Camelôs, feirantes, agricultores, salva-vidas, jardineiros, lixeiros, mergulhadores, guardas de
trânsito,
carteiros, motoboys, dog walkers, operários da construção civil,
piscineiros, pescadores... O que todos estes profissionais têm em comum?
A realização de tarefas e/ou o cumprimento de jornadas de trabalho
expostos ao sol. Em razão das atividades que realizam, esses agentes
estão sujeitos a inúmeros problemas ocasionados pela exposição ao sol.
“Como efeito imediato, encontram-se as queimaduras e como alterações
tardias as rugas, sardas, manchas brancas, textura rugosa da pele,
capilares dilatados, massas escamosas e os tumores”, diz a
dermatologista Cristine Carvalho, diretora do CDE – Centro de
Dermatologia e Estética. (CRM-SP 91172).
A
exposição solar é a causa primária de câncer da pele. Isto significa que
os profissionais que trabalham ao ar livre, a maior parte do tempo,
estão em alto risco de desenvolver a doença. “No entanto, porque o risco
de morte acidental e lesões no trabalho são maiores e mais imediatos,
os perigos de desenvolver câncer de pele têm sido muitas vezes
negligenciados pelas empresas e empregadores. Considero muito importante
que os órgãos
gestores
dos serviços em que atuam estes profissionais busquem estratégias que
minimizem os riscos que as atividades desempenhadas trazem para a saúde
destes trabalhadores”, defende a dermatologista.
A
profissão, bem como a cor da pele, são fatores importantes em relação
ao desenvolvimento de câncer de pele. A pele branca revela menor
proteção
em relação aos raios de sol, principalmente a radiação ultravioleta. O
método de fotoproteção química com o uso do protetor solar é uma
estratégia eficaz para reduzir os agravos à saúde provocados pela
radiação ultravioleta a qual estão expostos esses trabalhadores.
“Mas trabalhar ao ar livre exige a consciência de que é preciso se
proteger
do sol adequadamente. E isto abrange mais do que apenas passar filtro
solar. É preciso usar também métodos de barreira física, como o uso de
blusas de manga comprida, bonés, óculos e o cuidado com relação ao
horário de exposição ao sol, que são medidas mais eficazes para diminuir
a ocorrência de agravos à pele”, defende a médica, que enumera a seguir
algumas medidas preventivas que podem se adotadas pelos trabalhadores:
1)
A atividade laboral realizada ao ar livre deve prever um abrigo na
sombra para proteger o trabalhador. Assim, pode-se disponibilizar um
barracão, num canteiro de obras, ou uma cabine no barco, onde o
trabalhador possa fazer intervalos de almoço e café abrigado na sombra;
2)
Na medida do possível, é melhor programar as tarefas que exigem
exposição ao sol, para que sejam feitas na parte da manhã, antes das 10
horas, e/ou depois das 15:00 horas, para evitar as horas de maior
intensidade de sol;
3) Usar sempre roupas protetoras para
cobrir a pele. Mangas compridas, camisas de tecido e calças ou saias
compridas fornecem uma proteção mais adequada;
4) Evite roupas
que deixam a luz do sol transpassá-las. Se a luz do sol está passando,
a radiação ultravioleta também está chegando. Prefira roupas com fator
de proteção solar no tecido, encontradas em algumas lojas
especializadas;
5) Se o trabalhador usa shorts durante o
trabalho, troque-os por bermudas até os joelhos, que oferecem mais
proteção do que shorts mais curtos;
6) Uma gola ou um boné com abas pode proteger a pele na parte de trás do pescoço;
7)
Use chapéu e óculos de sol sempre que possível. O chapéu vai manter o
sol para fora da face, pescoço e orelhas. Ele também irá proteger os
carecas. Chapéus de abas largas são as melhores escolhas. A aba deve ser
de pelo menos 3 cm de largura;
8) Use óculos de sol ou óculos de segurança que filtrem os raios UV;
9)
Use um protetor solar com no mínimo 30 FPS, antes de se expor ao ar
livre. Use um filtro solar resistente à água, se você precisa entrar no
mar ou na piscina;
10) Algumas substâncias aumentam os efeitos
nocivos da radiação ultravioleta, como produtos químicos industriais,
tais como asfalto e alguns medicamentos. Um protetor solar resistente à
água vai ajudar a dar proteção quando há probabilidade de que a pele
tenha contato com estas substâncias;
11) Escolha um protetor
solar em forma de gel, spray ou loção, de acordo com a preferência
pessoal, nenhuma forma é mais eficaz do que outra;
12) Reaplique o filtro solar a cada duas horas. Se você sua muito, reaplique o protetor com mais frequência;
13) Certifique-se de que sua face, lábios, pescoço, orelhas, braços e dorso das mãos estão protegidos com o filtro solar;
14)
A radiação ultravioleta refletida na água, na areia, no concreto, nas
superfícies de cor clara e na neve também é prejudicial para o seu
humano. As pessoas que trabalham perto dessas áreas precisam ter um
cuidado extra.
Importância da informação“Considerando-se
os riscos a que estão expostos esses trabalhadores, faz-se necessária a
implementação de ações voltadas para a educação em saúde, com o intuito
de sensibilizá-los sobre os danos a que estão expostos diariamente em
relação à radiação solar. Uma maior mobilização desses trabalhadores,
reivindicando condições mais adequadas de trabalho, que minimizem as
consequências danosas que o exercício de suas atividades profissionais
possa acarretar à sua saúde também é de grande relevância neste
processo”, defende Cristine Carvalho.
Ambulatório do Melanoma do CDE
O
CDE colocou em funcionamento um atendimento diferenciado para câncer de
pele, por meio da criação de um ambulatório específico para o
atendimento do melanoma. “Reservamos um dia para o atendimento exclusivo
dos casos de melanoma. Aqui, também entra o atendimento aos
interessados em avaliar suas pintas ou sinais - em áreas do corpo
expostas e não expostas ao sol - que podem ser indicativos da presença
de câncer de pele”, observa Cristine Carvalho. Os interessados em serem
atendidos pelo Ambulatório de Melanoma do CDE podem obter mais
informações por meio do telefone (11) 30786713.
FONTE:
O IMPARCIAL