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domingo, 24 de novembro de 2024

UNEGRO Bacabal celebra o Mês da Consciência Negra com entrega de honrarias

 

Na noite desta quinta-feira (21), o pátio da Escola de Música de Bacabal foi palco de uma emocionante cerimônia que marcou o Mês da Consciência Negra no município. Promovido pelo núcleo local da UNEGRO (União de Negras e Negros pela Igualdade), o evento destacou personalidades e ações que contribuem para a luta pela igualdade racial e pelos direitos humanos.

A solenidade teve como destaques a entrega do Prêmio Lúcia Correia de Direitos Humanos e da Comenda Negras e Negros de Destaque na Sociedade Bacabalense. Ambas as honrarias foram idealizadas pelo professor, jornalista e escritor José Casanova, uma figura de referência no ativismo social e cultural da região.

Entre os homenageados, a secretária de Educação de Bacabal, Rosilda Alves, recebeu o Prêmio Lúcia Correia de Direitos Humanos, em reconhecimento à sua dedicação e esforços em prol da educação inclusiva e das pautas que valorizam a diversidade racial. A cerimônia foi conduzida com maestria por Rita de Cássia e José Casanova, respectivamente coordenadora e coordenador adjunto da UNEGRO em Bacabal, que destacaram a importância de celebrar as conquistas da comunidade negra enquanto reforçam a luta contra o racismo.

O evento reuniu autoridades, artistas e ativistas do movimento negro, refletindo a pluralidade de vozes engajadas na defesa dos direitos humanos e na promoção da igualdade racial. Discursos inspiradores e apresentações culturais deram o tom da noite, reafirmando o papel da cultura e da arte como ferramentas de transformação social.

Para além da entrega das comendas, o evento foi um momento de reafirmação dos valores e da memória de personalidades negras que marcaram a história local e nacional. A UNEGRO destacou que iniciativas como esta são fundamentais para fortalecer a resistência e promover o protagonismo negro em todas as esferas da sociedade.

A celebração também reforçou o compromisso do município de Bacabal em manter viva a discussão sobre o legado africano e a luta por justiça social. Em um mês marcado por reflexões sobre a Consciência Negra, a cerimônia foi um exemplo claro de que o reconhecimento e a valorização são passos essenciais para uma sociedade mais igualitária.

O encerramento do evento foi marcado por aplausos calorosos e um sentimento de união, reafirmando o compromisso coletivo com a construção de uma Bacabal mais justa e inclusiva.



















Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado com evento em Bacabal

O Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi marcado em Bacabal por um evento repleto de reflexões, cultura e união. Organizado em parceria por diversas entidades locais, como o GNPR (Grupo Negro Palmares Renascendo), UNEGRO (União de Negras e Negros pela Igualdade), Ponto de Cultura Oxalá Meu Pai, Equipe Resenha Roots e Associação Só Areia, a programação destacou a importância de uma sociedade antirracista.

Com o tema Sociedade Antirracista, a roda de conversa foi o ponto alto do evento, reunindo lideranças locais, ativistas e representantes das organizações parceiras. Durante os debates, foram abordados os desafios e avanços na luta contra o racismo, além da importância do Dia Nacional da Consciência Negra como o primeiro feriado nacional dedicado à valorização da cultura afro-brasileira e à memória de Zumbi dos Palmares.

Cultura em evidência

A celebração foi enriquecida por apresentações culturais que exaltaram as raízes afro-brasileiras. Exposições de turbantes, roupas e acessórios típicos encantaram o público, demonstrando a riqueza estética e simbólica da cultura negra. Apresentações artísticas, como música, dança e declamações, também deram o tom à celebração, ressaltando a potência da expressão cultural como forma de resistência.


Falas que inspiram

Lideranças presentes reforçaram o significado histórico e político da data. “O Dia da Consciência Negra é um marco para a reflexão sobre a contribuição do povo negro à formação do Brasil e para a denúncia das desigualdades ainda existentes”, destacou um dos palestrantes. Outro ponto enfatizado foi a importância do engajamento da juventude na luta por uma sociedade mais igualitária.

Um dia para se refletir e agir

O evento em Bacabal demonstrou que a luta contra o racismo vai além de discursos: ela se fortalece na ação comunitária e na valorização da identidade afro-brasileira. As atividades celebraram conquistas, mas também reforçaram a necessidade de avançar no combate à discriminação e na promoção da igualdade racial.

