Diário do Mearim Cidadania

Diário do Mearim Cidadania

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Nepotismo?!... No Maranhão tem disso não


Nas minhas andanças pela  terra das Bacabas sempre encontro alguns amigos exaltados com a conjuntura, às vezes sem saber ao certo o sentido adequado da palavra. José é um desses maranhenses que parecem ter bacaba correndo nas veias. Pescador de verdade no rio Mearim, não apenas pescador da época de Piracema para pegar o seguro do período. Estava eu à beira do Mearim quando chega José meio zangado e foi logo perguntando:

 Poeta! - Quando as pessoas me chamam de poeta, é como se tirassem minha roupa em público. - Que Cargas d'água é  o tal de nepotismo?
Éguas... Agora sim, estou num mato sem cachorro, sendo o cachorro considerado o melhor amigo do homem ( eu ainda acho que o melhor amigo do homem é a mulher...) penso que cachorro também é parente, pois alguns parentes não passam de aparentes amigos e só nos procuram quando precisam de alguma coisa.
Quando um pescador faz com pouco estudo faz essa pergunta é sinal de que é inteligente. Eu mesmo nessa hora fiquei mudo sem saber o que responder, mas José insistiu, daí lembrei de um texto que estuddei no meu curso de jornalismo na pratica de produção de box do tipo  para saber mais/Saiba mais, não dava pra reproduzir naintegra tudo pro José, muito mesmo aqui, mas expliquei que nepotismo se caracteriza pela contratação de parentes para cargos comissionados. Nepotismo vem do latim. " Masceu de nepote,  que quer dizer sobrinho. No começo, era a proteção escandalosa de tios e sobrinhos. Depois o significado se ampliou, passou a designar a  prática de dar emprego aos familiares.  Não qualquer emprego, claro. "
José soltou uma estrondosa gargalhada. Não entendi por que, já que o assunto era sério, eu não estava sendo irônico e muito menos contando uma piada. Continuei o resumo do texto que estudei.
Apenas as funçoes de destaques e importantes cargos políticos serviam para os parentes.Não era a toa que os Papas, nos Séculos 15 e 16, "usaram e abusaram do privilégio de serem mandachuvas. Favoreciam pais, irmãos, cunhados, tios e primos com títulos e polpudas doações".
José soltou outra gargalhada, como se tudo aquilo fosse novo e interessante para ele. não há necessidade de explicar que o texto entre aspas não é de minha autoria, apenas montagem de minhas lembranças do texto que estudei, mas José entendei de entre aspas, para ele as coisas deveriam ser às claras, sem mais milongas. Expliquei a ele que "entre nós a prática é velha como o rascunho da Bíblia. Chegou aqui com Pedro Álvares Cabral" quando o mesmo comandou a invasão do Brasil. Na caravela do  abre aspas descobridor fecha aspas, veio um cidadão chamado Pero Vaz de Caminha com a função de repórter sem DRT e fuxicar, digo, noticiar as novidades ao Rei de Portugal. "O escrivão fez um diário de viagem. escreveu uma carta de 27 páginas. Nela, falou das calmarias, das negociações de Pedro Álvares Cabral com os índios, da quase certeza de que nas terras recém-descobertas havia ouro. E por ai afora. Deixou D. Manuel ( o venturoso ) esfregando as mãos de contente. Preparando o terreno, deu o golpe: pediu emprego para o genro.
_ ahahahahahahha. - Desculpe amigo leitor nem consigo descrever o riso de José.
_ Poeta, ele conseguiu o cargo pro marido da filha? - Insistiu em saber José.
- Não sei. ninguém sabe .- Respondi  calmamente.
O fato é que esse foi o ponto de partida para vitoriosa carreira do nepotismo em terras brasileiras. A prova disso é que "Mem de Sá, nosso terceiro governador geral, aplicou o conceito à risca. Deu um empreguinho ao sobrinho Estácio de Sá. A moda pegou. Estendeu-se a filhos, afilhados e amigos. Ganhou apelidos - filhotismo e afilhadismo."
Hoje já não podemos levar as coisas tão a sério, a justiça é cega, mas enxerga quando quer. O sol  nasce para todos, mas a sombra é para poucos. " Presidente, deputados, senadores, ministros, prefeitos mantém parentes nos gabinetes. Empregam mulher, filho, irmão, sobrinho, primo, cunhado.Embora comum, a coisa pega mal. Diz com todas as letras que, nesse terreno, não impera a democracia. Valem mais os laços de parentesco ou amizade do que a competência provada em concurso público, Mateus, Mateus, primeiros os teus..."
O sorriso havia desaparecido do rosto de José, desperdi-me do amigo, já subia a Avenida Mearim quando ouvi ao longe:
_ Poeta! Ei Poeta, Amante é parente?
Ser ou não Ser, eis a questão... Nem Freud Explica...

Reações:

0 comentários:

Postar um comentário