Os verdes campos alagados da Baixada Ocidental, em tempos remotos espelhos d’água onde o céu repousava sua imensidão, hoje gritam por socorro em um silêncio fúnebre. O que antes era um mosaico vivo de cores, entre aves ribeirinhas, peixes saltitantes e a dança das águas sob o sopro do vento, agora agoniza sob a sombra do descaso e da ambição desmedida.
As águas e os peixes, que um dia alimentaram gerações inteiras de ribeirinhos, pescadores, lavradores e munícipes, são hoje um véu opaco de abandono e crimes ambientais. A terra, antes alagada, úmida e fértil, racha-se em protesto contra o esquecimento e a negligência das autoridades competentes e dos gestores ambientais. O ciclo das chuvas já não encontra resistência nos braços generosos da vegetação; em seu lugar, as degradações ambientais causadas pela ação humana abrem feridas que se aprofundam a cada ano.
As aves migratórias, que cruzavam oceanos para nidificar entre a fartura dos verdes campos e céus azuis da Baixada Ocidental, agora buscam outros refúgios devido à caça predatória e à escassez de alimentos, talvez sem saber que não há mais para onde fugir. A fauna e a flora, antes exuberantes, definham na incerteza de um futuro que se dissolve na negligência das autoridades competentes e dos gestores ambientais. E os munícipes da baixada ocidental, outrora filhos da terra e das águas, veem-se órfãos de sua própria história.
Os verdes campos alagados da Baixada Ocidental
do estado do Maranhão pedem socorro devido às degradações ambientais causadas
pela ação humana. (Fonte:
Arquivo do Autor, 2025.) |
Os verdes campos alagados da Baixada Ocidental pedem socorro e a implementação de políticas públicas socioambientais. Seus rios e lagos, agora rasos e cercados por domicílios e estabelecimentos comerciais em Áreas de Preservação Permanente (APPs), recebem efluentes sanitários e domésticos lançados “in natura”, além de resíduos sólidos (lixo). Eles sussurram histórias do passado, esperando que alguém as ouça antes que se percam no esquecimento. - O tempo urge, e a natureza, ainda que ferida, clama por mãos e ações sustentáveis que a resgatem, por olhos que a enxerguem além da exploração humana, por corações que batam no compasso da resistência em prol da luta pelo meio ambiente e pela natureza.
Ainda há tempo? Talvez. Mas somente se os homens, enfim, compreenderem que sem os campos verdes alagados, sem as águas livres, sem a vida vibrando nos refúgios naturais, também eles se perderão. O apelo está lançado, e o eco dessa súplica ressoa nos ventos que ainda carregam as últimas lembranças de um paraíso com belezas cênicas à beira do abismo.
Quem sabe, um dia, os campos verdes alagados da Baixada Ocidental voltem a sorrir e a verdejar — em vez de chorar e pedir socorro. Mas a terra ainda guarda memórias. Ainda há sementes escondidas na escuridão, esperando o tempo certo para romper o solo e reivindicar a luz.
Por José Carlos Aroucha
Engº
Florestal, Professor, Ambientalista, Cronista e Escritor.
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