O Dia Nacional da Consciência Negra é uma oportunidade não apenas de celebração, mas de reafirmar compromissos com uma sociedade mais justa e antirracista. Bacabal deu um importante passo nesse sentido, reunindo cultura, diálogo e união em um evento que ficará marcado na memória da cidade.



quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Secretaria de Cultura de Bacabal convoca contemplados pela lei Aldir Blanc para entrega de documentos

A Secretaria de Cultura de Bacabal está convocando todos os contemplados pelos Editais da Lei Aldir Blanc para comparecerem à sede do órgão, a fim de realizar a entrega da documentação obrigatória para o recebimento dos recursos. O prazo final para a entrega dos documentos é 20 de novembro de 2024, conforme alerta do Secretário de Cultura, Maestro Victor Emanuel.

O procedimento é parte do processo de liberação dos recursos destinados a artistas, grupos culturais e iniciativas da cidade, conforme os editais da Lei Aldir Blanc. O Maestro Victor Emanuel enfatizou a importância do cumprimento do prazo, destacando que a documentação incompleta ou entregue fora do prazo pode comprometer o recebimento dos valores.

Documentação necessária para pessoa física:
RG e CPF;
Certidões Negativas de Débitos Federal, Estadual e Municipal;
Certidão Trabalhista;
Extrato bancário recente e chave PIX para a realização da transferência.

Já para pessoas jurídicas, além dos documentos exigidos para pessoa física, é necessário apresentar:
Ata de Eleição da atual diretoria;
Estatuto Social;
CNPJ.

A Secretaria de Cultura informa que, após o prazo final, caso ainda haja vagas, os suplentes poderão ser convocados para a entrega da documentação, caso sejam chamados.

Os contemplados devem se atentar para a necessidade de apresentar todos os documentos conforme solicitado, para que não haja atraso no processo de repasse dos recursos. A entrega deve ser feita na Secretaria de Cultura de Bacabal, durante o horário comercial.

Para mais informações, os interessados podem entrar em contato diretamente com a Secretaria de Cultura pelo telefone ou e-mail disponíveis no site oficial do município.

Data de entrega dos documentos:
 20 de novembro de 2024.

A Secretaria de Cultura de Bacabal reforça o compromisso com a transparência e o cumprimento dos prazos estabelecidos pela Lei Aldir Blanc, que visa fomentar a cultura e auxiliar os artistas e produtores culturais neste momento de recuperação econômica.


domingo, 27 de outubro de 2024

Bacabal Celebra Identidade e Resistência com Jogos Quilombolas

No último sábado (26), Bacabal sediou um dos eventos mais significativos para as comunidades afro-brasileiras da região: os Jogos Quilombolas Bacabalense. Realizado no estádio comunitário Berredão, no bairro São José Operário, o evento reuniu times quilombolas, como Seco das Mulatas e Catucá, num torneio que transcende a prática esportiva e se torna uma celebração de identidade e resistência.

A organização dos Jogos foi coordenada por uma comissão formada por representantes do movimento negro, como o Grupo Negro Palmares Renascendo (GNPR) e a União de Negras e Negros pela Igualdade (UNEGRO) - núcleo Bacabal  e outras instituições. A realização do evento contou também com o importante apoio da Secretária Municipal de Educação, Rosilda Alves, e da Secretaria de Esportes do município, que colaboraram para estruturar e promover o campeonato.

Manuel Filho, representante do GNPR, destacou a relevância dos Jogos como um espaço para discutir o papel do negro no futebol e no mundo. Segundo ele, além de promover a união e fortalecer as tradições afro-brasileiras, o evento traz à tona questões urgentes, como as atitudes racistas que ainda persistem no meio esportivo, especialmente entre torcidas organizadas. “Esses jogos são uma oportunidade para refletirmos sobre a forma como o negro é visto e tratado dentro e fora do futebol, reforçando a importância da luta contra o racismo em todos os espaços,” afirmou Manuel Filho.

