Por José Carlos De Lucca
"As pessoas não conhecem a própria felicidade, mas a dos outros não lhes escapa nunca." - PIERRE DANINOS
Todos estão à procura da felicidade. Ninguém diria em sã consciência
que não deseja ser feliz. Ricos e pobres, homens e mulheres,
crianças e adultos, doentes e sãos, religiosos e ateus, enfim,
todos querem a tal felicidade. Daí por que todos a procuram, nos
mais variados lugares e das mais diferentes formas. Mas, se a
procura é grande, nem sempre o encontro ocorre.
Para muitos, a conquista da felicidade está associada à aquisição de
bens materiais. Pensam, por exemplo, que serão felizes quando
comprarem aquele carro importado, aquela casa na praia ou quando
ganharem grande fortuna na loteria. E, por vezes, chegam até
ao intento sonhado, mas, a despeito da riqueza, continuam
infelizes, sentem um enorme vazio existencial. A fortuna
alcançada só aumentou a carga de sofrimentos daquela pessoa,
com o acréscimo das preocupações que antes não a visitavam.
Outros ancoraram o sonho da felicidade na busca da fama, do sucesso,
do poder. Imaginam que só o reconhecimento público de seus
talentos artísticos ou intelectuais poderá fazê-los felizes. E, de
igual forma, muitas vezes vem o sucesso, vem a consagração,
mas a felicidade não vem junto. Ao contrário, ficaram mais
tristes. Apesar de serem publicamente conhecidos, continuam sós.
Temem a aproximação das pessoas. Vivem a dualidade da fama e
da solidão e dizem, com frequência, que dariam tudo para levar
uma vida comum. Certa feita, ouvi de um famoso cantor que seu
maior desejo era poder ir à praia como uma pessoa comum. Mas a
fama não lhe permitia desfrutar desse simples prazer da vida.
Para outros a felicidade está condicionada à inexistência de problemas. Dizem eles:
"Como posso ser feliz carregando vários tormentos?"
E assim caminham pela vida aguardando o dia em que seus problemas terminem para aí sim desfrutarem a tal felicidade.
Mas existirá alguém na face da terra que não tenha problemas?
Não
pensemos que uma pessoa rica esteja isenta de dificuldades.
Pode não ter as preocupações com a moeda, mas certamente tem
outras aflições que a riqueza não é capaz de superar. O ouro
não resolve todos os problemas. Que o digam aqueles afortunados
que desejariam saborear as melhores comidas do mundo, mas que
por doenças tormentosas sequer podem alimentar-se de um simples
prato de arroz e feijão.
Então muitas pessoas estão condicionando a felicidade à ocorrência de
um fator externo. Só serão felizes quando forem ricas; quando
forem famosas; quando forem amadas; quando arranjarem um bom
emprego; quando não tiverem problemas; e a lista prossegue sem
fim.
E nós? Será que também estamos condicionando a nossa
felicidade a algum acontecimento, a algum bem material, a
alguma pessoa? Será esse o caminho da felicidade? Certamente,
não. A felicidade não está fora de nós. Ela é, antes de tudo,
um estado de espírito, uma maneira de ver a vida e não um
determinado acontecimento.
Deus, que nos quer bem e, portanto, deseja a nossa felicidade, não
faria com que este sublime sentimento ficasse na dependência de
algum evento futuro, incerto e externo.
Podemos alcançar a
felicidade hoje, agora, a despeito dos problemas que estejamos
enfrentando. Basta olhar a vida com outros olhos, mudando as
lentes pelas quais enxergamos os fatos.
A vida não é um problema, é um desafio.
Ela nos apresenta oportunidades de crescimento, notadamente nos
setores onde mais necessitamos. Por detrás dos problemas existem
lições, desafios, tarefas. E grande ventura tomará conta de nós
quando vencermos os obstáculos que a vida nos apresenta. O
Sermão da Montanha é a pura prova de que somente serão
bem-aventurados aqueles que souberem superar as dificuldades da
vida. Se o amigo leitor ainda não está convencido, basta então
olhar para as pessoas felizes e verificar que todas elas
passaram por grandes provas e expiações. Lembremo-nos dos
primeiros cristãos, que seguiam cantando alegres até a arena onde
seriam devorados pelas feras.
Lembremo-nos da felicidade de Francisco de Assis, conquistada na
humildade, na pobreza e no serviço ao próximo. O santo da humildade
era moço rico, mas vivia amargurado na riqueza que possuía. Só
encontrou a paz depois que renunciou à vida fácil e se
entregou à riqueza do espírito. Não nos esqueçamos de que Paulo
de Tarso, que na condição do poderoso Saulo era infeliz, mas
voltou a viver após o célebre encontro com Jesus na Estrada de
Damasco. Paulo perdeu o poder temporal, mas encontrou a
felicidade pessoal. Gandhi encontrou a sua felicidade na luta
pela paz. Madre Tereza e Irmã Dulce, apesar dos inúmeros
padecimentos que sofreram, conseguiram encontrar a felicidade na
felicidade que podiam proporcionar aos desvalidos do caminho.
Albert Schweitzer, médico, encontrou a felicidade vivendo 52
anos de sua vida entre os povos primitivos da África.
Como esquecer a permanente alegria de Chico Xavier? E olha que
problemas na vida não lhe faltaram. Perguntem ao médium de Uberaba se
ele estaria disposto a passar por todas as provações que a
vida lhe marcou. A resposta já é conhecida de todos. Chico já
disse mais de mil vezes que faria tudo de novo e que pretende,
no mundo espiritual, continuar a sua tarefa de médium.
Então, amigo, a felicidade não consiste em ter bens materiais, posição social ou poder político.
A felicidade não pode ser conquistada fora de nós, embora seja sempre lá que a procuramos.
Vicente de Carvalho já considerou que a felicidade existe, mas é
difícil de ser alcançada, porque está sempre onde a pomos e nunca a
pomos onde estamos. E nós já dispomos de tudo para sermos
felizes hoje, apesar das dificuldades pelas quais atravessamos.
Aliás, são os desafios que nos impulsionam ao progresso. Já
pensou o que seria da sua vida sem desafios? Será que você
agüentaria passar o resto de sua vida deitado numa rede? Por
quanto tempo você conseguiria viver na ociosidade? Nunca vi um
espírito superior ficar um minuto sem trabalho.
Encaremos a vida com os olhos do bem, com a visão do amor e com o
concreto desejo de olharmos à nossa volta e verificarmos que o Pai
tudo nos legou para que a nossa felicidade se efetive já.
Abençoemos o trabalho em que a vida nos situou; santifiquemos a
família terrena do jeito que os familiares são; enfrentemos com
dinamismo e alegria os obstáculos da vida e assim, amando e
servindo, haveremos de encontrar a felicidade que há muito tempo
espera por nós.
Será que você vai concordar comigo?