A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga
irregularidades na gestão do Escritório Central de Arrecadação e
Distribuição (Ecad) – sociedade civil sem fins lucrativos que distribui
direitos autorais no Brasil – aprovou 21 requerimentos nesta
quarta-feira (14). Entre eles o convite ao compositor Fernando Brant,
presidente da União dos Compositores Brasileiros (UCB), uma das
entidades que integram o Ecad.
Também foi aprovado requerimento solicitando vários documentos do Ecad, desde 1997.
O convite a Fernando Brant, autor da canção Travessia, em parceria
com Milton Nascimento, atende a um dos 13 requerimentos apresentados
pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ), relator da CPI. Ele apresentou
também convites aos cantores e compositores Geraldo Antonio de Carvalho
(o Ricky, da dupla Ricky & Renner), Paulo Leandro Fernandes Soares
(Leandro Lehart), João Roberto Kelly e Dudu Falcão, que falarão sobre os
mesmos temas de Fernando Brant.
Também a pedido de Lindbergh Farias foi aprovada a realização de
diligências na sede do Ecad, no Rio de Janeiro, a serem realizadas no
mesmo dia da audiência pública marcada para aquela cidade, no próximo
dia 30. O parlamentar também requisitou um servidor do Tribunal de
Contas da União (TCU) para auditar os balanços do Ecad.
Requerimento apresentado pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) pede
que Lúcio Santos de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de
Promotores de Eventos, fale à CPI na audiência pública marcada para o
próximo dia 16, em Salvador.
Os demais requerimentos foram apresentados pelo presidente da CPI,
senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Coube a ele pedir cópias dos
seguintes documentos ao Ecad: contratos de representação internacional
de 1997 a 2001; alterações no estatuto da entidade; atas das reuniões da
Assembleia Geral de 1997 a 2001; balanços e relatórios contábeis de
1997 a 2001; a relação de associados, pessoas físicas e jurídicas; e a
relação de todos os superintendentes e diretores do Ecad entre 1997 a
2011.
Randolfe Rodrigues também pediu a convocação de Sandra Véspoli, autora do livro
O outro lado do Ecad,
que expõe sua experiência como funcionária da entidade; e de Débora
Cheyne Prattes, presidente do Sindicato dos Músicos Profissionais do
Estado do Rio de Janeiro, que fala sobre a gestão coletiva dos músicos
executantes, o maior contingente de titulares do Ecad que, no entanto,
recebe a menor parcela da distribuição.
Ao final da reunião, o presidente da CPI afirmou já ter se convencido
que o Ecad precisa de algum tipo de fiscalização. Citou o cantor e
compositor Ivan Lins, que em audiência da CPI disse: “Não existe
democracia sem transparência e fiscalização”. Randolfe afirmou que a
metodologia de arrecadação do Ecad vem sendo questionada nas audiências
públicas, citando também denúncias de fraudes e de distribuição de
bônus, o que só poderia ser feito se a sociedade civil fosse uma empresa
privada.
Da reunião da CPI participou também o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).