A série de jogos, que seguirá com partidas programadas para a zona rural, visa envolver mais comunidades quilombolas e prepará um time para participar da etapa estadual da Copa quilombola, prevista a ser realizada em Bacabal e da etapa nacional que acontecerá no Rio de Janeiro, reforçando a importância da luta pela igualdade e pelo reconhecimento histórico das comunidades afro-brasileiras de Bacabal atraves do esporte.



quinta-feira, 10 de outubro de 2024

CRÔNICA DO DIA: Trote Solidário

Os calouros da enfermagem chegaram à UEMA - Universidade Estadual do Maranhão  Campus Bacabal -com as expectativas e ansiedades típicas do primeiro dia. Sabiam que os trotes eram tradição, mas desta vez havia algo diferente no ar. Ao invés de estarem preocupados com tintas ou piadas desconfortáveis, seus olhares se voltavam para uma causa maior: a doação de sangue. O desafio seria outro, não mais uma prova de resistência ao ridículo, mas de empatia e coragem.

Naquela manhã, o Hemonúcleo da cidade estava mais movimentado que o habitual. O frio nos corredores de azulejo era substituído por um calor de solidariedade que unia todos: alunos, professores e funcionários. Para muitos dos calouros, era a primeira vez que viam de perto a seriedade de um banco de sangue. Sentiam o peso da responsabilidade, mas também uma estranha excitação. Eles estavam ali para fazer a diferença, e isso os enchia de orgulho.

Ao se sentarem nas poltronas de doação, a ansiedade voltava. O barulho do equipamento, a pressão do garrote no braço, tudo parecia ampliar a importância daquele gesto. Mas, ao ver o sangue escorrendo lentamente para os tubos, algo mudou. Uma sensação de pertencimento crescia, como se aquele gesto simples, porém vital, fosse um rito de passagem que realmente importava. O medo dava lugar a um sentimento de propósito.

As prprofessoras ao lado, observavam com olhares de admiração. A ação não era apenas uma lição prática de cidadania, mas também um sinal de que o curso que escolheram tinha, desde o início, uma conexão com a vida real, com a saúde pública, com o cuidado ao outro.

Ao fim da doação, um sorriso tímido surgia no rosto dos estudantes. A leveza de saber que aquele sangue poderia salvar vidas transformava a experiência em algo profundo. O trote, longe de ser humilhante, se tornara um símbolo de compromisso com o próximo.


segunda-feira, 30 de setembro de 2024

CRÔNICA: Os impactos da inteligência artificial na educação

Na sala de aula da Escola  João Mohana  em Bacabal, o chiado das cadeiras, o barulho das folhas virando e o arranhar das canetas se tornaram sons cada vez mais raros. O que antes era preenchido por conversas entre alunos e as explicações do professor, hoje está sendo suavemente substituído por uma interface brilhante. Se antes a aprendizagem era uma troca visceral, quase humana, agora a educação encontra-se mediada por algoritmos complexos e sistemas de inteligência artificial (IA) que prometem transformar o processo de ensinar e aprender.

Agora a Escola era destaque nos eventos de robótica internacionais,  a mostra bacabalense de foguetes prometia novos cientistas para o País. 

_Você já viu a nova ferramenta da escola? - perguntou Mariana, aluna do terceiro ano, enquanto mostrava a tela do celular para sua colega. No dispositivo, uma IA conversava com ela de forma quase natural, respondendo às dúvidas de física com uma precisão que nem o próprio professor conseguiria. A professora Teresa, que dava aula há quase 20 anos, assistia a tudo com uma mistura de fascínio e inquietação.

No início, a ideia parecia promissora.

 _A IA vai personalizar o aprendizado, cada aluno terá um plano de estudo único - Disseram os especialistas. 

_Os professores terão mais tempo para se concentrar nas necessidades individuais dos alunos, enquanto a máquina faz o trabalho pesado. - Mas será que é assim tão simples? Será que a tecnologia pode substituir a experiência de uma aula vibrante, com discussões profundas sobre o mundo, onde os erros são aprendizados e os acertos, conquistas compartilhadas?

O impacto da IA na educação é como uma faca de dois gumes. De um lado, ela promete resolver o problema da falta de personalização do ensino, ajudando alunos com diferentes ritmos de aprendizado a se desenvolverem no seu próprio tempo. O sistema pode adaptar o conteúdo, sugerir exercícios, corrigir provas em minutos e fornecer feedback instantâneo. Isso, claro, pode ser uma mão na roda para quem está preso a currículos rígidos e sobrecarregados de tarefas. Mas, de outro, há uma pergunta que paira no ar: e o calor humano, o afeto que transforma o aprendizado em algo mais do que uma mera transferência de conhecimento?

