra contar.

José Casanova 

Professor, Jornalista e Escritor membro da 

Academia Bacabalense de Letras 

Academia Mundial de Letras da Humanidade 

Tutor da Academia Marahense de Letras Infantojuvenil 

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Crônica do dia: Afasia

 

Bruce costumava preencher o mundo com palavras. Elas lhe nasciam fáceis, como notas de um piano que ele também sabia tocar. Era ator, e que ator! Daqueles que não apenas decoravam falas, mas que as criavam com alma, bordando verdades nas mentiras dos palcos e das telas de cinema.

Certa vez, um diretor dissera que Bruce não representava; ela encarnava. Tornava-se rei, mendigo, assassino, anjo. Mudava de pele com a mesma naturalidade que mudava de roupa. E fora aplaudido de pé, não uma, mas incontáveis vezes, por multidões que acreditavam em cada  gesto seu.

Hoje, Bruce nem lembra que foi ator.

Na poltrona da sala, ele encara uma estatueta dourada com os olhos vazios de quem vê um objeto qualquer. O prêmio que um dia representou o auge de sua carreira agora é só um peso bonito, um enfeite sem nome.

A Afasia chegou como um ladrão invisível. Roubou-lhe as palavras, depois os significados, por fim, as lembranças. A doença não levou apenas sua linguagem. Levou sua história.

Agora Bruce luta com as sílabas, tropeça nos nomes. Chama a filha de “moça”. A esposa de “aquela ali”. E quando tenta dizer “bom dia”, sai algo como “dom  via”, e às vezes, nem isso.

-  Bruce, lembra desse prêmio? – Pergunda Linda, sua filha, sentando –se ao lado no sofá.

Ele franze a testa. Toca a estatueta com a ponta dos dedos, como quem apalpa a memória.

- É... é... bonito.  – Diz com esforço, e sorri.

- Foi seu, pai. Você ganhou. Era o melhor ator.

Bruce sorri de novo, mas o sorriso é tímido, hesitante. Ele não sabe se acredita.

- Ator? – repete. – Eu... era? Eu... fiz?

Clara segura sua mão:

- Fez. Muitos filmes. Peças. Um monte de gente te aplaudindo. Você era incrível.

Bruce baixa os olhos. Parece procurar palavras numa gaveta vazia.

- Eu... falo... bem?

Ela  hesita. Respira fundo:

_ Fala sim. – responde, com um nó na garganta. – Às vezes demora... mas fala.

- Céu... azul.

- Isso, pai. Azul. Muito bem!

Bruce sorri, mais firme agora, como se aquela pequena conquista fosse uma vitória sobre o vazio, mas logo a névoa volta:

- Linda? – Pergunta.

- Sou eu pai

- Moça...bonita. – ele murmura, como quem se desculpa por esquecer. Ela beija sua testa.

No canto da sala, a televisão exibe um de seus antigos filmes. Bruce está lá, na tela, com voz firme e olhos flamejantes, dizendo uma fala de Shakespeare. Ele não se reconhece.

- Quem é esse? - Indaga Bruce.

- É você. – Responde Linda.

Bruce observa por um tempo.  A imagem do ator parece de outro mundo.

- Ele... fala... bem.

- Fala sim, pai. Era você, quando as palavras moravam aqui – diz ela, apontando o peito dele.

Bruce leva a mão ao coração. Como quem tenta sentir algo escondido ali dentro.

A Afasia chegou como uma maré que engoliu a praia de suas palavras. Deixou conchas quebradas, memórias soltas, sons sem sentido.

Bruce, o homem que encantou plateias com sua voz, agora vice num mundo onde as palavras são labirintos sem saídas. Onde o pensamento corre, mas a fala tropeça. Onde tudo o que sente fica preso dentro, esperando, talvez, por um gesto que diga o que a boca não consegue mais.

Mesmo assim, sua arte permanece. Nos olhos, há ainda brilho. Nas mãos, um gesto involuntário  que lembra uma velha cena. No corpo, o vestígio de um tempo em que a linguagem era sua morada. E mesmo que Bruce tenha esquecido que foi ator, a vida, essa teimosa diretora de cena, segue soprando falas ao pé do ouvido. Algumas ele entende. Outras, responde com o olhar.  E há dias em que

,por um instante, ele parece lembrar:

- você disse que eu ... era bom?

- Era, Pai E ainda é.

Bruce sorri, sem saber exatamente por quê, mas talvez nem tudo precise se dito para ser sentido.

JOSÉ CASANOVA

Professor, Jornalista e Escritor

Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade

Tutor da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil

 

domingo, 29 de dezembro de 2024

CRÔNICA DO DIA: A Lista de Secretários

 Na Terra da Bacaba, onde as rodas de conversa são quase tão tradicionais quanto o arroz de cuxá, o tema da vez não poderia ser outro: a tão aguardada lista de secretários do prefeito eleito Roberto Costa. A cidade vive uma mistura de ansiedade e especulação, como se o anúncio fosse uma espécie de final de campeonato – só que, em vez de gols, o que conta são os nomes escolhidos para compor o time.

Nos bares e restaurantes, os autoproclamados cientistas políticos dão um show à parte. Entre uma cerveja e outra, surgem listas que mais parecem fruto de uma imaginação fértil ou, quem sabe, de apostas malucas. Alguns nomes são tão inusitados que arrancam risos, outros provocam olhares desconfiados. Mas, convenhamos, Bacabal é especialista em transformar especulação em arte – ou comédia.

O fato é que não existe lei que obrigue um prefeito a apressar o anúncio. A prudência, como diz o ditado, é uma virtude, e Roberto Costa parece entender isso muito bem. Afinal, formar um secretariado não é tarefa para impulsivos; é preciso estratégia, diálogo e, claro, paciência para lidar com os inúmeros aspirantes que surgem de todos os cantos, cada um com sua justificativa impecável para ocupar um cargo.

Enquanto isso, há quem queira, de qualquer maneira, uma fatia do bolo do poder. É como se a política fosse um grande buffet onde todos tentam garantir seu lugar à mesa. E, no meio dessa disputa, não faltam aqueles banhados de inveja, sempre prontos a apontar um defeito – real ou inventado – em qualquer nome que apareça na lista, mesmo que ela ainda nem exista.

Os fofoqueiros de plantão, esses são um caso à parte. Transformam cada ausência de notícia em um prato cheio para suas teorias, destilando venenos em doses tão concentradas que poderiam rivalizar com qualquer telenovela. Eles esperam a lista quase em crise de ansiedade, como se dependessem dela para dar sentido aos seus dias – e, talvez, dependam.

Por outro lado, é impossível não parabenizar Roberto Costa pela prudência. Ele entende que o jogo nem começou e que cada escolha precisa ser feita com a precisão de um cirurgião. Melhor dar um passo de cada vez do que tropeçar na pressa. A política, afinal, não é corrida de 100 metros, mas uma maratona cheia de curvas e obstáculos.

E assim segue Bacabal, com sua curiosidade coletiva e suas listas imaginárias. Enquanto o prefeito eleito não revela os nomes, o espetáculo da especulação continua. E, convenhamos, é uma das diversões mais típicas e deliciosamente humanas que a cidade pode oferecer.


Por José Casanova

Professor, Jornalista e Escritor

Membro da Academia Bacabalense de Letras

Academia Mundial de Letras da Humanidade

Tutor da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil