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segunda-feira, 29 de junho de 2026

CRÔNICA DO DIA: Estradas e Toadas


O ônibus, uma carcaça de lata que parecia ter sobrevivido a eras de poeira e descaminhos, era o útero metálico daquela família numerosa e barulhenta. Quando o motor estalava para a partida, muitas vezes auxiliado pelo empurrão coletivo dos mutucas e brincantes, o cheiro de diesel misturava-se ao aroma inconfundível de perfume barato, suor de expectativa e o farelo de biscoito que insistia em cair do banco traseiro.

Ali dentro, não havia Mestre, nem vaqueiro, nem índia; havia um coletivo de corpos exaustos que buscavam o próximo arraial. A estrada serpenteava pelo interior do Maranhão, era o palco onde o bumba-meu-boi se revelava na sua versão mais humana e despojada, longe dos brilhos cênicos e das luzes dos grandes palcos.

As horas de viagem eram sentidas na espinha, especialmente para quem carregava a estrutura do boi desmontada pelas fileiras de poltronas ou sobre o teto, amarrada com cordas de náilon que pareciam prontas para arrebentar ao primeiro solavanco.

O ônibus chacoalhava com uma violência que faria qualquer objeto moderno sucumbir, mas aquele veículo, tal como a tradição que transportava, era feito de teimosia. No fundo, alguém começava a cantar uma toada baixinha, um lamento sobre o "boizinho que correu a estrada", e, em questão de minutos, o que era um silêncio cansado tornava-se um coro potente.

As mãos começavam a bater nas laterais dos bancos, no encosto dos bancois, na lataria da janela, transformando o transporte em um estúdio improvisado onde se testavam versos que seriam apresentados a poucos quilômetros dali.

Imprevistos eram a única certeza da agenda. Havia o pneu que estourava exatamente no trecho de estrada de terra onde o sinal do celular era um mito; havia o motor que superaquecia e obrigava todos a descerem e ficarem esperando ao relento o ferro esfriar enquanto a lua subia e o desespero de perder o horário da apresentação batia no coração do Mestre.

Nessas horas, o improviso virava lei. Reuniam-se ao redor da guarnição, decidiam o que cortar da apresentação, como redobrar o passo caso chegassem atrasados, e sempre, sem exceção, alguém tirava uma comida embrulhada em folha de bananeira para partilhar. A fome, no ônibus itinerante, era combatida com o coletivismo. Ninguém comia nada se não houvesse o suficiente para o companheiro do banco ao lado.

Quando o ônibus atravessava as cidades menores, a recepção era um rito à parte. A chegada de um batalhão, por mais atrasada que fosse, transformava o ânimo do lugarejo. As crianças corriam atrás do gigante de ferro, gritando e aplaudindo como se o ônibus fosse, por si só, uma extensão da magia do boi.

Os brincantes, ao descerem com as pernas dormentes e o corpo pedindo descanso, precisavam de uma injeção de adrenalina quase instantânea. Era o momento em que a cara de cansaço era substituída pelo sorriso de quem sabe que a sua arte é o oxigênio de quem habita aquelas terras distantes. O improviso de trocar de roupa atrás de uma cortina ou no fundo de um armazém de venda era feito com uma naturalidade que beirava a santidade cotidiana.

Havia, no entanto, algo de poético naquelas estradas de terra, sob um céu que se abria como um abismo estrelado. O ônibus, cruzando as sombras das veredas, parecia um espectro transportando a alma do Maranhão. O vaqueiro, cochilando com o chapéu sobre o rosto, sonhava com passos que ainda daria; o cantador, rabiscando um novo verso no verso de um recibo velho, buscava a rima perfeita para o público que os esperava; o miolo, encolhido em um canto, já ensaiava na mente o giro que faria a multidão vibrar.

A viagem itinerante era o filtro que separava os curiosos dos verdadeiros devotos. Quem suportava o sol, a poeira, o atraso e o aperto do ônibus era quem, na verdade, mantinha o boi vivo.

Quando o motor parava finalmente no destino, com um ranger de freios que parecia um suspiro de alívio, a energia no ônibus mudava. A exaustão evaporava no instante em que o primeiro par de matracas era retirado do compartimento de bagagens.

Eles montavam a estrutura com a agilidade de quem faz o trabalho há gerações, e o boi, que há pouco era apenas um amontoado de veludo e madeira escondido nas entranhas do veículo, começava a ganhar forma, a exibir suas fitas e a reclamar o seu território.

O couro voltou a respirar. A primeira matraca estalou na noite. Quem tivesse visto apenas a viagem juraria que aquele povo já não tinha forças. Bastou o boi levantar a cabeça para ninguém mais lembrar do cansaço da estrada.

José Casanova
Professor, Jornalista, Escritor e Cronista
Membro da Academia Bacabalense de Letras
Academia Munidal de Letras da Humanidade

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

CEMAR realiza palestra sobre direção defensiva em Bacabal

Acidentes em via pública com batidas em postes da rede elétrica não são novidade no Maranhão. Segundo as autoridades de trânsito, esse tipo de acidente normalmente acontece pelos seguintes fatores:

Excesso de velocidade;Estado de embriaguez ou sonolência do motorista;Estado de conservação de ruas, avenidas ou estradas; Falha mecânica do veículo.

De janeiro até dezembro do ano passado foram registrados, em todo o Maranhão, 1.643 acidentes envolvendo quebra de postes. Já este ano, somente de janeiro à julho, já foram registrados 800 acidentes. São aproximadamente, 3,6 acidentes com quebra de poste por dia em todo o Maranhão.

Pensando na prevenção  desses acidentes a CEMAR realizou no último dia 26, no auditório da Companhia em Bacabal uma palestra sobre direção defensiva para os colaboradores da região. O assunto abordado foi sobre as características técnicas das viaturas da Companhia e também as normas e procedimentos que envolvem o uso regular dessas viaturas.

Durante a palestra, ministrada por Adamastor Gaudêncio - técnico de segurança da CEMAR e Wellden Rezende - analista responsável pelo controle de frota da Companhia da área de Bacabal, houve apresentações técnicas dos veículos quatro por quatro e a entrega do "diário de bordo", que explica todos os itens de utilização desses veículos, dá dicas aos condutores de como proceder no uso desses veículos e ainda sobre o relatório diário de veículos, que é um controle de horário, destino e retorno do automóvel.

Os colaboradores puderam ainda, tirar suas duvidas e entender um pouco mais sobre a importância da utilização consciente desses veículos.
FONTE:ASCOM