Na sala de aula, a interação social entre os alunos também mudou. Aqueles que antes se reuniam em grupos para discutir os exercícios, agora se veem cada vez mais isolados, conectados a máquinas em vez de uns aos outros. O debate, o diálogo, o improviso — tudo isso foi se diluindo diante de uma tecnologia que, embora impressionante, ainda não entende de nuances humanas. A IA pode responder a perguntas sobre equações, mas não é capaz de perceber a ansiedade de um aluno que teme o futuro.

Enquanto a professora Teresa caminava pela sala, observava os alunos, imersos em suas telas. Não podia negar o impacto da tecnologia no aprendizado. Alguns estavam mais concentrados, outros pareciam perdidos em um mar de informações, tentando acompanhar o ritmo da máquina. E ela se questionava: o que aconteceria com as futuras gerações? Estariam mais preparados para o mundo digital ou, na verdade, mais distantes uns dos outros?

Na sua cabeça, surgia uma dúvida inevitável: no esforço por ensinar de forma mais eficiente, estaríamos realmente preparando os alunos para o mundo real? Será que a empatia, o pensamento crítico e a criatividade, habilidades humanas por excelência, não estariam sendo deixadas para trás, substituídas por números e códigos que não entendem as complexidades da vida?

Enquanto os alunos se dispersavam para o intervalo, Mariana, por curiosidade, perguntou à IA: 

_O que é mais importante para aprender? O conhecimento ou a experiência?

A resposta veio instantaneamente: "Ambos são importantes. O conhecimento amplia as possibilidades, enquanto a experiência ensina a aplicá-lo."

Mariana sorriu, mas, ao olhar para a professora, não pôde evitar o pensamento de que, por mais que a tecnologia avance, a verdadeira resposta talvez não esteja nas máquinas. Está nas histórias, nas conversas e, principalmente, nas mãos de quem, com paciência e dedicação, ensina os alunos a serem mais do que recipientes de informações — a serem seres humanos completos.

A educação, afinal, não pode ser reduzida a números e algoritmos. Ela deve ser, acima de tudo, uma experiência de transformação, de crescimento pessoal e coletivo. A IA pode ser uma ferramenta, mas o que realmente forma o aluno é o contato humano, as ideias compartilhadas e as emoções vividas em cada etapa dessa jornada.

Cara leitor(a), devo confessar um pecado intelectual. Busquei ajuda de uma inteligência artificial para escrever esta crônica; mas não deu certo,  faltou sentimento e minha impressão digital literária,  tive que reescreve-la com minhas palavras e Interpretação da realidade. 

E assim, no balanço entre máquina e ser humano, a professora Teresa continuava a ensinar, com a certeza de que, por mais avançada que fosse a inteligência artificial, o verdadeiro aprendizado ainda dependia, e sempre dependeria, da sabedoria de quem ainda acreditava no poder do toque, da voz e da presença.

JOSÉ  CASANOVA 

Membro da Academia Bacabalense de Letras e Academia Mundial de Letras da Humanidade 


sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Palestra sobre Setembro Amarelo promove conscientização em Alto Alegre do Maranhão

Nesta sexta-feira (27), os alunos da Escola Santa Mônica, no município de Alto Alegre do Maranhão, participaram de uma palestra  sobre o Setembro Amarelo, no período matutino  a palestra foi ministrada pela Psicopedagoga  da SEMED Any Silveira, já  no turno vespertino peka assistente social Emanuele Aguiar. O evento teve como foco a prevenção do suicídio e a importância do diálogo aberto sobre saúde mental.

Durante a palestra, Emanuelle e Any destacaram a necessidade de empatia, apoio emocional e o combate ao estigma que ainda envolve questões de depressão e ansiedade, temas centrais na campanha de valorização da vida. Enfatizaram a relevância de procurar ajuda profissional e manter uma rede de apoio forte, seja entre amigos, familiares ou colegas de escola.

Os alunos mostraram grande interesse pelo tema, ouvindo atentamente os conselhos e orientações da assistente social. Ao final da palestra, a mensagem de Emanuelle ecoou entre os estudantes, que se engajaram em uma apresentação teatral, abordando a importância do cuidado com a saúde mental e retratando situações cotidianas de superação e apoio mútuo. A performance sensibilizou o público presente, reforçando a mensagem central de que todos podem contribuir para um ambiente mais saudável e acolhedor.

A iniciativa faz parte de uma série de ações da escola voltadas à conscientização sobre a campanha do Setembro Amarelo, que visa reduzir os índices de suicídio, especialmente entre os jovens, e promover uma cultura de acolhimento e cuidado.

Ao final, Emanuelle Aguiar deixou um convite aberto para que todos se tornem agentes de transformação e apoio, lembrando que “falar é a melhor solução”.




























sábado, 7 de setembro de 2024

Crônica do Dia: Independência ou Morte?

José Brasil acordou naquela manhã de 7 de setembro com o som dos fogos de artifício. Não sabe porque esses fogos ainda são utilizados, já que incomodam tanto os autistas, idosos e pessoas doentes, mas na sua terra,  Juçaralandia, não existe regras de bom senso. Acordara com um aperto no peito, que já não era novidade. Aos 42 anos, as dificuldades financeiras se acumulavam como poeira num móvel esquecido. A mulher, Maria, já estava de pé, preparando o café de uma mistura rala que ele preferia não saber como conseguia. Os filhos, João e Luísa, ainda dormiam no pequeno quarto. Não passavam de um número no censo.

_Mais um Dia da Independência... - pensou José, enquanto vestia a camisa desbotada para mais um dia de luta. Iria ao centro da cidade, tentar vender suas frutas. - _ Mas que independência é essa que não chega ao povo? Ter independência é saber fazer as próprias escolhas.  - Murmurou, observando os rostos cansados na vizinhança, onde todos, como ele, lutavam por migalhas.

No caminho, encontrou-se com Francisco, um velho amigo dos tempos de juventude.

— Grande Zé, vai pro centro? — perguntou Francisco, com o sorriso meio apagado.

— Vou sim, Chico. Tentar vender uns abacaxis, sabe como é... — José suspirou, ajeitando a carroça.

— Hoje é feriado. Vai ter desfile e tudo...

— Pois é, feriado. Desfile... — José riu, um riso seco, sem vontade. — Sabe o que eu estava pensando, Chico? Comemorar o quê? Que independência é essa que não dá liberdade pro povo viver melhor? Que nos faz comemorar, mas seguir presos na mesma miséria?

Francisco concordou em silêncio. Ele próprio já tinha desistido de questionar as coisas. Mas José não. José tinha o Brasil até no próprio nome, e isso o incomodava.

— Eu olho pros meus filhos, Chico... O João vai fazer 15 anos, tá no ensino público, mas aprende o quê? O professor nem aparece. Outros aparecem até demais da conta. E a Luísa? Mal tem livros. — José respirou fundo, com o olhar perdido. — A educação é a nossa esperança, mas o governo não liga. Só pesam no Ideb.  Eles preferem o pão e circo. A diversão tá garantida, mas e a comida na mesa?

— E o que tu faz, Zé? O que a gente pode fazer? — perguntou Francisco, mais desanimado do que curioso.

— Luto, Chico. Tento. Não tem muito mais o que fazer. — José puxou a carroça e começou a caminhar, mas logo parou, olhando para trás. — É tudo um ciclo, sabes? Eles dão circo pra gente se distrair, enquanto a saúde, a cultura, a ciência... tudo vai morrendo aos poucos. Tu sabia que tem gente que nunca leu um livro na vida?

— Isso é verdade...

— E como vamos ter independência se o conhecimento não chega ao povo? Se a literatura tá sumindo das mãos das crianças? E a ciência? O que é que sobra?

Francisco abaixou a cabeça. José tinha razão. O desfile de logo mais seria bonito, patriótico, emocionante... mas o que aquilo significava para eles? Para suas famílias? Eles iriam aplaudir, gritar "Viva o Brasil!", mas no fundo, nada mudaria.

— Eu penso nos meus filhos, Chico. Quero que eles tenham um futuro melhor que o meu. Mas, com o que está aí, não sei... E não é só política, é tudo. Cultura, educação... o país tá doente. Estamos em ano eleitoral, como disse o poeta Boa  Fé: Quanta gente vai se eleger de novo, renovando a fome desse povo...

O som dos tambores do desfile ao longe ecoou pelas ruas. Francisco olhou na direção do centro da cidade, onde a multidão começava a se reunir.

— Então, Zé, vamos assistir ao desfile?

José parou, pensou por um segundo, e depois respondeu com um sorriso amargo:

— Não, Chico. Eu tenho abacaxis pra vender  e muitos outros abacaxis pra descascar na vida.

E seguiu seu caminho.